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Chanceler ressalta consenso do Brics contra protecionismo comercial

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A reunião dos ministros das Relações Exteriores do Brics, que aconteceu nesta terça-feira, 29 de abril, não gerou uma declaração conjunta, mas destacou a união entre os 11 países membros e os convidados em temas importantes, especialmente na oposição à guerra tarifária mundial.

O chanceler brasileiro Mauro Vieira disse que o encontro mostrou o acordo entre os países do grupo sobre a necessidade de combater o protecionismo comercial e o uso de medidas não tarifárias com justificativas ambientais. Vieira também ressaltou a importância de reformar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e de retomar totalmente o seu órgão de resolução de disputas, como ações essenciais para fortalecer o sistema comercial global.

Brics defende fim do protecionismo comercial em reunião
O grupo defendeu o fortalecimento da ONU e mais representatividade para países da Ásia, África e América Latina |Foto: Reprodução/France24

A reforma da OMC foi vista como uma etapa importante para tornar os mercados internacionais mais justos e inclusivos, promovendo uma concorrência equilibrada e incentivando os países em desenvolvimento a fortalecer suas economias.

Durante a reunião, foi discutido se a disputa tarifária entre a China e os Estados Unidos poderia ser vantajosa para o Brasil. No entanto, o chanceler preferiu focar no compromisso do país em respeitar as normas globais, destacando a relação histórica do Brasil com potências como China e Argentina.

Vieira reforçou que o Brasil sempre seguirá o direito internacional, buscando fortalecer suas relações com todos os países, sem abrir mão das regras e princípios do comércio mundial. Esse compromisso é essencial para garantir a estabilidade e confiança nas relações comerciais internacionais, independentemente das disputas entre os países.

Sobre o documento final da reunião, o chanceler explicou que ele foi assinado apenas pela presidência brasileira do Brics. A ideia foi dar mais importância à Cúpula de Líderes, que acontecerá em julho, quando os chefes de Estado do bloco se reunirão. A decisão de não emitir uma declaração conjunta, segundo Vieira, visa criar um ambiente melhor para um diálogo mais detalhado e elaborar uma declaração mais precisa durante o encontro dos líderes. Isso também busca garantir que as decisões do Brics sejam mais estratégicas e atendam às necessidades de todos os membros.

Engajamento político e inclusão global

A reunião contou com a participação de muitos líderes políticos, com o objetivo de encontrar soluções para problemas que afetam não só os países do Brics, mas também outras nações em desenvolvimento, especialmente no contexto da COP 30, que acontecerá no Brasil ainda este ano. Um dos momentos mais marcantes foi a entrada da Indonésia no grupo como membro efetivo pela primeira vez.

Essa entrada foi vista como um passo importante para tornar o Brics mais diverso e representativo globalmente. A presença da Indonésia reforça o compromisso do Brics em incluir mais países em desenvolvimento, ampliando a influência do grupo e mostrando que a cooperação mundial precisa envolver nações de diferentes regiões.

Outro ponto importante discutido foi o fortalecimento da ONU, especialmente do Conselho de Segurança. O grupo reafirmou a necessidade de dar mais voz aos países da Ásia, África e América Latina em organizações internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

A criação de uma nova forma de cooperação global foi considerada essencial para enfrentar desafios como a crise climática, a saúde global e a governança da inteligência artificial. A reestruturação dessas organizações é vista como necessária para garantir uma distribuição mais justa do poder político e econômico no mundo.

Mauro Vieira, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, alertou que, sem mudanças importantes nas estruturas internacionais, será impossível lidar de maneira eficiente com os maiores desafios globais. Ele destacou que o Brics tem o potencial de ser um ator relevante em áreas como saúde, mudanças climáticas e inteligência artificial, coordenando ações concretas entre seus membros e buscando soluções que beneficiem não só os países do grupo, mas o mundo todo. Para isso, fortalecer o compromisso entre os membros e aumentar a colaboração em áreas-chave são passos fundamentais para garantir que o Brics seja um pilar de estabilidade e progresso global.

Leia também: Brics se reúne para defender multilateralismo na guerra comercial

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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