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Tesla alerta governo Trump sobre “impacto desproporcional” com guerra tarifária

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A Tesla, empresa do bilionário Elon Musk, está preocupada com as taxas extras que outros países podem cobrar em resposta às decisões comerciais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A empresa avisou o governo americano que essas tarifas podem prejudicar exportadores como ela.

Em uma carta enviada ao governo, a Tesla pediu que as decisões comerciais não prejudiquem as empresas americanas. A empresa explicou que, quando outros países reagem às ações dos EUA, os exportadores sofrem mais.

Tesla alerta governo sobre impacto de tarifas no mercado global.
Acionistas da Tesla criticam Musk pelo envolvimento com o governo Trump |Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A preocupação da Tesla é compartilhada por várias empresas americanas, que temem que as tarifas de Trump aumentem os custos. A Tesla lembrou que já sofreu com tarifas mais altas sobre carros elétricos no passado. Além disso, a empresa destacou que, mesmo tentando comprar peças nos EUA, alguns componentes são difíceis de encontrar.

Embora Elon Musk apoie Trump e lidere um grupo que busca reduzir o tamanho do governo, a Tesla agora enfrenta um desafio para evitar novos conflitos comerciais que podem prejudicar sua posição no mercado global.

Com a possibilidade de uma taxa de 25% sobre carros e peças importadas a partir de abril, as montadoras americanas alertaram que isso pode aumentar os preços e atrapalhar a produção. Outras empresas, como Toyota, Volkswagen, BMW, Honda e Hyundai, também estão preocupadas.

Na última segunda-feira, 10 de março, as ações da Tesla caíram mais de 15%, a pior queda desde 2020. A empresa já vem perdendo valor desde dezembro, por causa da incerteza sobre as tarifas.

A Tesla espera que o governo aplique as novas regras aos poucos, para que as empresas tenham tempo de se adaptar e evitar prejuízos. “Queremos evitar problemas como os que tivemos em disputas comerciais anteriores”, disse a empresa em uma carta ao Gabinete do Representante Comercial dos EUA, e estão disponíveis no site do gabinete.

Investidores da Tesla criticam o envolvimento político de Elon Musk

A crescente influência política de Elon Musk tem gerado preocupação entre investidores da Tesla. Antes da conferência de resultados da empresa, foram registradas mais de 100 perguntas sobre o impacto do envolvimento do CEO no governo dos Estados Unidos.

Musk doou US$ 270 milhões (R$ 1,58 bilhão) para a campanha de Donald Trump e outros candidatos republicanos, além de ter sido indicado para uma carga no Departamento de Eficiência do Governo (DOGE). Após a eleição, ele se afastou temporariamente da Tesla, passando um período no resort de Trump na Flórida, o que levantou questionamentos sobre sua dedicação à montadora.

“Quanto tempo ele realmente dedica ao crescimento da empresa e à geração de valor para os acionistas?”, questionou um investidor. Outro acionista disse que Musk se desculparia pelo gesto feito durante a posse de Trump, interpretado por alguns como uma saudação nazista.

Além disso, houve questionamentos sobre o impacto das atividades políticas do empresário nas vendas da Tesla e como a empresa está lidando com possíveis repercussões negativas.

A consultoria Brand Finance revelou que o valor de mercado da Tesla caiu 26% no último ano. Entre os fatores indicados para essa desvalorização estão o posicionamento político de Musk e o envelhecimento da linha de veículos elétricos da empresa.

Além da política nos Estados Unidos, Musk também gerou polêmica ao apoiar o partido de extrema-direita alemã AfD, conhecido por sua oposição às políticas de imigração.

Embora a Tesla não seja obrigada a discutir questões políticas durante as suas conferências de resultados, a influência do CEO já havia sido tema de perguntas no terceiro trimestre de 2024. No entanto, na época, o nome de Trump não havia sido diretamente mencionado.

Elon Musk perde US$ 13,3 bilhões com as tarifas de Trump

A decisão do presidente Donald Trump de impor novas tarifas sobre produtos do México, Canadá e China impactou o mercado financeiro global e atingiu diretamente a fortuna do bilionário Elon Musk. Em 3 de fevereiro, o CEO da Tesla registrava uma perda de 3,16% de seu patrimônio, o equivalente a US$ 13,3 bilhões (aproximadamente R$ 78,5 bilhões), devido à desvalorização das ações de sua fabricante de veículos elétricos, a Tesla. As informações são do ranking de bilionários da Forbes.

Por volta das 12h20 (horário de Nova York), as ações da Tesla caíam 7,31%, sendo negociadas a US$ 375,03 (R$ 2.188,41). Esse declínio acompanhava o pessimismo no setor automotivo global, que sentiu os impactos da medida protecionista anunciada pelo governo norte-americano.

Impactos globais no setor automotivo

As tarifas impostas por Trump penalizaram fabricantes de automóveis em diversos países. Na Bolsa de Tóquio, a Toyota encerrou o dia com queda de 5,01%, enquanto a Honda recuou 7,2% e a Nissan caiu 5,63%.

Na Europa, a Volkswagen registrava queda de 5,82% na Bolsa de Frankfurt, enquanto em Milão, a Stellantis – proprietária da Fiat, Jeep, Citroën e Peugeot – caía 6,16%.

Nos Estados Unidos, uma hora após a abertura do pregão em Nova York, os papéis da General Motors (GM) caíam 3,44%, e os da Ford registravam desvalorização de 1,93%.

Preocupações com o aumento de preços

O setor automobilístico expressou preocupação com os efeitos das tarifas sobre o preço dos veículos. De acordo com cálculos de uma consultoria, os carros podem ficar até R$ 18 mil mais caros para os consumidores americanos.

A Volkswagen declarou em fevereiro, que espera negociações para evitar um conflito comercial, ressaltando que a competitividade dos carros da marca no mercado dos EUA pode ser comprometida caso as tarifas sejam mantidas.

“Estamos avaliando potenciais efeitos na indústria automotiva e em nossa empresa como resultado das tarifas anunciadas. Confiamos em negociações construtivas entre os parceiros comerciais para garantir segurança no planejamento e estabilidade econômica, além de evitar um conflito comercial”, afirmou a Volkswagen em comunicado.

Leia também: Acionistas da Apple votam para manter políticas de diversidade da empresa

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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