A nova ofensiva tarifária de Donald Trump vem provocando um racha com nomes de peso do mundo empresarial. Em meio ao aumento das tensões comerciais globais, bilionários e grandes executivos dos Estados Unidos intensificaram as críticas ao presidente, alertando para o risco de um “inverno nuclear econômico” que ameaça paralisar investimentos e empurrar a economia mundial para a recessão.
Bill Ackman, investidor bilionário e antigo apoiador da campanha de Trump, soou o alarme no último domingo, 6 de abril. Para ele, avançar com as tarifas seria como desencadear uma “guerra nuclear econômica”. Ackman alerta que, se as medidas forem mantidas, os investimentos vão minguar, os consumidores vão fechar as carteiras e a reputação dos EUA no cenário global sofrerá danos profundos e duradouros. “Vamos levar décadas para reconstruir a confiança”, escreveu, em publicação n a rede X, que já ultrapassou 10 milhões de visualizações.

Trump anunciou uma tarifa básica de 10% sobre todas as importações, em vigor desde sábado, 5 de abril, e planeja aumentos ainda mais severos contra parceiros estratégicos como China e União Europeia, que enfrentarão tarifas de até 34% e 20%, respectivamente. A promessa do presidente é reequilibrar o comércio global, mas a reação dos mercados e dos empresários mostra que o caminho pode ser mais turbulento do que ele imagina.
Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, alertou que as tarifas podem elevar a inflação e aumentar a probabilidade de uma recessão global. “É cedo para dizer se as tarifas vão causar uma recessão, mas já está claro que vão desacelerar o crescimento”, afirmou em sua carta anual aos acionistas.
Outros bilionários engrossaram o coro. Stanley Druckenmiller, fundador da Duquesne Family Office, afirmou em uma publicação na rede X, que não apoia tarifas acima de 10%, enquanto Ken Fisher, da Fisher Investments, foi ainda mais contundente: chamou o pacote tarifário de “estúpido, arrogante e direcionado a um problema inexistente”.
Até mesmo Elon Musk, tradicional aliado de Trump, manifestou desconforto. Em videoconferência com o vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, Musk declarou que gostaria de ver uma situação de “tarifa zero” entre Europa e Estados Unidos, defendendo uma zona de livre comércio que alivie as tensões.
Analistas também observam que a incerteza gerada pelo pacote tarifário pode congelar planos de investimento de médio e longo prazo. “Se essas tarifas forem revistas em poucos meses, ninguém vai querer investir bilhões agora”, comentou Simon MacAdam, economista da consultoria Capital Economics.
Ackman, por sua vez, pediu publicamente por uma trégua de 90 dias nas novas tarifas, para dar espaço às negociações e buscar acordos mais equilibrados com os parceiros comerciais. No entanto, a escalada nas tensões já tem provocado estragos: as bolsas asiáticas e europeias despencaram, e os futuros americanos indicam mais quedas, à medida que o temor pelo impacto das tarifas toma conta dos mercados globais.


