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Tomate sobe 32% e pressiona inflação em abril

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A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) ficou em 0,43% em abril de 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O principal fator de pressão foi a alta expressiva nos preços dos alimentos, com destaque para o tomate, que subiu impressionantes 32,67% no mês, contribuindo sozinho com 0,08 ponto percentual da inflação total.

O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial e serve como termômetro para o comportamento dos preços no país. Com o resultado de abril, o índice acumula alta de 2,43% no ano e de 5,49% nos últimos 12 meses, ficando acima do teto da meta estipulada pelo Banco Central, que é de 4,5% para 2025, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Com o avanço da inflação puxado pelos alimentos, o consumidor deve manter atenção redobrada às compras do dia a dia | Foto: Reprodução/Canva

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Com o avanço da inflação puxado pelos alimentos, o consumidor deve manter atenção redobrada às compras do dia a dia | Foto: Reprodução/Canva

O impacto dos alimentos no bolso

O tomate foi o item que mais pesou no orçamento do consumidor em abril. A escassez provocada por fatores climáticos, como excesso de chuvas e temperaturas irregulares, contribuiu para a redução da oferta e o consequente aumento dos preços nos supermercados e feiras. Em algumas capitais, o quilo do tomate ultrapassou os R$ 13.

Além do tomate, outros alimentos também registraram alta significativa: o café moído subiu 6,73%, o leite longa vida ficou 2,44% mais caro, o lanche aumentou 1,23% e a refeição pronta fora de casa subiu 0,50%.

Mesmo com variações mais modestas, esses itens também ajudaram a pressionar a inflação, especialmente entre as famílias de menor renda, que destinam maior parcela de seus rendimentos à alimentação.

Leia também: Inflação dá uma trégua em abril, mas ainda preocupa especialistas

Além do tomate, o Café já acumula alta de quase 80% em 12 meses

Entre os produtos que mais encareceram no acumulado de 12 meses, o destaque absoluto é o café moído, com uma impressionante alta de 79,63%. A valorização da commodity no mercado internacional e problemas climáticos em regiões produtoras do Brasil explicam o avanço no preço.

Outros alimentos e produtos que pesaram no bolso do consumidor no último ano incluem a tangerina (39,13%), o acém (26,39%), o cigarro (24,43%), o óleo de soja (23,89%) e diferentes cortes de carne bovina, como patinho (23,39%), alcatra (22,71%) e filé-mignon (21,71%).

Transportes aliviam, mas não seguram índice

Entre os nove grupos de produtos e serviços avaliados pelo IBGE, apenas o grupo de Transportes registrou queda no mês de abril, com variação de -0,44%. A principal contribuição para esse recuo veio das passagens aéreas, que caíram 14,38%, além dos combustíveis, que também apresentaram redução: o etanol recuou 0,95%, o gás veicular 0,71%, o óleo diesel 0,64% e a gasolina 0,29%.

Ainda assim, a queda nesses itens não foi suficiente para neutralizar o aumento de preços nos alimentos e no grupo de saúde e cuidados pessoais, que subiu 0,72%. Neste último, pesaram o aumento dos perfumes (2,49%) e dos planos de saúde (0,57%).

Inflação acima da meta preocupa mercado

Apesar de o resultado de abril estar em linha com as expectativas dos analistas, a inflação de 12 meses, em 5,49%, continua acima do teto da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2025.

De acordo com o último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, o mercado espera que a inflação termine o ano em 5,57%. Para 2026, a projeção é de 4,5%, ainda dentro da margem de tolerância, mas longe do centro da meta, que é de 3%.

Essa expectativa de inflação mais alta pode influenciar as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), que pode optar por manter os juros em patamares elevados por mais tempo, impactando o crédito e o consumo.

O que esperar daqui para frente

Com o avanço da inflação puxado pelos alimentos, o consumidor deve manter atenção redobrada às compras do dia a dia. As instabilidades climáticas ainda podem afetar a produção agrícola nos próximos meses, o que exigirá medidas do governo para evitar a escalada de preços.

Enquanto isso, os indicadores de preços continuam sendo monitorados de perto pelo Banco Central e pelos analistas do mercado financeiro. Qualquer sinal de persistência da inflação acima da meta pode frear os cortes na taxa básica de juros (Selic), afetando o ritmo da recuperação econômica no segundo semestre.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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