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Haja coração: os jovens estão judiando do principal órgão do sistema cardiovascular

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Junho, mês dos namorados e, para os católicos, momento de celebrar Santo Antônio, o casamenteiro. Ora bolas, então escolhi a hora exata para falar de coração — mas sem romantizar. Muito pelo contrário: serei arauta de notícias nada animadoras.

Doenças do coração aumentam em 180% as internações de pacientes com menos de 40 anos | Foto: Reprodução/Canva
Doenças do coração aumentam em 180% as internações de pacientes com menos de 40 anos | Foto: Reprodução/Canva

O infarto, até então considerado pelos especialistas uma doença restrita aos mais velhos, agora tem outro alvo: pessoas com menos de 40 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, houve um aumento de 180% no número de internações de pacientes nessa faixa etária.

E por quê? Com a palavra, o cardiologista Sergio Pontes, coordenador do Programa de Residência em Cardiologia da Santa Casa de Juiz de Fora (MG): “A obesidade e o sedentarismo são marcadores crescentes do mundo contemporâneo, em que os facilitadores eletrônicos e multiprocessados induzem a uma vida restrita às telas dos celulares e à alimentação industrializada”, analisa o médico.

Soma-se a esses fatores a predisposição genética, que leva a doenças como a ateromatose (placas de gordura e cálcio no interior das artérias) precoce e suas consequências cardiovasculares.

Agora, pasmem: parece que está rolando entre os jovens a “Síndrome de Adônis” — o deus da beleza. “O culto excessivo ao corpo, os novos padrões de beleza e desempenho físico, a busca de níveis hormonais suprafisiológicos têm aumentado o uso de esteroides anabolizantes. A prática obcecada de esportes de alta performance, com demasiado estresse orgânico e inflamatório endotelial, está levando a lesões vasculares e eventos cardiológicos como infarto, acidente vascular encefálico e insuficiência cardíaca”, alerta o cardiologista.

Traçando o perfil do jovem que corre risco de infarto

Eles optam por uma alimentação multiprocessada (refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, macarrão instantâneo, cereais matinais, molhos prontos, refeições congeladas, carnes processadas e por aí vai), que pode levar à obesidade. Aliada ao sedentarismo, ao tabagismo (não vamos esquecer dos vapes ou cigarros eletrônicos) e ao uso excessivo de anabolizantes, essa combinação representa um retrato da realidade atual e contribui para o aumento de doenças cardiovasculares como o infarto agudo do miocárdio.

Ouvi do cardiologista que um infarto em um indivíduo jovem tende a ser mais drástico e agudo, porque ainda não houve tempo para adaptação orgânica e formação de circulações colaterais — a maneira como o corpo contorna bloqueios no fluxo sanguíneo.

As estatísticas mostram que o cenário está piorando. É crescente e alarmante a predisposição ao infarto em populações mais jovens. A possibilidade de reversão está diretamente ligada ao estilo de vida e às práticas de saúde preventiva coletivas, que podem melhorar a vida de um grupo de pessoas por meio de ações direcionadas à população em geral.

Se cada um fizesse a sua parte

O Sistema Único de Saúde gasta mais de R$ 1 bilhão anualmente com procedimentos cardiovasculares. Mesmo assim, milhares de pessoas morrem todos os anos no Brasil.

Um documento divulgado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia informa que a Doença Arterial Coronariana (DAC) ocupa o primeiro lugar no ranking das mais fatais no Brasil, seguida do AVC (Acidente Vascular Cerebral).

Na definição do Dr. Sergio Pontes, a doença arterial coronariana é silenciosa e traiçoeira. Tem sintomas tardios que, em geral, aparecem quando já há mais de 50% de obstrução da luz vascular — estreitamento ou bloqueio do espaço por onde o sangue deveria circular.

Atenção aos principais sintomas

Dor torácica, principalmente quando desencadeada por esforço físico. Essa dor pode irradiar para a região cervical, dorsal, mandíbula e abdômen superior. Além disso, dispneia (falta de ar), perda de capacidade física, sintomas digestivos altos e dores ortopédicas na coluna cervical e torácica devem ser observados em pacientes com fatores de risco conhecidos.

Oito passos para se distanciar do infarto

Os especialistas apontam enfaticamente oito medidas preventivas clássicas: combate à má alimentação, à obesidade, ao tabagismo, à hipertensão, à diabetes, ao hipercolesterol, ao sedentarismo e aos distúrbios do sono.

Eu diria: siga esses oito passos e, com certeza, você poderá viver mais e melhor. Para os jovens, fica o conselho da Tia Livia: nem sempre o famigerado espelho é seu melhor amigo. O que ele reflete pode não ser a sua real imagem — e isso pode te levar à morte.

Acho que namorar é melhor que infartar. E, se quiser, pede um empurrãozinho a Santo Antônio!

Sobre o autor Livia Calmon

Jornalista com passagens pelas redações da TV Globo — São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais e Bahia —, da TV Record SP, Band SP e revista IstoÉ Gente. Produtora de Conteúdo de Campanhas Políticas e estudiosa da área da saúde

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