Já reparou como ainda tem muita gente no mundo corporativo tratando o “desenvolvimento comunitário” como se fosse obra de caridade estratégica? Um gesto nobre, bonito de postar no LinkedIn… mas que pouco se conecta com a essência do negócio.
Enquanto isso, tem gente com os dois pés no território — e a cabeça no futuro — mostrando que investir em comunidades é, sim, uma decisão de inteligência empresarial. Não só porque melhora indicadores ESG (Environmental, Social, and Governance, que em português se traduz por Ambiental, Social e Governança) ou atrai investidores com fome de impacto, mas porque é nas bordas do sistema que surgem as soluções mais ousadas, adaptáveis e inovadoras.

No Congresso Nacional de ESG deste ano, debatemos justamente isso: como deixar de apenas fazer por e passar a fazer com — e por que isso é tão urgente quanto estratégico.
Por décadas, empresas se aproximaram de comunidades como quem entrega uma cesta básica e posa para a foto. Hoje, o jogo virou — e a régua subiu. A pergunta deixou de ser “quanto você doa?” e passou a ser “como você se relaciona com quem está no entorno do seu negócio?”.
Fazer com é mais lento, exige escuta, flexibilidade, presença. Mas é também o que gera inovação de base, confiança de longo prazo e impacto que reverbera para além do marketing. É sobre criar valor compartilhado — onde a comunidade não é beneficiária, mas coautora de soluções que transformam realidades.
E não, isso não é utopia
Segundo o relatório Edelman Trust Barometer 2024, 71% das pessoas esperam que as empresas tomem a frente na solução de problemas sociais. E mais: 63% dizem que comprariam (ou deixariam de comprar) produtos com base no posicionamento da marca em relação a temas como desigualdade, meio ambiente e justiça social.
Na prática, empresas que atuam genuinamente nos territórios não só ampliam sua licença social para operar — como também acessam insights valiosos para seus produtos, serviços e estratégias de futuro.
O fio condutor? Todas estão indo além da filantropia: estão cocriando soluções com as comunidades e assumindo a corresponsabilidade pelo futuro.
A pergunta que fica…
Se desenvolvimento comunitário e transformação social geram reputação, inovação, engajamento interno e externo, impacto ambiental positivo e resultados financeiros… então por que ainda são vistos como “extra”?
O que falta para colocarmos as comunidades no centro da estratégia — e não apenas no rodapé do relatório de sustentabilidade? Transformar não é mais uma questão de caridade. É de visão. E, no fim do dia, quem não vê isso está atrasado — tanto na agenda ESG quanto na conversa com o mundo.


