A transição para a vida adulta sempre foi encarada como um marco de independência, mas um novo estudo da Consumoteca aponta que as novas gerações estão antecipando esse desejo. A pesquisa Adultopia indica que, ao contrário do que se pensava, os jovens de hoje querem amadurecer mais cedo, associando a fase adulta a controle, estabilidade e realização pessoal.

Jovens sob pressão e desejo pelo amadurecimento
O estudo entrevistou 1.600 brasileiros entre 18 e 65 anos e revelou que 68% dos entrevistados se sentem realizados ao fazer “coisas de adulto”. Esse sentimento é especialmente forte entre a geração Z, composta por jovens nascidos entre a segunda metade dos anos 1990 e o início dos anos 2010. Para esse grupo, a vida adulta começa aos 19 anos e, quanto antes esse momento chegar, melhor.
Diferente da visão tradicional de que a juventude deve ser uma fase de experimentação e despreocupação, a pesquisa revela que muitos jovens enxergam esse período como sinônimo de ansiedade e vulnerabilidade. Para 60% dos entrevistados da geração Z, a vida adulta acontece ainda morando com os pais, o que mostra uma mudança na forma como a independência é percebida.
Millennials e a sobrecarga da vida adulta
Já a geração millennial, composta por pessoas entre 25 e 40 anos, enfrenta outro desafio: a sobrecarga. Trabalhar, cuidar da casa, dos filhos e manter a saúde mental equilibrada se tornou uma preocupação constante. O estudo sugere que, para esse grupo, a questão não é mais desejar a vida adulta, mas lidar com suas exigências de maneira sustentável.
Os millennials vivem sob um dilema: estão realmente fazendo tudo certo? Esse questionamento surge porque muitos não seguem os marcos tradicionais de vida adulta, como casar ou ter filhos, algo que antes simbolizava essa fase. O foco, para eles, está em equilibrar conquistas profissionais e bem-estar pessoal.
Geração X e baby boomers buscam reinvenção
Para a geração X (nascidos entre 1965 e 1980), a fase adulta já está consolidada. Muitos sentem que atingiram os marcos tradicionais da vida, como estabilidade financeira e profissional. Agora, buscam mais liberdade para se reinventar, explorando novas carreiras, hobbies ou empreendimentos próprios.
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Enquanto isso, os baby boomers (nascidos antes de 1965) lutam contra os estereótipos do envelhecimento. Para eles, ser adulto não significa ser descartável. Muitos buscam formas de se manter ativos e relevantes na sociedade, seja por meio do trabalho, de projetos sociais ou da tecnologia.
O que significa ser adulto hoje?
A pesquisa aponta que 61% dos entrevistados acreditam que produtividade e foco estão diretamente ligados à felicidade. Para os brasileiros, ser adulto significa ter controle sobre a própria vida, mas sem abrir mão do prazer e da criatividade.
Outros aspectos destacados foram:
- Criação e inspiração: 48%
- Relaxamento e descanso: 43%
- Energia e atividade: 40%
- Cuidado e admiração: 33%
- Desejo e paixão: 28%
Esses números mostram que a vida adulta não é mais vista apenas como uma fase de obrigações, mas também de descoberta e realização pessoal.
A visão das gerações sobre a vida adulta está mudando. Enquanto os jovens desejam amadurecer mais rápido para alcançar estabilidade e autonomia, os mais velhos buscam se reinventar e continuar ativos. O conceito de vida adulta não está mais preso a marcos como casamento ou ter filhos, mas sim ao sentimento de controle, realização e equilíbrio.
Para o mercado, essa mudança representa uma grande oportunidade. Marcas que entendem essa nova relação com a fase adulta podem se conectar melhor com seus consumidores, oferecendo produtos e serviços que atendam a essa busca por independência e bem-estar.


