O Brasil subiu duas posições no ranking global de diferença de gênero, divulgado nesta quarta-feira, 12 de junho, pelo Fórum Econômico Mundial (FEM). Apesar da melhora, o país ainda ocupa apenas o 72º lugar entre 146 nações avaliadas, ficando atrás de diversos países latino-americanos como Argentina, Barbados, Belize e Bolívia.
O relatório, intitulado Global Gender Gap Report 2025, aponta que a paridade geral de gênero no Brasil passou de 71,6% em 2024 para 72% em 2025. A porcentagem representa o quanto as mulheres estão próximas da igualdade com os homens em quatro áreas: participação econômica, educação, saúde e empoderamento político.
Avanços em ondas, mas desafios persistem
Segundo o levantamento, o Brasil viveu duas ondas de progresso na equidade de gênero. A primeira, entre 2006 e o início da década de 2010, foi puxada principalmente por avanços na participação econômica das mulheres, que passou de 60,4% para cerca de 65%. Nesse período, o país viu uma maior inserção feminina no mercado de trabalho, embora ainda com desigualdades salariais.
A segunda onda começou em 2022, quando o país apresentou melhora no índice de empoderamento político. Em 2023, a participação feminina em cargos ministeriais saltou de cerca de 10% para mais de 50%, resultado de nomeações estratégicas no governo federal. O número foi mantido em 2025, segundo o Fórum.
Por outro lado, o índice de paridade educacional, que já era elevado, avançou pouco. Ele passou de 97,2% em 2006 para mais de 99% desde 2008, mostrando que a educação deixou de ser a principal barreira de gênero no Brasil. Agora, os desafios estão concentrados em renda, oportunidades profissionais e presença em cargos de liderança.
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Diferença de gênero no mercado de trabalho
Mesmo com os avanços, a desigualdade salarial entre homens e mulheres ainda é marcante. Dados do IBGE de 2023 mostram que as mulheres ganham, em média, 78% do salário dos homens. Em números, enquanto os homens recebem R$ 3.346 por mês, as mulheres recebem R$ 2.609, uma diferença de R$ 737 mensais.
Além disso, o Brasil tem apenas 4% das cadeiras de presidência de empresas ocupadas por mulheres, conforme levantamento da consultoria Bain & Company em 2024. A sub-representação em cargos executivos revela como ainda existe um teto de vidro dificultando o avanço das mulheres na hierarquia corporativa.
Comparativo entre Brasil e outros países da América Latina
Na América Latina e Caribe, o Brasil ocupa a 5ª posição em termos de equidade de gênero, atrás de:
- Argentina
- Barbados
- Belize
- Bolívia
A Argentina, por exemplo, está no 37º lugar no ranking global. Já Barbados aparece na 29ª posição, com destaque para políticas públicas voltadas à participação feminina no governo e à licença parental mais igualitária.
Islândia lidera, Paquistão está entre os últimos
No topo do ranking global está a Islândia, seguida por Finlândia e Noruega, países conhecidos por políticas robustas de bem-estar social e igualdade de oportunidades. Os últimos colocados são Chade, Sudão e Paquistão, onde as mulheres enfrentam severas restrições de acesso à educação e ao mercado de trabalho.
Representatividade política: um marco recente
A representação política das mulheres no Brasil deu um salto importante recentemente. Atualmente, 9 dos 37 ministérios do governo federal são comandados por mulheres, o que representa 24% do total, segundo dados da Casa Civil (junho de 2025). O número representa um avanço, mas ainda está distante da paridade ideal.
Além disso, o Congresso Nacional ainda é majoritariamente masculino. Na atual legislatura (2023–2027), apenas 17,7% das cadeiras da Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres e 13% no Senado Federal, segundo o TSE.
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Igualdade de gênero: uma questão econômica
Economistas e organismos internacionais reforçam que a equidade de gênero é um motor de desenvolvimento econômico. Segundo o relatório Women, Business and the Law 2024, do Banco Mundial, eliminar barreiras legais e estruturais à participação das mulheres pode aumentar o PIB per capita global em até 20%.
No Brasil, um estudo da consultoria McKinsey estima que a equidade de gênero no mercado de trabalho poderia adicionar R$ 850 bilhões ao PIB nacional até 2030, caso fossem criadas condições para a plena participação feminina em todos os setores da economia.
Caminhos para o futuro
Apesar dos avanços em alguns indicadores, o Brasil ainda tem muito a caminhar para alcançar igualdade de gênero plena. Investimentos em políticas públicas voltadas para mulheres, como licença-maternidade ampliada, creches públicas, incentivo ao empreendedorismo feminino e combate à violência de gênero, são passos fundamentais.
O próprio Fórum Econômico Mundial estima que, no ritmo atual, o mundo levará 131 anos para atingir paridade total de gênero. No caso do Brasil, sem ações estruturais, esse prazo pode ser ainda maior.


