O aplicativo de entregas iFood anunciou nesta quarta-feira, 11 de junho, um novo pacote de benefícios voltado para os entregadores que atuam na plataforma. A principal novidade é o pagamento de bônus que pode chegar a até R$ 3 mil. A medida vem menos de dois meses após a empresa reajustar os valores pagos por entrega.
O anúncio acontece logo depois do Rappi – outro aplicativo do setor – também lançar um pacote de vantagens para os entregadores. As mudanças mostram que a disputa entre os aplicativos de entrega de comida está ficando mais intensa no Brasil, com empresas tentando conquistar tanto consumidores quanto trabalhadores.
O pacote anunciado pelo iFood tem três pontos principais. O primeiro é a isenção de taxa para antecipar pagamentos: atualmente, os entregadores recebem semanalmente, mas agora poderão pedir o adiantamento do valor das corridas sem pagar nenhuma tarifa por isso.

A segunda novidade é a possibilidade de escolher as rotas. A partir de agosto, os entregadores poderão indicar as regiões onde preferem trabalhar. Isso pode beneficiar quem busca atuar perto de casa ou em áreas mais seguras. A funcionalidade será testada antes de ser liberada para todos os usuários da plataforma.
Por fim, o iFood anunciou um bônus de até R$ 3 mil. Esse valor será pago aos entregadores com alta quantidade de corridas e boas avaliações por parte dos clientes. A empresa ainda não detalhou como esse bônus será calculado, mas afirmou que a ideia é premiar os profissionais mais ativos e bem avaliados.
Em abril deste ano, o iFood já havia feito um reajuste no valor pago por entrega. Para quem trabalha de bicicleta, o valor passou de R$ 6,50 para R$ 7,00 por corrida – um aumento de 7,7%. Já os motociclistas tiveram um aumento de 15,4%, passando de R$ 6,50 para R$ 7,50. Os entregadores também ganham adicionais quando fazem mais de uma entrega na mesma rota ou quando percorrem distâncias maiores.
Hoje, o iFood afirma ter cerca de 760 mil entregadores cadastrados em sua plataforma no Brasil.
iFood enfrenta novos concorrentes
Mesmo sendo o principal nome do setor de entrega de comida pronta no país, com cerca de 80% de participação no mercado, o iFood está enfrentando uma nova fase de concorrência.
Em abril, a 99Food – controlada pela chinesa Didi – anunciou que vai investir R$ 1 bilhão para voltar a operar no Brasil, após encerrar suas atividades em 2023.
Pouco depois, o Rappi também revelou um plano de investimento de R$ 1,4 bilhão para os próximos três anos. A meta é crescer no setor de entregas de refeições, ampliando sua presença nas principais cidades do país.
E em maio, uma nova gigante chinesa desembarcou no Brasil. A Meituan, considerada uma das líderes globais no segmento de delivery, anunciou um investimento de R$ 5,6 bilhões para iniciar e expandir suas operações por aqui.
Para atrair restaurantes e clientes, empresas como Rappi e 99Food estão oferecendo taxa zero para os estabelecimentos parceiros. Com isso, os donos de restaurantes pagam menos para vender pelos aplicativos – o que pode refletir também em preços mais baixos para os consumidores.
Além disso, o Rappi também lançou novas vantagens para os entregadores. Desde 30 de maio, as corridas feitas entre sexta-feira, às 18h, e segunda-feira, às 11h, passaram a pagar uma taxa mínima de R$ 10 – antes, o valor era de R$ 7. Isso representa um aumento de quase 43% na remuneração durante os fins de semana e madrugadas.
Com a chegada de novos concorrentes e o aumento da disputa por entregadores, a expectativa é que os trabalhadores tenham mais opções e, possivelmente, melhores condições de trabalho e pagamento. O cenário mostra que os entregadores, muitas vezes invisíveis no dia a dia, estão se tornando peça-chave nesse mercado bilionário de delivery.