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7 em 10 brasileiros veem biocombustível como motor econômico

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7 em cada 10 brasileiro acreditam que o aumento da produção de biocombustível no país está diretamente ligado ao crescimento econômico do Brasil. As informações são resultado da pesquisa Combustível e Energia Sustentáveis: A Visão dos Brasileiros, feita pela Nexus para a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República. A pesquisa revelou um cenário animador em relação à percepção pública sobre a produção de biocombustíveis no Brasil.

70% dos brasileiros associam biocombustível ao crescimento econômico.
Pesquisa revela que 70% dos brasileiros veem no biocombustível um impulsionador do crescimento econômico e da sustentabilidade no Brasil |Foto: Reprodução/Freepik

De acordo com os dados, 70% dos brasileiros entrevistados associam diretamente o aumento da produção de biocombustíveis ao crescimento econômico do país. Essa percepção positiva se justifica pela crença de que a expansão desse setor impulsiona a geração de empregos, especialmente nas áreas rurais, estimula a agricultura e fortalece a economia local.

Além disso, muitos entrevistados destacaram que o aumento da produção de biocombustíveis contribui para a diversificação da matriz energética brasileira, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e promovendo a sustentabilidade ambiental.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa revelou uma divergência entre a percepção sobre combustíveis limpos e a prática dos consumidores. Enquanto a maioria dos brasileiros (77%) considera os carros elétricos a melhor alternativa, na hora de abastecer seus veículos, a preferência se concentra em combustíveis fósseis: 66% optam pela gasolina ou diesel. O etanol aparece como segunda opção, com 29% das preferências, seguido pelo GNV, com 33%.

A Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024 pelo presidente Lula, trouxe uma série de mudanças na composição dos combustíveis utilizados no Brasil. Uma das principais alterações foi a expansão dos limites de mistura de etanol à gasolina e de biodiesel ao diesel.

Apesar dessa medida ser um passo importante para a transição para uma matriz energética mais sustentável, uma pesquisa da Nexus revelou que a metade dos brasileiros (51%) ainda não está familiarizada com essa nova legislação.

No entanto, quando informados sobre os benefícios da medida, dois terços dos entrevistados (66%) destacaram a redução da emissão de gases poluentes como o principal motivo para apoiar o aumento da mistura de biocombustíveis.

Projeto “Combustível do Futuro”

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destaca que a Lei do Combustível do Futuro tornará nossa frota mais compatível com a agenda climática global e, ao mesmo tempo, trará benefícios econômicos e sociais para o país.“Para o Brasil, que possui compromissos internacionais de redução de emissões, a adoção dos biocombustíveis representa um passo importante para o cumprimento das metas ambientais”, afirma.

O ministro Silveira destaca que o crescimento da produção de biocombustíveis não apenas impulsionará a economia, mas também contribuirá para um futuro mais sustentável e seguro energeticamente. A diversificação da matriz energética, com a inclusão de fontes renováveis como os biocombustíveis, reduzirá a dependência de combustíveis fósseis e diminuirá as emissões de gases de efeito estufa.

A cadeia produtiva dos biocombustíveis, além de gerar empregos e renda, promoverá o desenvolvimento de tecnologias limpas e eficientes. Essa transição para uma economia de baixo carbono fortalecerá a posição do Brasil no cenário internacional e contribuirá para o cumprimento dos acordos climáticos globais

Um dado relevante da pesquisa Nexus/Secom é que 62% dos brasileiros acreditam nos benefícios do projeto, seja para os consumidores, para o meio ambiente ou para ambos. Esse resultado corrobora com outras pesquisas que apontam para uma crescente conscientização da população sobre a importância de iniciativas sustentáveis e que gerem impactos positivos na sociedade.

Desconfiança ainda existe

Os resultados da pesquisa evidenciaram uma significativa divergência de opiniões entre os entrevistados quando questionados sobre os possíveis efeitos negativos da crescente utilização de etanol e biodiesel nos combustíveis tradicionais.

A principal preocupação expressa pelos participantes foi o impacto no bolso dos consumidores, com 45% deles temendo um aumento nos preços dos combustíveis nos postos de gasolina. Além disso, 44% dos entrevistados manifestaram preocupação com a possível redução da eficiência dos veículos, enquanto 43% acreditam que os motores podem ser danificados com o uso desses biocombustíveis em maior escala.

Além de alterar os percentuais de biocombustíveis na gasolina e no diesel, a nova lei institui programas para incentivar a pesquisa, a produção, a comercialização e o uso de biocombustíveis, com o objetivo de promover a descarbonização da matriz de transportes e de mobilidade. A medida inclui o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, o Programa Nacional de Diesel Verde e o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano.

O debate sobre energia limpa movimenta o cenário mundial dia da COP29 – que reúne representantes de 200 países se reúnem em Baku, no Azerbaijão – e com a expectativa da COP30, que acontecerá em 2025 no Brasil. No ano que vem, a conferência, que acontece anualmente desde 1995, será sediada em Belém, no Pará.

Produção de biocombustíveis cresce no Brasil

A produção de biocombustíveis no Brasil atingiu um marco histórico em 2023, com um volume total de 43 bilhões de litros produzidos, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Esse resultado representa um crescimento significativo em relação ao ano anterior, sendo impulsionado principalmente pelo aumento na produção de etanol.

O etanol, por sua vez, apresentou um crescimento de 15,5% em relação a 2022, atingindo a marca de 35,4 bilhões de litros. Esse aumento foi distribuído entre o etanol anidro, utilizado na composição da gasolina, com um crescimento de 13,5%, e o etanol hidratado, vendido separadamente nos postos de combustíveis, que registrou um aumento de 16,8%.

Paralelamente, a produção de biodiesel também apresentou um crescimento expressivo, ultrapassando os 7,5 bilhões de litros. Esse resultado foi impulsionado pela elevação do percentual obrigatório de mistura do biodiesel ao diesel, que passou para 12% a partir de abril de 2023. O aumento na produção da commodity reflete o crescimento da demanda por biodiesel no mercado interno.

Leia também: Etanol ou gasolina? Veja onde o etanol é mais vantajoso

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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