Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Fundação Getulio Vargas (FGV) lançaram o Bike SP, um projeto piloto que vai pagar créditos de transporte para quem usar a bicicleta como meio de locomoção na cidade de São Paulo.
A iniciativa busca colocar em prática a Lei Municipal n.º 16.547, de 2016, que prevê recompensar financeiramente os ciclistas urbanos por meio de um aplicativo que rastreia deslocamentos feitos sobre duas rodas.
Essa proposta foi criada por especialistas do Instituto de Matemática e Estatística da USP (IME-USP) e da FGV Cidades, um grupo da Fundação Getulio Vargas que estuda soluções para melhorar as cidades. O principal objetivo do estudo é incentivar o uso da bicicleta como transporte diário e, ao mesmo tempo, coletar informações reais sobre os trajetos feitos por ciclistas na cidade.
Além disso, o projeto vai testar se essa ideia pode funcionar na prática, tanto do ponto de vista técnico (com a tecnologia funcionando corretamente), quanto econômico (se é financeiramente viável) e social (se será bem aceita e útil para as pessoas).

Apesar de ter sido aprovada em 2016, ainda na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), a Lei 16.547 nunca foi colocada em funcionamento. Ela determina que quem usar a bicicleta para se locomover possa receber um valor em créditos no Bilhete Único — o cartão que permite pagar passagens de ônibus, metrô e trem em São Paulo.
Com esse projeto piloto, os pesquisadores querem finalmente testar a aplicação da lei de forma controlada, para que a Prefeitura possa analisar se vale a pena colocar a medida em prática de forma oficial no futuro.
O funcionamento do programa será possível por meio de um aplicativo desenvolvido pelo IME-USP. Esse aplicativo, que só está disponível para celulares com sistema Android (usado na maioria dos aparelhos que não são da Apple), identifica os deslocamentos dos participantes em tempo real. Isso significa que ele registra de onde a pessoa saiu, para onde foi, quantos quilômetros pedalou e qual meio de transporte usou.
Com base nessas informações, o sistema vai calcular um valor e depositar créditos diretamente no Bilhete Único da pessoa.
Para participar, é necessário ter mais de 18 anos, morar na cidade de São Paulo, ter uma bicicleta e possuir um Bilhete Único ativo. As inscrições estão abertas até o dia 30 de junho e o estudo pretende contar com até mil pessoas. Quem for selecionado receberá um convite por e-mail com as instruções para instalar o aplicativo e começar a registrar seus trajetos.
Segundo os responsáveis pelo projeto, apenas as duas primeiras viagens de bicicleta feitas por dia serão recompensadas. Cada uma dessas viagens precisa ter no mínimo 1 quilômetro e no máximo 8 quilômetros para que seja considerada válida. Isso foi pensado para evitar que pequenos passeios sejam incluídos, já que o objetivo é incentivar o uso da bicicleta para deslocamentos reais, como ir ao trabalho, à escola ou ao mercado.
O valor do crédito que será dado por trajeto ainda não foi divulgado, pois vai depender do perfil de cada ciclista e dos dados coletados ao longo do projeto. Os pesquisadores explicam que a ideia é beneficiar quem realmente usa a bicicleta como transporte, não apenas em momentos de lazer ou passeio.


