IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

SUS e IA lado a lado: como será o primeiro Hospital Inteligente do Brasil?

Por

·

Não, o Brasil não está saindo na frente na maratona de modernização da saúde. Países como Estados Unidos, China e Japão deram a largada e já fazem uso da Inteligência Artificial (IA) na promoção da saúde, com investimentos de milhões de dólares, yuans e ienes. O que isso significa? Que a tecnologia está sendo aliada nos tratamentos e na reabilitação do indivíduo e da coletividade. E isso é bom?

Hospital inteligente: veja como será o 1º do SUS com IA
Com o avanço da IA, o SUS se prepara para inaugurar o primeiro Hospital Inteligente, unindo tecnologia de ponta ao atendimento à saúde | Foto: Reprodução/PopTika/Wikimedia Commons

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já se manifestou dizendo que a IA pode melhorar a velocidade e a precisão do diagnóstico e da triagem de doenças, ajudar no atendimento clínico, além de fomentar pesquisas e o desenvolvimento de medicamentos. Também são esperados avanços na vigilância de doenças e na implementação de softwares. Mas sempre pisando em ovos — cautela é o termo da vez.

No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou que já iniciou os estudos para a instalação do nosso primeiro Hospital Inteligente, lançando mão de tecnologias avançadas. Mas tudo ainda está muito indefinido. O que se sabe até agora é que a novidade fará parte do Complexo do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

Uma fonte do ministério me disse que foi criada uma comissão formada por técnicos, que irá criar o formato de gestão, determinar quais especialidades serão oferecidas à população e os custos da empreitada. O projeto ainda está muito verde e não tem data para sair do papel.

E qual seria o tamanho do investimento? Isso também ainda é uma incógnita. No começo deste mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2025, que prevê as receitas e fixa as despesas da União para o exercício. Estão previstos R$ 245,1 bilhões para a saúde pública, o chamado dinheiro carimbado.

Talvez por isso, o ministro Alexandre Padilha já se antecipou e apresentou o projeto ao Banco dos BRICS — grupo que reúne países com economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Não esquecendo que o presidente do banco é a ex-presidenta Dilma Rousseff, reeleita para o cargo por unanimidade, o que significa que o Brasil está com a faca e o queijo na mão pelo menos até julho deste ano, quando o mandato chega ao fim.

Até lá, vamos torcer para que o Hospital Inteligente venha fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para uma melhor oferta no atendimento ao cidadão, dando rapidez e assertividade à rede.

Incertezas

A Inteligência Artificial tem sido usada em muitas tarefas no nosso dia a dia, mas todo cuidado é pouco. Profissionais da área da saúde chamam a atenção para as falhas que podem ser cometidas pelos algoritmos se não forem abastecidos com informações precisas, seja sobre o paciente, seja sobre o procedimento a que será submetido. Caso houvesse uma insuficiência de dados no prontuário, quem seria o responsável pelo erro do diagnóstico?

São perguntas que não querem calar e que terão de ter respaldo da equipe que analisa o projeto da implantação do primeiro Hospital Inteligente.

Por exemplo, será que um dia chegaremos ao centro cirúrgico de um hospital público e vamos nos deparar com um monte de robozinhos? Nos hospitais particulares, a cirurgia robótica já é uma realidade.

Fico imaginando robozinhos transitando pelos corredores, recepcionando os pacientes, administrando as farmácias hospitalares, prescrevendo medicações. Acho que essas cenas estão próximas de acontecer, e penso na luta do SUS pela humanização do atendimento ao cidadão.

Logo vem à minha mente a eterna queda de braço entre a ciência e a religião pelo domínio da “partícula de Deus”, apelido dado ao bóson de Higgs, partícula subatômica fundamental para os cientistas entenderem como se deu a formação do universo.

Estamos prestes a acessar um caminho sem volta. Só me resta dizer: “Vamos com calma que o andor é de barro.”

Sobre o autor Livia Calmon

Jornalista com passagens pelas redações da TV Globo — São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais e Bahia —, da TV Record SP, Band SP e revista IstoÉ Gente. Produtora de Conteúdo de Campanhas Políticas e estudiosa da área da saúde

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade