O Dia dos Namorados 2025, comemorado nesta quinta-feira, 12 de junho, promete aquecer o comércio com mais otimismo em relação ao ano passado. Segundo uma pesquisa realizada pela Serasa, metade dos consumidores brasileiros pretende gastar entre R$ 101 e R$ 300 na data. O levantamento indica uma aceleração no ticket médio em relação a 2024, quando 52% dos entrevistados afirmaram que não passariam dos R$ 200.
Ainda assim, o sentimento é de cautela. Embora 21% das pessoas pretendam investir mais no presente deste ano, 44% afirmam que vão gastar o mesmo que em 2024, enquanto 23% estão decididos a reduzir os gastos. O motivo principal? O bolso apertado.
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Gastos com limites claros
Os dados da Serasa revelam que, mesmo com o romantismo da data, o consumidor está calculando bem antes de abrir a carteira. Cerca de 41% dos entrevistados disseram que pretendem comprometer, no máximo, 10% da renda mensal com o presente. Já 53% confirmaram que vão pesquisar preços e promoções antes de concluir a compra, demonstrando um comportamento mais racional.
O foco principal dos presentes este ano recai sobre roupas e perfumes — itens tradicionalmente populares — seguidos de lembranças simbólicas e chocolates. Ou seja, produtos que unem valor emocional e custo acessível. Essa tendência está alinhada ao comportamento de quem busca equilibrar demonstrações de carinho com responsabilidade financeira.
Finanças: um tema delicado no amor
O cuidado com os gastos reflete uma realidade mais profunda: as finanças continuam sendo um tema sensível dentro dos relacionamentos. A pesquisa da Serasa mostra que 53% dos brasileiros apontam o dinheiro como o principal motivo de brigas entre casais. E mais: decisões financeiras impulsivas são apontadas como o tipo mais comum de atrito.
Patrícia Camillo, gerente da Serasa, explicou em entrevista a CNN que o ideal é que os casais discutam abertamente sobre suas expectativas e limites financeiros. “Alinhar expectativas com o parceiro e investir em lembranças simbólicas, feitas com afeto e dentro do orçamento, pode ter um valor ainda maior”, afirma.
Ela ressalta que o segredo de um relacionamento saudável está no diálogo, em metas compartilhadas e no respeito à realidade financeira de cada um. Para muitos brasileiros, essa visão já é uma realidade: 93% dos entrevistados dizem preferir um parceiro que saiba economizar e pense no futuro financeiro a dois.
Impacto do dia dos namorados no varejo
O Dia dos Namorados é uma das datas mais importantes para o comércio brasileiro. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a expectativa é de que a data movimente cerca de R$ 2,5 bilhões neste ano, considerando lojas físicas e e-commerce. Esse montante representa um leve crescimento em relação aos R$ 2,4 bilhões estimados em 2024.
Mesmo que os valores individuais não sejam altos, o volume de consumidores celebrando a data contribui para aquecer setores como vestuário, cosméticos, alimentos e eletrônicos. Para os lojistas, o desafio está em criar promoções atrativas e estratégias de venda que respeitem os limites financeiros dos clientes, mas mantenham o desejo de consumo ativo.
Compras conscientes em alta
Outro aspecto que chama atenção é o crescimento da consciência financeira. As campanhas de educação financeira e o aumento da digitalização — com aplicativos de controle de gastos, cashback e comparadores de preços — ajudam os consumidores a tomarem decisões mais informadas.
E para quem quer inovar sem extrapolar o orçamento, as alternativas criativas ganham espaço. Jantares feitos em casa, presentes personalizados e até experiências simples, como piqueniques ou trilhas, entram na lista dos casais que priorizam conexão afetiva ao invés de altos gastos.
Amor com planejamento cabe no bolso
Celebrar o amor não precisa, nem deve, virar motivo de dívida. A pesquisa da Serasa mostra que é possível viver o Dia dos Namorados de forma marcante mesmo com orçamento limitado. Em tempos de inflação controlada, mas com renda ainda pressionada, planejar os gastos e escolher com consciência pode evitar frustrações futuras.
A lição é clara: quando o assunto é presente, o sentimento pesa mais que o preço. E o romantismo moderno, ao que tudo indica, caminha lado a lado com a saúde financeira.


