Nova York, uma das cidades mais visitadas do mundo, deve enfrentar um ano desafiador em 2025. A previsão de visitantes internacionais caiu drasticamente: a cidade espera receber 12,1 milhões de turistas estrangeiros neste ano, uma queda de 17% em relação à estimativa anterior de 14,6 milhões divulgados em dezembro de 2024.
Isso representa uma redução de aproximadamente 2,5 milhões de visitantes. O impacto econômico dessa diminuição pode ser significativo, especialmente em setores como hotelaria, alimentação e comércio.

Segundo relatório da New York City Tourism and Conventions, a agência oficial de turismo da cidade, as políticas do ex-presidente Donald Trump, que voltou à presidência neste ano, estão entre os principais fatores da retração.
Tarifas comerciais elevadas, endurecimento nas políticas de imigração e o aumento das detenções de estrangeiros geraram um ambiente de insegurança e desincentivo, especialmente para turistas de países historicamente ligados aos Estados Unidos, como Canadá e Reino Unido.
Impacto financeiro direto após queda de turismo em Nova York
Em 2024, os visitantes internacionais gastaram aproximadamente US$ 23 bilhões, valor equivalente a R$ 130 bilhões (com base na cotação do dólar em R$ 5,65). Esse montante representa uma fatia essencial da economia local, especialmente no cenário de recuperação após os anos críticos da pandemia. Vale lembrar que turistas estrangeiros tendem a permanecer mais tempo e gastar mais do que os visitantes domésticos, o que acentua os prejuízos com a queda prevista para este ano.
No total, Nova York deve receber 64,1 milhões de visitantes em 2025, somando turistas domésticos e estrangeiros. O número também é menor do que os 67,6 milhões estimados anteriormente. A projeção de viajantes domésticos também foi revista para baixo, de 53 milhões para 52 milhões.
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Canadá e Reino Unido puxam queda
Os turistas vindos do Canadá, um dos principais mercados emissores para Nova York, já demonstram sinais de retração. Entre janeiro e abril de 2025, cerca de 900 mil canadenses visitaram a cidade por via aérea — uma queda de 7% em relação ao mesmo período de 2024. Outros países afetados por tensões diplomáticas e políticas tarifárias também podem seguir esse caminho.
De acordo com Glenn Hollister, vice-presidente de estratégia e vendas da United Airlines, o sentimento global em relação às políticas do governo americano tem influenciado diretamente na demanda por passagens e pacotes turísticos. “Há uma percepção de insegurança e hostilidade em relação a estrangeiros, o que naturalmente desestimula o turismo”, afirma.
Reação do mercado e alternativas
Especialistas em turismo e economia urbana apontam que a retração exige ação imediata por parte das autoridades locais. “A diminuição do fluxo de turistas internacionais tem efeitos reais sobre o emprego, a arrecadação de impostos e o comércio de serviços na cidade”, afirma Adam Sacks, presidente da consultoria Tourism Economics. Para ele, é preciso fortalecer ações de comunicação e reverter a imagem negativa que parte do mundo está associando aos Estados Unidos.
Na Califórnia, por exemplo, as autoridades estaduais já anunciaram uma campanha internacional para reforçar o estado como um destino “amigável e aberto ao mundo”. Nova York ainda não divulgou medidas semelhantes, mas a expectativa é que o setor privado pressione por ações promocionais mais contundentes, incluindo incentivos fiscais para agências de viagem, campanhas publicitárias e eventos internacionais.
Contexto global e projeções
A queda no turismo não é um fenômeno isolado de Nova York. Dados do National Travel and Tourism Office mostram que o número de visitantes estrangeiros nos Estados Unidos caiu 2,4% em fevereiro e 11,6% em março, em comparação com os mesmos meses do ano anterior. Essa tendência de retração também está relacionada às tarifas de importação que aumentam os custos de viagens e às políticas que dificultam a obtenção de vistos.
Para os próximos meses, se mantida a atual política federal, analistas projetam uma possível perda acumulada de até US$ 90 bilhões (cerca de R$ 508,5 bilhões) para o setor de turismo nos Estados Unidos até o final de 2025, conforme previsão do Goldman Sachs.
Reflexos no Brasil
Para o turista brasileiro, o momento pode ser interpretado como uma oportunidade. Com menos demanda, é possível encontrar passagens mais baratas e promoções em hotéis e atrações turísticas. Contudo, o câmbio continua sendo um fator limitante: com o dólar na casa dos R$ 5,65, viajar para os EUA continua caro para grande parte da população.
Além disso, a sensação de insegurança quanto à recepção de estrangeiros nos Estados Unidos tem levado muitos brasileiros a considerarem destinos alternativos, como Europa e América Latina. O setor de turismo receptivo brasileiro, inclusive, pode se beneficiar da imagem mais acolhedora que o país mantém internacionalmente.
A queda no turismo em Nova York revela um retrato claro de como políticas públicas podem influenciar diretamente setores econômicos estratégicos. O desafio da cidade será reverter essa tendência e se manter como um destino globalmente desejado, mesmo em um cenário político interno adverso.
*Entrevista concedida ao InfoMoney


