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Canetas emagrecedoras podem movimentar R$ 110 bilhões até 2035

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O mercado de canetas emagrecedoras no Brasil, na China e na Índia pode passar dos atuais R$ 33 bilhões para R$ 110 bilhões até 2035, segundo estimativa do banco de investimentos J.P. Morgan. O crescimento projetado é de mais de três vezes e deve ser impulsionado pela redução dos preços e pela ampliação do acesso aos tratamentos, que ainda são pouco utilizados nesses países.

Canetas emagrecedoras podem movimentar R$ 110 bilhões até 2035
A projeção considera medicamentos como Ozempic e Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk, e Zepbound, da Eli Lilly | Foto: Reprodução / Wikimedia

Esses produtos pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1, que imitam a ação de um hormônio envolvido no controle do açúcar no sangue e na redução do apetite. Os remédios são utilizados no tratamento do diabetes e, em determinadas situações, da obesidade.

De acordo com os analistas do J.P. Morgan liderados por Yang Huang, o mercado dos três países deve crescer, em média, 15% ao ano até 2035. A estimativa leva em conta o grande número de pessoas com diabetes e obesidade nessas populações, além das mudanças que podem tornar os tratamentos mais acessíveis.

Preços menores podem ampliar o acesso às canetas emagrecedoras

Apesar do potencial de crescimento, o uso das canetas de GLP-1 ainda é restrito em países emergentes, principalmente pelo custo dos tratamentos. Segundo o levantamento do J.P. Morgan, menos de 0,1% da população chinesa e menos de 0,2% da população indiana utilizam medicamentos dessa classe.

Nos Estados Unidos, a proporção fica entre 4% e 5%, uma diferença que indica o espaço para ampliar o acesso aos tratamentos nos três mercados analisados. No Brasil, que atualmente lidera entre os países considerados, a expectativa é que, até 2035, apenas 7% a 8% da população com obesidade utilize medicamentos para tratar a doença. Nos Estados Unidos, a projeção chega a cerca de 30%.

O banco aponta que a expiração de patentes, a entrada de medicamentos genéricos e as reduções de preços promovidas por políticas públicas podem facilitar o acesso. Os genéricos são medicamentos que contêm o mesmo princípio ativo de um produto de referência cuja patente expirou.

Com tratamentos mais baratos, uma parcela maior da população poderá ter condições de utilizá-los. Esse movimento é considerado um dos principais fatores para a expansão prevista do mercado até 2035.

China pode superar o Brasil até 2027

Embora o Brasil seja atualmente o maior mercado entre os três países, o J.P. Morgan estima que a China assuma a liderança até 2027. A previsão é que o mercado chinês alcance US$ 13,7 bilhões, o equivalente a R$ 68,5 bilhões, em 2035. No Brasil, a projeção é de US$ 8 bilhões, cerca de R$ 40 bilhões.

O crescimento chinês deve ser favorecido pelo grande número de pessoas com diabetes e pela ampliação da cobertura dos tratamentos com GLP-1. Segundo o banco, essa expansão pode reduzir os gastos dos pacientes e contribuir para aumentar o acesso aos medicamentos.

A China e a Índia estão entre os países com as maiores populações de pessoas com diabetes do mundo. De acordo com os dados apresentados pelo J.P. Morgan, elas concentram, respectivamente, mais de 25% e 15% dos casos diagnosticados globalmente. No Brasil, cerca de 12% dos adultos têm a doença.

O avanço da obesidade também contribui para as perspectivas de crescimento. Na China, a parcela da população com sobrepeso ou obesidade pode ultrapassar 65% até 2030. Na Índia, a previsão é que a taxa de obesidade entre adultos chegue a 11% até 2035.

Índia enfrenta barreiras para ampliar o mercado

A Índia é atualmente o menor mercado de medicamentos para emagrecer entre os três países analisados. Segundo o J.P. Morgan, os preços elevados, a resistência ao uso de medicamentos injetáveis e mudanças culturais mais lentas em relação a esses tratamentos estão entre os obstáculos à expansão.

Mesmo com essas barreiras, o país integra a projeção de crescimento do setor até 2035, impulsionada pelo tamanho de sua população e pela presença de um grande número de pessoas com diabetes.

O banco também identificou empresas que, em sua avaliação, podem se beneficiar da expansão desse mercado. Entre elas estão a chinesa Innovent, as indianas Divi’s Laboratories e Torrent Pharmaceuticals e a brasileira RD Saúde, dona das redes de farmácias Raia e Drogasil.

A expectativa de crescimento, portanto, está ligada tanto à demanda por tratamentos para diabetes e obesidade quanto à possibilidade de reduzir os custos para os pacientes. Para o J.P. Morgan, a combinação desses fatores pode ampliar o uso dos medicamentos e levar o mercado dos três países a movimentar R$ 110 bilhões até 2035.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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