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Intercâmbio travado: visto dos EUA afeta estudantes

A inesperada suspensão de entrevistas para a emissão de vistos de estudante pelos Estados Unidos impactou diretamente os planos de milhares de brasileiros que planejavam embarcar para fazer intercâmbio em universidades e escolas americanas ainda em 2025.

Desde o fim de maio, o governo norte-americano interrompeu os agendamentos para esse tipo de visto, travando a principal rota de intercâmbio educacional do mundo e gerando uma corrida por alternativas.

A medida, que afeta estudantes do mundo todo, congelou a venda de programas educacionais de longa duração com destino aos Estados Unidos. No Brasil, as maiores empresas do setor relatam picos de remanejamentos e cancelamentos de viagens.

Apesar da crise, a expectativa do setor é de que o volume total de embarques seja mantido ao longo de 2025, mas com novos destinos ganhando protagonismo | Foto: Reprodução/Canva

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Apesar da crise, a expectativa do setor é de que o volume total de embarques seja mantido ao longo de 2025, mas com novos destinos ganhando protagonismo | Foto: Reprodução/Canva

De acordo com Christina Bicalho, vice-presidente do Student Travel Bureau (STB), cerca de 700 alunos com embarque previsto para o segundo semestre deste ano estão com as viagens em suspenso, um contingente expressivo dentro dos 1.800 a 2.000 estudantes que a empresa previa enviar aos EUA em 2025.

“É de cortar o coração. Tem jovens que planejam isso há anos, já trancaram matrícula no Brasil, pagaram cursos e agora não conseguem nem agendar a entrevista no consulado”, afirma Christina em entrevista ao InfoMoney.

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Fim do sonho americano?

Entre os mais impactados estão estudantes que fariam high school, graduação ou pós-graduação nos Estados Unidos. Já os que fariam cursos curtos de inglês ainda têm a possibilidade de usar o visto de turismo em alguns casos.

O STB, assim como outras empresas do ramo, já suspendeu temporariamente as vendas de programas educacionais longos com destino aos EUA. Agora, os esforços se concentram em redirecionar os alunos para países como Canadá, Inglaterra, Austrália e Irlanda.

Esses países já vinham ganhando espaço no portfólio das agências, principalmente por custos mais acessíveis e menos burocracia. Segundo Christina, os Estados Unidos já representavam apenas 20% das vendas da STB antes mesmo da crise atual.

“O dólar alto e os custos com universidades americanas contribuíram para essa queda de interesse. Agora, essa crise acelera o movimento de diversificação de destinos”, diz a executiva.

Quanto custa fazer um intercâmbio?

Estudar nos Estados Unidos pode sair caro para o bolso do brasileiro. Um ano de faculdade pode custar entre US$ 25 mil e US$ 50 mil (o equivalente a aproximadamente R$ 133 mil a R$ 267 mil, considerando o dólar a R$ 5,35 em junho de 2025).

Em comparação, programas semelhantes no Canadá ou na Austrália custam entre CAD 15 mil e CAD 25 mil (R$ 60 mil a R$ 100 mil, considerando o dólar canadense a R$ 4), com vantagens como permissão para trabalhar durante o curso.

Esses números explicam por que tantos estudantes e famílias brasileiras estão reavaliando seus planos.

Impacto no setor de educação internacional

A crise dos vistos afeta não apenas os alunos, mas também todo o setor de intercâmbio, que vem crescendo cerca de 20% ao ano desde a pandemia. Agências menores, que dependem quase exclusivamente dos EUA como destino, enfrentam risco de queda nas receitas e dificuldade de adaptação rápida.

Além disso, universidades norte-americanas também sentem os efeitos. Muitas instituições, como Harvard, MIT e UCLA, dependem da receita dos estudantes internacionais para manter seus programas — e os brasileiros estão entre os 10 maiores grupos estrangeiros no país, segundo dados da NAFSA (Associação de Educadores Internacionais).

Em nota publicada no dia 18 de junho, o Departamento de Estado dos EUA informou que os agendamentos para vistos de estudante serão retomados, mas que haverá mudanças nos protocolos de análise, como o rastreamento de redes sociais e revisão da “pegada digital” dos candidatos.

A triagem mais rígida levanta preocupações quanto à privacidade e ao aumento do tempo de processamento, o que pode dificultar ainda mais a entrada de estudantes estrangeiros.

Destinos em alta

Diante da instabilidade no cenário americano, países como Canadá, Inglaterra e Austrália têm se mostrado mais atrativos. Veja alguns diferenciais:

  • Canadá: Ensino de alta qualidade, custo menor e vistos simplificados.
  • Inglaterra: Abertura rápida e universidades renomadas.
  • Austrália: Facilidade de visto e possibilidade de trabalho durante os estudos.
  • Irlanda e outros países europeus: Boa aceitação de brasileiros e experiências culturais variadas.

Em média, um semestre de estudos no Canadá pode custar cerca de CAD 10 mil (R$ 40 mil), enquanto na Austrália o valor médio gira em torno de AUD 12 mil (R$ 42 mil). A possibilidade de trabalhar legalmente durante o curso atrai ainda mais os brasileiros.

O que esperar daqui para frente?

Para muitas famílias, a confiança nas universidades americanas foi abalada. “Tem pais que chegam ao escritório e dizem: ‘qualquer país, menos os Estados Unidos’”, conta Christina.

Apesar da crise, a expectativa do setor é de que o volume total de embarques seja mantido ao longo de 2025, mas com novos destinos ganhando protagonismo.

A mensagem que fica é clara: em um mundo onde políticas migratórias mudam rapidamente, diversificar os destinos e se planejar com antecedência nunca foi tão necessário.

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