O Fundo Amazônia aprovou R$ 1,189 bilhão em projetos apenas no primeiro semestre de 2025, o maior valor desde sua criação, em 2008. A marca histórica foi anunciada na última segunda-feira, 16 de junho, durante a 33ª reunião do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), em Brasília, com a presença da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
O valor aprovado neste semestre supera todo o montante de 2024 e é o dobro do que foi autorizado em 2023. Após quatro anos de paralisação, o fundo foi retomado em 2023 e agora vive seu ciclo mais ativo.

No total, já são R$ 5,6 bilhões aprovados e R$ 2,7 bilhões pagos para iniciativas que protegem a floresta e promovem o desenvolvimento sustentável na região amazônica. Esses números demonstram não apenas o interesse crescente em projetos ambientais, mas também a confiança internacional na política ambiental brasileira, já que boa parte dos recursos vêm de doações de outros países, como Noruega, Alemanha e Estados Unidos.
Grandes projetos impulsionam Fundo Amazônia
Uma parte considerável desse avanço se deve à aprovação do projeto Fortfisc, que recebeu R$ 825 milhões. O objetivo é fortalecer a fiscalização ambiental por meio do Ibama, com modernização de sistemas, compra de equipamentos e reforço da estrutura para combater o desmatamento ilegal e os incêndios florestais. A expectativa é que a atuação em campo se torne mais rápida e eficiente, especialmente em áreas de difícil acesso e onde há maior pressão sobre os recursos naturais.
Outros R$ 360 milhões foram destinados a iniciativas que impactam diretamente a vida das populações locais. Os projetos incluem ações nas áreas de saúde indígena, merenda escolar, acesso à água potável e geração de renda para comunidades tradicionais. Também estão previstas parcerias com governos estaduais e organizações da sociedade civil que atuam diretamente na Amazônia Legal.
Segundo a ministra Marina Silva, o volume de recursos reflete uma política ambiental séria e eficiente, que une fiscalização, ciência e incentivos econômicos para preservar a floresta. Para ela, esse é um passo importante para que o Brasil cumpra suas metas ambientais e reduza significativamente o desmatamento nos próximos anos.
João Paulo Capobianco, secretário-executivo do ministério, destacou que o fundo está chegando a quem mais precisa, com foco em soluções estruturantes para os desafios atuais da Amazônia. Segundo ele, o apoio financeiro está priorizando projetos em áreas com maiores índices de desmatamento e vulnerabilidade social.
A gestão do fundo é feita pelo BNDES, que também comemora os resultados. Aloizio Mercadante, presidente do banco, afirmou que o novo ciclo do Fundo Amazônia é mais ágil e eficaz. Segundo ele, os projetos aprovados fortalecem políticas públicas e têm impacto direto nas comunidades que vivem na região.
Tereza Campello, diretora socioambiental do BNDES, ressaltou que as iniciativas ajudam a melhorar a qualidade de vida das pessoas e promovem a transição de modelos predatórios para práticas cooperativas e sustentáveis. Ela também afirmou que o fundo tem buscado ampliar sua capilaridade, chegando a localidades mais isoladas e com menos acesso a políticas públicas.
Nova fase para a política ambiental
A retomada do Fundo Amazônia representa mais do que um avanço nos números. Ela mostra uma mudança na forma como o Brasil está lidando com a preservação ambiental. Além de fiscalizar, o governo busca apoiar quem vive da floresta e precisa de alternativas sustentáveis para manter o território preservado.
Com recursos mais bem direcionados e agilidade na aprovação dos projetos, o fundo se consolida como peça-chave na estratégia de combate ao desmatamento e na promoção de um modelo de desenvolvimento que respeita a floresta e seus povos. Isso inclui a valorização dos saberes tradicionais, o fortalecimento da agricultura familiar e a ampliação do acesso à educação ambiental nas comunidades.
Essa nova fase reforça o compromisso do Brasil com a agenda climática e com os acordos internacionais que visam conter o aquecimento global. A Amazônia, maior floresta tropical do planeta, é um dos principais ativos ambientais do mundo — e iniciativas como essa mostram que é possível protegê-la com ações concretas, bem planejadas e com impacto real na vida das pessoas.


