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Amazônia receberá R$ 10 milhões para pesquisas sustentáveis

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O Instituto Clima e Sociedade (iCS), em parceria com o Bezos Earth Fund, lançou um edital que destina R$ 10 milhões para financiar pesquisas que ajudem a desenvolver modelos de economia sustentável na Amazônia. A iniciativa visa incentivar a produção de conhecimento que possa embasar políticas públicas e privadas que conciliem preservação ambiental e crescimento econômico na região.

O edital está com inscrições abertas até o dia 27 de junho de 2025 e vai selecionar até 15 projetos, que receberão valores entre R$ 300 mil e R$ 2,5 milhões cada, a depender da proposta apresentada. Os recursos são voltados a universidades, centros de pesquisa e instituições da administração pública, desde que tenham sede na Amazônia Legal e atuem com pesquisa científica, inovação ou desenvolvimento de políticas.

Pesquisas financiadas para economia sustentável na Amazônia
O Bezos Earth Fund foi criado por Jeff Bezos para distribuir doações com foco em combater as mudanças climáticas e proteger a natureza | Foto: Reprodução / Canva

Projetos devem influenciar políticas públicas e privadas

A seleção das propostas vai considerar quatro critérios principais: compatibilidade com a conservação da floresta, potencial de influenciar políticas públicas e privadas, aplicabilidade prática dos resultados e incentivo à participação de pesquisadores em início de carreira.

Entre os temas de interesse estão modelos de uso sustentável da terra, cadeias produtivas de baixo impacto, instrumentos econômicos para valorização da floresta em pé, mecanismos de financiamento verde e propostas de governança ambiental que considerem o papel de comunidades locais e povos indígenas.

A pesquisa deve acontecer, prioritariamente, na região amazônica brasileira, mas é possível incluir colaborações com outros países da Pan-Amazônia, desde que o foco principal permaneça no território nacional. Para garantir a diversidade de abordagens, o edital permite inscrições de projetos interdisciplinares, com equipes formadas por pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento.

Além do apoio financeiro, os selecionados terão acesso a redes de especialistas e poderão participar de encontros organizados pelo iCS e parceiros para compartilhar resultados e experiências. A intenção é criar um ambiente de colaboração que gere impacto prático nas decisões de governos e empresas atuantes na Amazônia.

Foco em soluções locais e fortalecimento científico da região

A iniciativa surge em um momento estratégico para o Brasil, que sediará a COP30, conferência do clima da ONU, em Belém (PA), em novembro de 2025. O evento deverá colocar a Amazônia no centro das discussões globais sobre meio ambiente, e o edital é visto como uma oportunidade de fortalecer a produção científica regional antes da conferência.

Apesar da importância ecológica da floresta amazônica, a região ainda carece de dados sistematizados sobre suas economias locais, seus potenciais de geração de renda sustentável e os impactos de políticas públicas sobre comunidades e ecossistemas. O edital busca ajudar a preencher essas lacunas com pesquisas orientadas à ação, que possam apoiar o planejamento territorial e o investimento responsável.

A falta de alternativas econômicas sustentáveis é uma das causas do desmatamento e da degradação ambiental na Amazônia. Ao investir em conhecimento, o iCS e o Bezos Earth Fund esperam contribuir para a construção de novos caminhos que conciliem conservação ambiental com oportunidades de trabalho, renda e inclusão social.

O incentivo à participação de jovens pesquisadores também é um dos destaques da chamada. Segundo os organizadores, formar novas lideranças científicas na região é essencial para garantir que o desenvolvimento regional seja conduzido por quem conhece de perto os desafios e as oportunidades do território. O edital quer fortalecer esse protagonismo, apoiando a geração de ideias que possam se transformar em soluções duradouras para a região.

As inscrições devem ser feitas por meio da plataforma do iCS, e o resultado dos projetos selecionados será divulgado ainda em 2025. A expectativa é que os estudos gerem impacto nos próximos anos e sirvam como base para políticas que valorizem a floresta em pé e as populações que nela vivem.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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