Pesquisadores de universidades brasileiras aparecem na edição de 2026 do Updated Science-Wide Author Databases of Standardized Citation Indicators (Base de Dados Atualizada de Indicadores Padronizados de Citação Científica, em tradução literal), um ranking internacional que reúne cientistas cujos trabalhos recebem citações no meio acadêmico.
Publicado em 7 de outubro pela editora científica Elsevier, o levantamento segue uma metodologia desenvolvida por pesquisadores ligados à Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e utiliza dados da plataforma Scopus.

Entre as instituições representadas estão a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e universidades federais de diferentes regiões. A seleção considera as citações recebidas durante 2025 e também apresenta uma lista voltada à repercussão acumulada ao longo da carreira.
Como é feito o ranking internacional?
A base utiliza informações da Scopus, plataforma que reúne publicações acadêmicas e dados sobre as citações recebidas por artigos científicos. Na edição de 2026, são considerados tanto os registros acumulados até o fim de 2025 quanto os referentes especificamente àquele ano, com dados coletados em 1º de agosto de 2026.
A metodologia combina diferentes indicadores para avaliar o alcance da produção acadêmica. Entre eles estão o número de citações dos trabalhos, o índice h, que relaciona a quantidade de artigos publicados por um pesquisador ao número de citações que eles recebem, e medidas que levam em conta a quantidade de coautores e a posição do cientista na autoria dos estudos. Os dados são reunidos em uma pontuação chamada c-score, usada para organizar os resultados.
O levantamento contempla 22 grandes áreas e 174 subáreas do conhecimento, permitindo comparar pesquisadores que atuam em diferentes campos científicos. A base também estabelece critérios de inclusão relacionados à posição dos autores nessa pontuação, considerando cientistas entre os 100 mil com maiores resultados ou que alcançam uma colocação igual ou superior ao percentil de 2% em sua subárea.
A publicação apresenta duas categorias. A primeira considera o impacto acumulado durante a carreira, enquanto a segunda se concentra nas citações recebidas em um único ano. Como um mesmo cientista pode aparecer nas duas listas, os números precisam ser analisados separadamente ou somados com o desconto das pessoas que se repetem.
Embora ajudem a observar a repercussão de estudos e publicações, os indicadores não representam uma avaliação completa da qualidade da pesquisa. A quantidade de citações é uma das formas de medir o alcance de um trabalho, mas não contempla, isoladamente, todos os aspectos de sua contribuição científica.
Universidades brasileiras têm representantes nas listas
A USP reúne 284 pesquisadores na categoria de impacto anual. Quando são consideradas também as pessoas incluídas na lista de carreira, a instituição soma 397 nomes diferentes, dos quais 154 aparecem nas duas categorias.
A Unicamp contabiliza 188 pesquisadores distintos nas listas de carreira e anual. Desse total, 99 estão na primeira categoria e 105 na segunda, com 16 nomes em comum. Na lista referente a 2025, a Unesp aparece com 87 representantes, enquanto a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) reúne 64.
A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) contam com 63 pesquisadores cada na categoria anual. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) também aparecem nessa relação, com 35 nomes cada.
A presença dessas instituições mostra a participação de universidades e centros públicos de pesquisa brasileiros em diferentes áreas do conhecimento. Os totais, porém, refletem apenas os critérios e os períodos definidos pelo levantamento e não devem ser interpretados como uma classificação geral da qualidade das instituições.
O que a presença na lista indica?
A inclusão no ranking aponta que os trabalhos dos pesquisadores alcançaram os critérios de impacto bibliométrico adotados pela base. Esse tipo de análise é utilizado para acompanhar a circulação do conhecimento científico e identificar publicações que recebem atenção de outros autores em suas respectivas áreas.
As citações ocorrem quando um estudo é mencionado como referência em outro trabalho acadêmico. Elas podem indicar que uma pesquisa foi utilizada para fundamentar novas investigações, discutir resultados ou desenvolver métodos. A frequência dessas referências, contudo, varia conforme a área, o tamanho da comunidade científica e os hábitos de publicação.
Por isso, a comparação entre pesquisadores de campos diferentes exige cuidado. Algumas áreas produzem mais artigos e concentram comunidades maiores de autores, enquanto outras têm ritmos de publicação e citação distintos. A metodologia do ranking reúne indicadores para organizar os resultados, mas a interpretação da contribuição de cada estudo depende também de seu conteúdo e de seu contexto científico.
A edição de 2026 oferece um panorama da repercussão da produção acadêmica com base em dados de citações. Para as instituições brasileiras, a presença nas listas registra o alcance de parte de suas pesquisas segundo os critérios definidos pelo levantamento, sem substituir outras formas de avaliar o desenvolvimento científico do país.


