A partir de 1º de junho de 2025, o iFood fará um reajuste no pagamento mínimo por entrega realizado aos seus entregadores parceiros. A plataforma de delivery, uma das maiores da América Latina, anunciou que os valores pagos por entrega terão aumento tanto para os profissionais que usam automóveis e motos quanto para os que utilizam bicicletas. A medida também inclui a ampliação de coberturas no seguro pessoal gratuito oferecido aos entregadores, como forma de reconhecer as demandas da categoria.

Segundo comunicado divulgado nesta terça-feira, 29 de abril, o pagamento mínimo passará de R$ 6,50 para R$ 7,50 para entregadores de carro e moto — um reajuste de 15,4%. Para quem realiza entregas de bicicleta, o valor sobe de R$ 6,50 para R$ 7, o que representa um aumento de 7,7%. O reajuste será aplicado automaticamente nas corridas realizadas a partir da data estipulada, sem necessidade de solicitação.
Além do pagamento mínimo, os entregadores continuam recebendo valores adicionais por quilômetro rodado e por cada entrega extra feita na mesma rota. A empresa ressalta que esses ganhos variam conforme a localidade e o tipo de operação.
Entregadores de bicicleta terão rotas padronizadas
Desde janeiro, o iFood já havia implementado mudanças específicas para entregadores que utilizam bicicleta. Agora, as rotas feitas por esses trabalhadores terão, em média, até quatro quilômetros — distância que pode variar dependendo das características regionais e da oferta de restaurantes e clientes em cada cidade.
A intenção da empresa é padronizar trajetos para tornar a operação mais previsível e segura. Segundo o iFood, a escolha pela distância média busca equilibrar o tempo de deslocamento e os ganhos do entregador, especialmente em regiões metropolitanas com alta densidade de pedidos.
Leia também: Entregadores do iFood entram em greve por melhores condições e aumento da taxa mínima
Seguro pessoal será mais abrangente
Outro ponto positivo para os trabalhadores é a ampliação do seguro pessoal oferecido gratuitamente desde 2019 a todos os entregadores ativos na plataforma. O novo pacote de proteção agora cobre até 30 dias de afastamento por Incapacidade Temporária (DIT) — antes, o limite era de sete dias.
Além disso, o valor pago em caso de morte ou invalidez pode chegar a até R$ 120 mil. O seguro também cobre despesas médicas e hospitalares em rede credenciada, auxílio-funeral, apoio emocional e assistência financeira para as famílias, incluindo suporte à educação dos filhos até os 18 anos.
O benefício pode ser solicitado pelo próprio entregador ou por um familiar, diretamente pelo aplicativo, site do iFood ou pelo telefone 0800 725 2144. “Estamos sempre ouvindo nossos entregadores e buscando entender suas necessidades para oferecer soluções reais. Este novo pacote é resultado direto desse diálogo”, afirmou Johnny Borges, Diretor de Impacto Social do iFood, em entrevista a CNN.
Movimentos de entregadores do iFood consideram valor ainda insuficiente
Apesar das melhorias anunciadas, representantes da categoria de entregadores avaliam que o reajuste ainda está aquém do ideal. Em abril, o movimento “Breque dos APPs”, liderado por entregadores em São Paulo, organizou uma paralisação nacional reivindicando um pagamento mínimo de R$ 10 por entrega e R$ 2,50 por quilômetro rodado.
Outras exigências do movimento incluem o limite de até 3 quilômetros para entregas feitas de bicicleta e o fim do agrupamento de múltiplas corridas sem compensação proporcional no valor pago.
Mesmo diante da mobilização, o iFood não indicou planos de atender a essas demandas no curto prazo. No entanto, a empresa defende que está aberta ao diálogo e que já implementou avanços relevantes. “Nosso compromisso é continuar evoluindo com base nas necessidades dos nossos parceiros”, diz Borges.
O impacto financeiro dos reajustes
Embora o aumento de R$ 1,00 por entrega possa parecer pequeno em valores absolutos, o impacto na renda mensal do entregador pode ser expressivo, especialmente para quem realiza muitas entregas por dia. Por exemplo, um entregador de moto que realiza 25 entregas por dia pode ter um acréscimo de R$ 25 por jornada. Em 22 dias úteis no mês, isso representaria um ganho adicional de R$ 550, sem contar os adicionais por quilometragem.
No caso dos entregadores de bicicleta, o aumento é de R$ 0,50 por corrida. Para quem realiza 20 entregas por dia, o acréscimo mensal seria de R$ 220.
As mudanças anunciadas pelo iFood representam um avanço no reconhecimento das demandas dos entregadores, especialmente em relação à segurança e previsibilidade dos ganhos. No entanto, o cenário ainda é de tensão com parte da categoria, que considera os valores propostos insuficientes diante dos custos operacionais e da carga de trabalho.
O debate sobre as condições dos trabalhadores de aplicativo segue em pauta, exigindo equilíbrio entre a sustentabilidade do modelo de negócio e a valorização de quem está na linha de frente das entregas.


