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Bancos alertam clientes sobre riscos em transferir dinheiro para as bets

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A influenciadora digital Virgínia Fonseca, que soma mais de 50 milhões de seguidores nas redes sociais, prestou depoimento nesta terça-feira, 13 de maio, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Apostas Esportivas, no Senado Federal. Convocada como testemunha, ela foi ouvida sobre sua atuação publicitária junto a plataformas de apostas online e o possível estímulo ao jogo, inclusive entre menores de idade.

Com o crescimento expressivo do mercado de apostas esportivas no Brasil, instituições financeiras têm adotado medidas para alertar e proteger seus clientes dos riscos associados a transações com essas plataformas, conhecidas como “bets”. Essas ações acontecem em paralelo ao trabalho da CPI, que investiga tanto as empresas do setor quanto o papel de influenciadores na promoção das apostas.

Bancos alertam clientes sobre riscos financeiros nas bets
A CPI das Bets foi criada para investigar a atuação de influenciadores e possíveis irregularidades em contratos de apostas |Foto: Reprodução/ Lula Marques/Agência Brasil

Durante o depoimento, Virgínia negou que incentive o público a apostar como forma de obter retorno financeiro e afirmou que suas ações seguem as diretrizes do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Ela declarou: “Nunca disse que era uma forma de fazer o dinheiro da vida”.

A preocupação das autoridades, no entanto, vai além da atuação de influenciadores. Dados apresentados pelo secretário-executivo do Banco Central (BC), Rogério Lucca, mostram que os valores movimentados nas plataformas cresceram significativamente. Desde a regulamentação em vigor no início de 2025, o BC revisou suas estimativas e agora calcula que entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês sejam direcionados a apostas online — superando a projeção anterior.

Nesse cenário, bancos brasileiros têm adotado diferentes estratégias para minimizar os riscos para os clientes. O Nubank, por exemplo, passou a exibir alertas quando identifica chaves Pix associadas a casas de apostas. A notificação adverte que, embora alguns desses jogos sejam legalizados, não há garantias de ganho, incentivando o uso consciente do dinheiro.

O Bradesco também utiliza notificações para alertar sobre os riscos, afirmando que “apostas não garantem retorno financeiro” e sugerindo cautela com a saúde financeira do cliente. Já o Banco do Brasil foca na educação financeira: clientes que realizam transferências frequentes para plataformas de apostas recebem orientações sobre o uso responsável dos recursos.

O Itaú disponibilizou a função “Alerta Pix”, ativada em transações com sinais de golpe, fraude ou comportamento atípico. Embora não seja exclusiva para o setor de apostas, pode ser usada nesses casos com base nos critérios internos de risco. O C6 Bank, por sua vez, tem postura mais restritiva: proíbe o uso de cartão de crédito e cheque especial em operações com casas de apostas e bloqueia transferências quando o cliente está no negativo.

Diante desse cenário, especialistas em finanças pessoais defendem uma regulamentação mais firme e campanhas educativas sobre os impactos das apostas, que podem comprometer o orçamento familiar. A combinação entre fácil acesso às plataformas e a intensa divulgação por influenciadores nas redes sociais tem atraído um público cada vez maior em busca de lucros rápidos — comportamento que acende o alerta entre autoridades públicas e o setor bancário.

O que Virgínia disse na CPI?

A CPI das Bets foi instaurada para investigar a atuação de influenciadores na promoção de jogos de azar e eventuais irregularidades contratuais. Um dos pontos centrais foi a análise do contrato da influenciadora com a plataforma Esportes da Sorte.

Virgínia afirmou que não há irregularidades em suas campanhas e que sempre alertou o público sobre os riscos, reforçando que menores de idade não podem acessar essas plataformas. Disse ainda que suas ações publicitárias foram conduzidas dentro das normas do Conar e que nunca promoveu as apostas como forma segura de obter lucro.

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), relatora da comissão, questionou se a influenciadora recebia comissão proporcional às perdas dos usuários — prática informalmente apelidada de “cláusula da desgraça”. Virgínia negou e explicou que havia, no contrato, uma cláusula de bonificação com previsão de até 30% de aumento no cachê, caso dobrasse os lucros da empresa. Segundo ela, a meta nunca foi atingida.

“Esse valor nunca foi atingido. Nunca recebi um real a mais do que o previsto no contrato”, afirmou. Também explicou que as apostas feitas nos vídeos promocionais eram realizadas em contas fornecidas pelas próprias plataformas, criadas apenas para gravações. “Não é uma conta fake, mas feita para eu jogar durante a publicidade”, pontuou.

Ao ser questionada sobre o impacto social da publicidade voltada às apostas, Virgínia disse não se arrepender das campanhas, mas se mostrou aberta à reflexão. “Eu não me arrependo de absolutamente nada do que já fiz na minha vida. Acredito que tudo serviu de ensinamento. Vou chegar em casa e pensar, pode ter certeza”, declarou. Reconheceu, no entanto, que não tem como arcar com eventuais consequências financeiras enfrentadas por seguidores: “Eu não tenho poder de fazer nada. Então, aí, tá complicado”.

A CPI deve seguir nas próximas semanas com depoimentos de outras personalidades e representantes das plataformas. O objetivo dos parlamentares é compreender os mecanismos de remuneração e publicidade do setor e propor ajustes na legislação para regulamentar o mercado de apostas no Brasil.

Leia mais: Virgínia Fonseca é convocada para depor na CPI das Bets: entenda o caso

Sobre o autor Thaline Silva

Natural de Belém do Pará, formada em Geografia pela UFPA, graduanda em Jornalismo pela Estácio e roteirista com pós-graduação em Cinema

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