Cerca de 27,5 milhões de brasileiros sofrem de fobia social, também conhecida como transtorno de ansiedade social, segundo estudos de universidades federais, como a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O número corresponde a aproximadamente 13% da população do país.
O tema ganhou repercussão após o influenciador Felca publicar um vídeo sobre o transtorno e experiências traumáticas relacionadas ao bullying, na madrugada entre segunda-feira, 19 de outubro.
Nas 24 horas seguintes à publicação, as buscas por informações sobre fobia social dispararam no Google. De acordo com o Google Trends, as pesquisas relacionadas ao tema atingiram o maior nível registrado para um assunto específico no Brasil em mais de 20 anos. Entre os termos mais procurados, “O que é fobia social” registrou aumento de 2.050%.

Parte dos seguidores esperava um pronunciamento sobre as eleições de 2026 ou uma nova denúncia, mas o influenciador abordou a fobia social e os traumas relacionados ao bullying. Entre as dúvidas mais pesquisadas pelo público estavam a possibilidade de tratamento, a relação entre fobia social e ansiedade social e a diferença entre o transtorno e o comportamento antissocial.
Após a repercussão, o Super Finanças procurou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que explicou como a rede pública atende pessoas com fobia social e anunciou a criação de um serviço de teleatendimento em saúde mental pelo Meu SUS Digital. Segundo ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acompanhamento para diferentes transtornos mentais, inclusive por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e, em alguns casos, das unidades básicas de saúde.
“A rede de atenção psicossocial cuida de todos os transtornos mentais, inclusive da fobia social, que impacta muito e leva a sofrimento mental para as pessoas”, afirmou Padilha.
Alexandre Padilha anuncia teleatendimento em saúde mental
O ministro destacou o crescimento da procura por atendimento e explicou que o acompanhamento não precisa ocorrer exclusivamente nos CAPS. Algumas unidades básicas de saúde também podem oferecer esse tipo de serviço, enquanto o Ministério da Saúde trabalha na criação de uma alternativa remota.
“É um número crescente de atendimentos. Agora, além das pessoas terem que ir até um CAPS, às vezes, na própria unidade de base de saúde pode ter esse tipo de atendimento. Estamos criando, através do meu SUS digital, um teleatendimento de saúde mental.”
Padilha explicou que a proposta considera as dificuldades de quem não encontra serviços de saúde próximos de casa. O novo formato, segundo ele, permitirá consultas a distância com psicólogos e psiquiatras por meio do Meu SUS Digital.
“Porque muita gente tem dificuldade e, às vezes, não encontra um CAPS perto, não encontra a clínica de família, ou a unidade de base de saúde perto. A gente está oferecendo, através do meu SUS digital, a possibilidade de as pessoas fazerem o teleatendimento com psicólogos, com psiquiatras.”
Durante a entrevista, o ministro não informou quando o serviço começará a funcionar nem detalhou como será feito o acesso às consultas. A iniciativa foi apresentada como uma medida em desenvolvimento, sem data definida para o início dos atendimentos.
Saúde mental também envolve familiares de pessoas com vício em apostas
Além da fobia social, Padilha mencionou outras situações de sofrimento mental que podem demandar atendimento público, como o vício em apostas, a violência contra mulheres e a insegurança. Ele também ressaltou que familiares de pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas podem precisar de acompanhamento.
“O tratamento é tanto para a situação do vício de Bets, que é algo gravíssimo de sofrimento mental, quanto mulheres vítimas de violência, situação de insegurança, entre outros. Os familiares de pessoas que têm vícios de Bets também podem fazer um tratamento.”
Buscas sobre fobia social atingiram recorde após vídeo de Felca
Os dados do Google Trends mostram que a repercussão do vídeo também despertou interesse por outros assuntos. Nas 24 horas seguintes à publicação, a busca por “O que é arritmia cardíaca” cresceu 1.600%; “O que é sapoti”, 1.500%; “O que é tradwife”, 800%; e “O que é CIOT”, 350%.
Entre as principais perguntas sobre fobia social estavam “O Felca tem fobia social?”, “Fobia social e ansiedade social são a mesma coisa?”, “Tem tratamento para fobia social?” e “Qual é a diferença entre antissocial e fobia social?”.
O volume de pesquisas relacionadas ao transtorno alcançou o maior patamar registrado para um assunto específico no Brasil em mais de duas décadas, segundo os dados fornecidos. O tema ganhou visibilidade em um país onde, conforme os estudos citados, cerca de 27,5 milhões de pessoas convivem com a condição.


