Piracicaba deu um importante passo na manhã desta sexta-feira, 30 de maio, ao reunir autoridades, especialistas e representantes de diversas entidades para debater o futuro do município como uma cidade inteligente. O encontro, promovido pelo Fórum de Inovação, Ciência e Tecnologia da Câmara Municipal, é coordenado pela vereadora Rai de Almeida (PT) e buscou discutir estratégias para implementar tecnologia e inovação no cotidiano da cidade, visando sempre a melhoria da qualidade de vida da população.
O evento contou com a presença de Fabrício Campos, vice-presidente da ATEPI (Associação das Empresas de Tecnologia e Informação) e integrante da TINSPIRA, entidade responsável pela gestão da Cadeira Produtiva Local (CPL).
Fabrício apresentou a palestra “Cidades inteligentes: tecnologia e inovação a serviço da vida urbana”, em que destacou a importância de entender que, mais do que adotar tecnologias de ponta, cidades inteligentes são aquelas que colocam o bem-estar do cidadão no centro das decisões.

Tecnologia é meio, e não fim
Fabrício explicou que há quatro pilares fundamentais para transformar uma cidade em inteligente: o social, que prioriza o cidadão como protagonista; o de gestão, que envolve o poder público e lideranças estratégicas; o tecnológico, que oferece as ferramentas para essa transformação; e o de sustentabilidade, para garantir que todas as ações estejam alinhadas à preservação do meio ambiente.
“A tecnologia é um mecanismo das cidades inteligentes, mas há outros temas importantes, como gestão e sustentabilidade, que exigem a participação de diversos atores. O objetivo final é sempre a melhoria da vida do cidadão”, reforçou Fabrício.
Segundo o palestrante, o processo de transformação deve começar com um diagnóstico, para identificar os desafios e oportunidades; depois, uma comparação com outras cidades ou com modelos estabelecidos; e, finalmente, a elaboração de um plano de ação que priorize e viabilize soluções concretas.
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Referências e recursos já existem
Fabrício também destacou que o Governo Federal disponibiliza um guia com referências sobre cidades inteligentes, oferecendo um passo a passo detalhado para que os municípios possam estruturar seus próprios projetos. “Dados e estrutura já estão à disposição. O que falta é conectar o que há em Piracicaba e fazer acontecer”, apontou.
Atualmente, algumas cidades brasileiras já trilham esse caminho, como Curitiba (PR) e São José dos Campos (SP), que investem em mobilidade inteligente, iluminação pública eficiente e gestão participativa. Essas referências podem ajudar Piracicaba a acelerar seu processo.
Engajamento do poder público é fundamental
A vereadora Rai de Almeida enfatizou a necessidade de expandir o debate para outras instâncias da cidade e de envolver diretamente o poder público e os gestores municipais. “Sem o envolvimento do poder público, dos gestores do município, é difícil fazer acontecer. É fundamental que esta pauta ganhe espaço na agenda política e administrativa de Piracicaba”, afirmou.
Entre os encaminhamentos discutidos durante a reunião, está a proposta de realizar um grande evento sobre cidades inteligentes em Piracicaba, com o objetivo de ampliar a participação de conselhos municipais, entidades de classe e outros setores importantes da sociedade.
O papel do inventário e do planejamento estratégico
Mário Camargo, assessor parlamentar da vereadora Rai, sugeriu que seja feito um inventário para mapear todas as iniciativas que já estão em andamento na cidade relacionadas ao tema. A ideia é criar uma base de informações que facilite o planejamento estratégico, evitando esforços duplicados e potencializando ações que já mostram resultados positivos.
Participação plural fortalece o debate
O encontro contou com representantes de várias instituições, como Mônica Rossi, do CENA/USP; Eliton Claus, da Prefeitura de Piracicaba; a arquiteta e urbanista Melissa de Angelis; Rafael Sanson, da FUMEP; Fábio Gerlach, gerente do Sebrae Piracicaba; Vitor Pires Vencovsky, do Conselho Municipal de Ciência; além de parlamentares e representantes do Senai.
Essa diversidade de atores é fundamental para garantir que o conceito de cidade inteligente não fique restrito a soluções tecnológicas isoladas, mas que seja uma política pública abrangente, capaz de impactar áreas como mobilidade urbana, segurança, saúde, educação e desenvolvimento econômico.


