O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou um novo empréstimo de R$ 1,077 bilhão (US$ 190 milhões) com o Japan Bank for International Cooperation (JBIC), Citibank N.A. Tokyo Branch e The Nishi-Nippon City Bank Ltd. O financiamento será destinado a projetos de transmissão de energia e biocombustíveis no Brasil, reforçando o compromisso do banco com a transição energética e o desenvolvimento sustentável.
A assinatura do contrato ocorreu na terça-feira, 25 de março, em Tóquio, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Japão. De acordo com o BNDES, os recursos captados serão aplicados em iniciativas que utilizam fontes renováveis, como pequenas hidrelétricas, energia solar, eólica e biomassa, setores estratégicos para a diversificação da matriz energética brasileira.

Este financiamento faz parte da linha Global Action for Reconciling Economic Growth and Environmental Preservation (Green), ou “Ação Global para Reconciliar o Crescimento Econômico e a Preservação Ambiental”, na qual o BNDES já captou US$ 950 milhões (R$ 5,3 bilhões) desde 2011. O presidente do banco, Aloizio Mercadante, destacou que a parceria com instituições financeiras internacionais tem sido fundamental para diversificar as fontes de financiamento e ampliar os investimentos no Brasil.
“O BNDES tem fortalecido sua atuação com instituições financeiras internacionais para diversificar seu financiamento e ampliar investimentos no Brasil, principalmente em setores estratégicos, como energia renovável. O JBIC é um parceiro de longa data, com 18 contratos assinados desde os anos 1960, somando cerca de R$ 18 bilhões (US$ 3,2 bilhões)”, afirmou Mercadante em nota.
Lula defende início de negociações para acordo entre Mercosul e Japão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou sua viagem ao Japão nesta quinta-feira, 27 de março, trazendo avanços significativos nas negociações comerciais entre o Mercosul e o Japão. Segundo Lula, as tratativas devem ganhar impulso já no próximo semestre, quando o Brasil assumirá a presidência do bloco.
“Espero lançar negociações de um acordo comercial com o Japão durante a presidência brasileira do Mercosul no próximo semestre”, afirmou o presidente ao final de seu encontro com o primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba.
Atualmente, a presidência do Mercosul está sob o comando da Argentina, mas a partir de julho caberá ao Brasil conduzir as pautas do bloco. O governo brasileiro pretende acelerar a formalização de novos acordos comerciais, especialmente após a recente conclusão das negociações entre o Mercosul e a União Europeia, firmadas em dezembro do ano passado.
O primeiro-ministro japonês também ressaltou a relevância desse avanço nas relações econômicas entre o Japão e o Mercosul. “O Mercosul é um grande parceiro econômico para o Japão. Ratificamos nesta ocasião nosso forte desejo de levar as relações Japão-Mercosul a patamares ainda maiores”, declarou Ishiba.
Além disso, o Japão e o Brasil devem liderar a criação de uma estrutura de parceria entre o Japão e o Mercosul, aprofundando as discussões sobre o fortalecimento dos laços comerciais. Segundo Eduardo Sabóia, secretário de Ásia e Pacífico do Itamaraty, até o momento as conversas entre Japão e Mercosul não haviam se traduzido em uma negociação formal, mas esse cenário pode mudar com essa nova movimentação diplomática.
Durante um fórum empresarial realizado durante a visita, empresários brasileiros e japoneses entregaram às autoridades dos dois países uma carta solicitando celeridade nas negociações, reforçando o interesse mútuo por um acordo comercial.
Além das tratativas com o Japão, Lula também pretende avançar nas negociações com o Vietnã. Na segunda etapa de sua viagem pela Ásia, que começa nesta quinta-feira, o presidente discutirá o acordo comercial com os vietnamitas, cujas negociações estavam estagnadas desde 2021.
Lula também enfatizou a importância do multilateralismo e afirmou que esse será um dos temas centrais da cúpula do BRICS, que será sediada pelo Brasil em julho. Segundo ele, os países precisam se unir em prol dos “interesses comuns da humanidade”.
“O mundo atravessa uma situação política difícil, uma situação econômica complicada e muita insensibilidade na relação política entre os Estados. Estamos vendo países que simbolizavam a ação democrática sofrendo risco de desestabilização pela extrema-direita”, alertou o presidente.
Objetivos da Comitiva Brasileira no Japão
A comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou os avanços obtidos durante a visita ao Japão, destacando as interações estratégicas com autoridades políticas e empresários japoneses. Na terça-feira, 25 de março, cerca de 200 empresários brasileiros participaram de um encontro com o grupo diplomático, reforçando laços e explorando novas oportunidades de comércio entre os dois países.
Entre as principais metas do governo brasileiro está a ampliação do mercado para carne bovina e suína. A expectativa é que o aumento das exportações desses produtos fortaleça a pecuária brasileira, reduzindo potencialmente os custos internos. Segundo especialistas em comércio exterior, a diferenciação na demanda entre os mercados brasileiro e japonês pode beneficiar o setor. Enquanto os brasileiros valorizam cortes da parte traseira do boi, os japoneses preferem a dianteira, o que pode tornar a atividade mais rentável.
Além do agronegócio, a comitiva brasileira também focou no setor de biocombustíveis. Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e da Raízen estiveram envolvidos nas negociações para expandir o comércio de etanol com o Japão.
Outro avanço ocorreu no setor aeronáutico. Nesta quarta-feira, 26 de março, foi firmado um acordo para a compra de 15 aeronaves da Embraer pela companhia aérea japonesa All Nippon Airways (ANA). Essa negociação, envolvendo produtos de alta tecnologia e valor agregado, fortalece a posição do Brasil no mercado global de aviação.
O presidente da Agência Brasileira para a Promoção das Exportações e Investimentos (Apex), Jorge Viana, destacou que o fluxo comercial entre Brasil e Japão vem diminuindo nos últimos anos. “O volume de negócios, que era de US$ 17 bilhões em 2011, hoje está em cerca de US$ 10 bilhões por ano. Um dos principais objetivos da viagem é atrair investimentos para o Brasil. Estamos dialogando com marcas como a Toyota e o grupo Mitsui. A Expo Mundial em Osaka, que acontece em abril, contará com o Pavilhão Brasil para apresentar nosso potencial em manufaturados”, afirmou Viana.
Após a agenda no Japão, a comitiva brasileira seguirá para o Vietnã, país que tem estreitado laços comerciais com o Brasil nos últimos anos. Os dois países fazem parte de um grupo estratégico identificado pelo governo brasileiro como mercados prioritários para ampliação do comércio exterior, que também inclui Coreia do Sul e Turquia.
“Traçamos quatro mercados em potencial: Vietnã, Japão, Coreia do Sul e Turquia. Só com o Japão, já são 130 anos de relação bilateral”, reforçou Viana.
Comércio Brasil-Japão e Brasil-Vietnã
Exportações do Brasil para o Japão (11º maior parceiro comercial)
- Total em 2024: US$ 5,5 bilhões (R$ 31,52 bilhões)
- Carnes (aves e miúdos): US$ 1,1 bilhão (R$ 6,30 bilhões)
- Minério: US$ 1 bilhão (R$ 5,73 bilhões)
- Café e chá: US$ 563 milhões (R$ 3,23 bilhões)
- Cereais: US$ 515 milhões (R$ 2,95 bilhões)
- Alumínio: US$ 387 milhões (R$ 2,22 bilhões)
Importações do Japão para o Brasil (10º maior parceiro comercial)
- Total em 2024: US$ 5,4 bilhões (R$ 30,94 bilhões)
- Reatores nucleares, caldeiras e máquinas: US$ 1,2 bilhão (R$ 6,88 bilhões)
- Veículos e autopeças: US$ 1,2 bilhão (R$ 6,88 bilhões)
- Máquinas e equipamentos elétricos: US$ 719 milhões (R$ 4,12 bilhões)
- Instrumentos ópticos e médicos: US$ 448 milhões (R$ 2,57 bilhões)
- Produtos químicos orgânicos: US$ 291 milhões (R$ 1,67 bilhão)
Exportações do Brasil para o Vietnã (18º maior parceiro comercial)
- Total em 2024: US$ 4 bilhões (R$ 22,92 bilhões)
- Cereais: US$ 1,2 bilhão (R$ 6,88 bilhões)
- Algodão: US$ 1 bilhão (R$ 5,73 bilhões)
- Sementes e frutos oleaginosos: US$ 495 milhões (R$ 2,84 bilhões)
- Resíduos agroindustriais: US$ 427 milhões (R$ 2,45 bilhões)
- Café e chá: US$ 156 milhões (R$ 0,89 bilhão)
Importações do Vietnã para o Brasil (14º maior parceiro comercial)
- Peixes e frutos-do-mar: US$ 136 milhões (R$ 0,78 bilhão)
- Total em 2024: US$ 3,6 bilhões (R$ 20,63 bilhões)
- Máquinas e equipamentos elétricos: US$ 1,8 bilhão (R$ 10,31 bilhões)
- Reatores nucleares e caldeiras: US$ 392 milhões (R$ 2,25 bilhões)
- Borracha: US$ 351 milhões (R$ 2,01 bilhões)
- Calçados: US$ 224 milhões (R$ 1,28 bilhão)
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