IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Nem todo dividendo é bom: 5 armadilhas que você deve evitar

Por

·

Os dividendos são um atrativo poderoso para investidores que buscam renda passiva. No entanto, nem sempre uma empresa que paga altos proventos é um bom investimento. Algumas adotam estratégias insustentáveis para atrair acionistas, comprometendo sua saúde financeira no longo prazo.

A história do mercado financeiro mostra diversos exemplos de companhias que recorreram a práticas questionáveis para manter a distribuição de dividendos, como endividamento excessivo, venda de ativos e até maquiagem contábil. Para evitar cair nessas armadilhas, é essencial entender os fundamentos da empresa antes de investir.

Antes de investir em uma empresa com dividendos elevados, é fundamental analisar sua saúde financeira, histórico e perspectivas de crescimento | Foto: Reprodução/Canva
Antes de investir em uma empresa com dividendos elevados, é fundamental analisar sua saúde financeira, histórico e perspectivas de crescimento | Foto: Reprodução/Canva

Como identificar armadilhas de dividendos

Segundo Ricardo Schweitzer, analista independente, uma empresa saudável consegue pagar dividendos sem comprometer sua capacidade de crescimento e rentabilidade. O problema surge quando os proventos são mantidos artificialmente, sem respaldo na geração de caixa.

Pedro Ávila, analista da Varos Research, alerta para um sinal clássico de risco: quando a empresa paga mais dividendos do que gera de caixa. Nesses casos, ela pode recorrer a aumento de capital (diluindo acionistas) ou contrair dívidas para manter os proventos – uma estratégia perigosa, especialmente em períodos de juros elevados.

Além disso, algumas companhias optam por distribuir dividendos em vez de investir em projetos de alto retorno. Essa escolha pode sinalizar falta de boas oportunidades ou má gestão dos recursos.

Casos de armadilhas no passado

Um dos exemplos mais emblemáticos é o da Oi (OIBR3), que usou endividamento para pagar dividendos elevados entre 2007 e 2013. A empresa prometia retornos agressivos, atraindo investidores como Luiz Barsi Filho, maior investidor pessoa física da Bolsa brasileira. No entanto, a companhia não sustentou os pagamentos e entrou em recuperação judicial.

Outro caso é o da Taesa (TAEE11), que entre 2019 e 2021 distribuiu dividendos acima da sua real geração de caixa. A empresa usava o lucro contábil IFRS, que incluía receitas ainda não recebidas, distorcendo os números. A mudança para o lucro regulatório a partir de 2024 corrigiu essa prática.

A Metal Leve (LEVE3) também gerou polêmica ao pagar dividendos elevados em 2023 para facilitar a venda de ações do seu controlador. O dividend yield disparou para 35,80%, mas caiu para menos de 9% nos anos seguintes, frustrando investidores.

Leia também: Preço dos medicamentos sobe: entenda o reajuste de até 5,06%

Empresas que oferecem dividendos e podem ser armadilhas em 2025

Mesmo após diversos casos de alerta, algumas empresas ainda adotam práticas questionáveis para manter dividendos elevados. Confira cinco companhias que exigem atenção dos investidores:

1. Syn Prop Tech (SYNE3)

A empresa registrou um impressionante dividend yield de 74,11% nos últimos 12 meses. No entanto, esses valores se devem à venda de empreendimentos e participações em shoppings, sem garantia de continuidade. Historicamente, seus dividendos são irregulares, com média de 7,75% nos últimos cinco anos.

2. Unicasa (UCAS3)

Apesar de um histórico de dividendos acima da média da Bolsa, a fabricante de móveis planejados tem receitas estagnadas e baixa rentabilidade. Sem investimentos para reverter esse cenário, o futuro pode trazer retornos cada vez menores aos acionistas.

3. Allied (ALLD3) e Anima (ANIM3)

Ambas tiveram dividend yields elevados nos últimos 12 meses, mas atuam em setores cíclicos e vulneráveis a oscilações econômicas. A Anima, por exemplo, só pagou dividendos em 2024 nos últimos cinco anos, o que indica falta de recorrência na distribuição.

4. JHSF (JHSF3)

A empresa de alto padrão adotou uma política agressiva de dividendos, mas parte dos pagamentos foi financiada pela venda de ativos. Isso levanta dúvidas sobre sua capacidade de manter os proventos no futuro.

Antes de investir em uma empresa com dividendos elevados, é fundamental analisar sua saúde financeira, histórico e perspectivas de crescimento. Nem todo dividendo é sinônimo de bom investimento.

*Entrevista concedida ao Estadão

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade