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Como funciona o sistema de segurança de Israel?

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Com uma geografia marcada por conflitos e tensões regionais constantes, Israel desenvolveu uma das arquiteturas de segurança civil mais complexas e eficientes do mundo. O país combina bunkers residenciais, tecnologia de alerta precoce, sirenes em hebraico e sistemas antimísseis de última geração para proteger sua população, mesmo sob ataques frequentes.

Atualmente, Israel conta com cerca de 1,5 milhão de abrigos obrigatórios, número confirmado pelo jornal israelense Haaretz. Esses bunkers fazem parte da infraestrutura civil do país e são exigidos por lei em construções novas desde os anos 1990, após a Guerra do Golfo. A exigência se aplica a casas, prédios residenciais e até escolas e hospitais.

Sistema de defesa aérea Patriot durante um treinamento nos arredores de Constanta, na Romênia | Foto: Reprodução/Flickr/Daniel MIHAILESCU
Sistema de defesa aérea Patriot durante um treinamento nos arredores de Constanta, na Romênia | Foto: Reprodução/Flickr/Daniel MIHAILESCU

Bunkers: abrigo obrigatório e acessível

A Home Front Command, braço das Forças de Defesa de Israel (IDF), é a responsável por coordenar o sistema de defesa civil. A principal recomendação da entidade é que cada residência conte com uma sala de segurança reforçada, conhecida como “mamad” — um quarto de concreto armado com portas e janelas vedadas, resistente a explosões e com sistema de ventilação independente.

Estima-se que mais de 60% da população israelense tenha acesso direto a esses abrigos privados ou públicos. Nas áreas mais próximas da Faixa de Gaza, como Sderot, o tempo entre o acionamento das sirenes e a chegada de um míssil pode ser inferior a 15 segundos. Por isso, a proximidade e acessibilidade dos bunkers são vitais.

Sirenes e alertas em hebraico e outros idiomas

O sistema de alerta israelense é coordenado por radares e sensores capazes de identificar lançamentos de foguetes em tempo real. Assim que a ameaça é detectada, a População recebe alertas por sirenes, mensagens SMS, rádio, televisão e aplicativos de celular.

As sirenes, tradicionalmente emitidas em hebraico, foram adaptadas para contemplar também árabe e inglês, principalmente em regiões de alta densidade turística ou com minorias étnicas. Além disso, o aplicativo Red Alert, muito usado pelos israelenses, envia notificações em tempo real sobre a localização e a intensidade do ataque.

Em cidades maiores, como Tel Aviv ou Jerusalém, os moradores têm entre 60 a 90 segundos para buscar abrigo. Já nas cidades ao sul, o tempo é bem menor — em alguns casos, como na cidade de Ashkelon, chega a 20 segundos.

Cúpula de Ferro: escudo antimíssil de Israel

O sistema mais conhecido da defesa israelense é a Cúpula de Ferro (Iron Dome), desenvolvido em parceria com os Estados Unidos. Com custo estimado em cerca de US$ 50 mil por míssil interceptado, o equivalente a R$ 270 mil, o sistema é capaz de interceptar projéteis de curto alcance com precisão superior a 90%, segundo dados da empresa Rafael Advanced Defense Systems, fabricante do sistema.

A tecnologia rastreia a trajetória dos foguetes e, se identificar que eles vão atingir uma área urbana ou estratégica, lança automaticamente um míssil interceptador. Se o foguete for projetado para cair em área desabitada, o sistema não responde, economizando recursos.

Estudos da RAND Corporation, uma organização de pesquisa dos EUA, apontam que o sistema da Cúpula de Ferro já interceptou mais de 5 mil foguetes desde sua implantação em 2011.

Investimento pesado e constante

O orçamento de defesa de Israel é um dos mais altos proporcionalmente do mundo. Em 2023, segundo o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), o país destinou US$ 23,4 bilhões (cerca de R$ 126 bilhões) para defesa, o que representa mais de 4% do PIB nacional.

Boa parte desse investimento é destinada a sistemas de vigilância, manutenção da Cúpula de Ferro e desenvolvimento de novas tecnologias de defesa — como o David’s Sling (Estilingue de Davi), voltado para ameaças de médio alcance, e o Arrow (Flecha), para mísseis balísticos.

Além disso, o país conta com o apoio militar e financeiro dos Estados Unidos, que fornecem recursos anuais — em 2023, foram US$ 3,8 bilhões (aproximadamente R$ 20,5 bilhões), conforme informações do Departamento de Estado dos EUA.

Leia também: Espaço aéreo de Israel é fechado após ataques ao Irã; entenda

Treinamento da população e cultura de prontidão

Outro diferencial da segurança civil israelense é a cultura de preparação. Desde cedo, crianças aprendem nas escolas como agir durante um ataque. Simulações são realizadas com frequência e a Home Front Command mantém um cronograma nacional de treinamentos.

Além disso, existem campanhas de conscientização sobre como montar um kit de emergência, contendo água potável, alimentos não perecíveis, lanternas, rádio e documentos. O governo também oferece instruções online e cartilhas com orientações específicas para cada região.

Proteção, mas com custo psicológico

Embora altamente eficaz, o sistema de segurança de Israel não elimina o impacto psicológico dos ataques. A população vive em alerta constante, e especialmente nas cidades mais vulneráveis, como as próximas à Faixa de Gaza, o estresse pós-traumático é comum.

Segundo a organização Israel Trauma Coalition, 70% das crianças da região sul apresentam sinais de ansiedade, medo crônico e dificuldades de sono. O governo oferece apoio psicológico gratuito por meio de centros de atendimento espalhados pelo país.

Com um modelo de defesa civil robusto, Israel mostra como a combinação de tecnologia, investimento e mobilização social pode proteger uma população mesmo em cenários de risco extremo. Ainda assim, a segurança física nem sempre é sinônimo de bem-estar emocional — e a paz, mais do que qualquer sistema, continua sendo o maior desejo dos israelenses.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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