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Por que o sonho da aposentadoria virou pesadelo para os baby boomers?

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Durante décadas, a aposentadoria foi vendida como o merecido descanso após anos de trabalho duro. Mas, para milhões de baby boomers ao redor do mundo — nascidos entre 1946 e 1964 — essa promessa tem se transformado em um pesadelo. Seja nos Estados Unidos, no Reino Unido ou até mesmo no Brasil, muitos estão adiando ou até revertendo a aposentadoria, voltando ao mercado de trabalho por necessidade financeira.

Conforme dados do Pew Research Center, o número de americanos com 65 anos ou mais que continuam trabalhando quadruplicou desde os anos 1980. Atualmente, cerca de 20% dessa população — aproximadamente 11 milhões de pessoas — ainda estão ativamente empregadas.

O caso dos baby boomers é um alerta para as próximas gerações. O sonho de se aposentar aos 60 e viver confortavelmente está cada vez mais distante sem planejamento | Foto: Reprodução/Canva

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O caso dos baby boomers é um alerta para as próximas gerações. O sonho de se aposentar aos 60 e viver confortavelmente está cada vez mais distante sem planejamento | Foto: Reprodução/Canva

No Reino Unido, o cenário é semelhante: quase 20% dos baby boomers e da Geração X tardia estão “desaposentando” ou pretendem fazê-lo, pois suas reservas não dão conta do padrão de vida desejado.

E o problema não é exclusivo de países desenvolvidos. No Brasil, segundo levantamento do IBGE, a população com mais de 60 anos representa quase 15% da força de trabalho — e a tendência é de crescimento. A combinação de maior expectativa de vida, inflação crescente e baixos índices de poupança é um coquetel perigoso que ameaça a estabilidade financeira de milhões de idosos.

Viver mais custa caro

Uma das principais razões para esse movimento é o aumento da longevidade. Viver mais é uma conquista, mas também significa precisar de mais dinheiro para cobrir despesas com saúde, moradia, alimentação e lazer por mais tempo. Muitos boomers também enfrentam o chamado “efeito sanduíche”: cuidam dos pais idosos ao mesmo tempo em que ainda ajudam filhos adultos da Geração Z a se estabelecerem na vida.

Leia também: Brasil avança, mas segue longe da igualdade de gênero

Além disso, o cenário econômico atual impôs obstáculos inesperados. A inflação global corroeu o poder de compra de muitas famílias, e o retorno dos investimentos tradicionais — como caderneta de poupança e previdência privada — nem sempre acompanhou esse ritmo. No Brasil, por exemplo, a caderneta rendeu cerca de 6% ao ano em 2024, enquanto a inflação acumulada ficou próxima de 4,6%, o que gera pouco ganho real.

O caso da Alemanha e o incentivo precoce

Diante desse desafio geracional, alguns países já estão olhando para o futuro. Um exemplo é a Alemanha, que anunciou um programa de “pensão de início precoce” para crianças de 6 a 18 anos. O governo vai depositar mensalmente 10 euros (cerca de R$ 57) por criança, totalizando mais de 1.440 euros (aproximadamente R$ 8.280) ao longo de 12 anos.

Embora pareça pouco, esse valor se multiplicado ao longo das décadas com o juro composto, pode representar uma base sólida para a aposentadoria. Aos 18 anos, os jovens alemães poderão fazer aportes próprios nas contas, com isenção de impostos sobre os rendimentos, acessando o montante apenas aos 67 anos — idade mínima de aposentadoria no país.

A lição: começar cedo faz toda a diferença

A importância de começar a economizar cedo é uma das principais lições para evitar o mesmo destino dos boomers. A especialista em finanças Suze Orman usou um exemplo simples: se alguém investir US$ 100 por mês dos 25 aos 65 anos, com rendimento médio de 12% ao ano, poderá acumular cerca de US$ 1,18 milhão (aproximadamente R$ 6,2 milhões).

Se o mesmo investimento começar apenas cinco anos depois, aos 30 anos, o montante final cairá para US$ 649 mil (R$ 3,4 milhões). Isso demonstra o impacto real do tempo sobre o crescimento de patrimônio — algo que os baby boomers não souberam, ou puderam, aproveitar em sua juventude.

No Brasil, o que fazer?

Apesar de não termos ainda uma política pública como a da Alemanha, há alternativas acessíveis no Brasil. Produtos como Tesouro Direto, fundos de previdência privada com taxas mais baixas e até contas digitais com rendimento automático acima da poupança podem ser bons começos para jovens que desejam evitar depender do INSS no futuro.

O Tesouro IPCA+, por exemplo, oferece proteção contra a inflação e pode render cerca de 6% ao ano acima da variação do IPCA. Isso equivale a um retorno anual total em torno de 10%, bem próximo ao exemplo de Suze Orman.

Para quem já está próximo da aposentadoria, o ideal é buscar orientação profissional para diversificar investimentos e, se possível, reduzir o custo de vida. Muitos brasileiros têm recorrido ao trabalho informal, ao empreendedorismo ou a atividades como consultoria para complementar a renda.

O futuro das aposentadorias

O caso dos baby boomers é um alerta para as próximas gerações. O sonho de se aposentar aos 60 e viver confortavelmente está cada vez mais distante sem planejamento. A mudança começa na educação financeira — algo que, felizmente, já começa a ser discutido em escolas e em políticas públicas.

Se o juro composto é o “oitavo milagre do mundo”, como dizia Einstein, o tempo é seu aliado mais poderoso. Quanto antes se começa a poupar e investir, maiores são as chances de viver a aposentadoria como um tempo de descanso — e não de trabalho.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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