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Drake perde US$ 8 milhões em apostas esportivas

O rapper canadense Drake revelou ter perdido mais de US$ 8 milhões (cerca de R$ 43 milhões) em apostas esportivas nas últimas semanas. A declaração foi feita por meio de suas redes sociais, onde ele compartilhou valores feitos durante eventos esportivos internacionais. O caso reacende o debate sobre o crescimento das plataformas de apostas online e seu impacto social, especialmente no Brasil.

Drake, apostas milionárias e parceria com plataforma

O artista, que é um dos artistas mais populares do mundo, mantém desde 2020 uma parceria com a plataforma de apostas Stake.com. Ele atua como embaixador e coproprietário da empresa, recebendo, segundo estimativas de mercado, aproximadamente US$ 100 milhões por ano pelo contrato.

A relação do cantor com o site é conhecida por seu alto grau de exposição: Drake costuma divulgar valores de apostas, resultados e comentários sobre eventos esportivos em tempo real. Nas últimas semanas, o cantor publicou que apostou mais de US$ 125 milhões em partidas esportivas, incluindo jogos da NBA (liga americana de basquete), da NHL (liga de hóquei), da Indian Premier League (críquete) e outros campeonatos.

Drake apostas esportivas
Drake, artista canadense, mostra ganhos e perdas em bets esportivas | Foto: Reprodução / Instagram

Apesar de alguns ganhos pontuais, como um lucro de US$ 750 mil ao acertar o resultado de um jogo do time Royal Challengers Bengaluru, ele acumulou perdas que somam cerca de US$ 8,3 milhões no período.

Um dos maiores prejuízos veio com apostas feitas nas finais da NBA. Ele investiu US$ 800 mil na vitória de um dos times na sexta partida da série final, apostando ainda US$ 200 mil em um palpite específico sobre a diferença de pontos no resultado. Essas apostas não se concretizaram.

Mesmo após as perdas, o cantor continuou realizando apostas de alto valor e promovendo o site em suas redes. A exposição de suas atividades levou fãs e críticos a discutirem a influência do artista na normalização desse tipo de prática entre o público jovem.

Crescimento acelerado das apostas online no Brasil

O caso de Drake coincide com o crescimento das bets esportivas também no Brasil. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), realizado em junho de 2024, 38% da população brasileira já realizou alguma aposta esportiva online.

Do total de apostadores, 63% afirmaram que o hábito impacta diretamente o orçamento doméstico. A expansão do setor tem chamado a atenção da iniciativa privada e do poder público, especialmente pelos efeitos econômicos e sociais nas famílias de baixa renda.

O setor tem se mostrado altamente lucrativo. Até agosto de 2024, mais de 100 empresas manifestaram interesse em operar legalmente no Brasil, entre elas a Caixa Econômica Federal. Cada licença custa R$ 30 milhões, o que representa mais de R$ 3 bilhões em arrecadação potencial para os cofres públicos. Mesmo com a regulamentação existente desde 2018, a maioria das plataformas opera do exterior, o que dificulta a fiscalização e isenta essas empresas da tributação brasileira. A ausência de uma estrutura de regulação mais rígida gera incertezas quanto à proteção do consumidor e à responsabilidade social das operadoras.

De acordo com estimativas da consultoria Strategy& (do grupo PwC Brasil) e do Banco Itaú, as apostas esportivas movimentaram entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em 2023, com previsão de R$ 68,2 bilhões apenas no primeiro semestre de 2024.

Esse montante já representa 0,62% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, 0,95% do consumo total e 1,92% da massa salarial do país. Os pesquisadores alertam que esse volume pode comprometer significativamente outros setores, com perda de até R$ 117 bilhões anuais no comércio, especialmente em setores como vestuário, alimentação e serviços básicos.

Efeitos sociais e comportamento de consumo

O crescimento das apostas afeta de forma direta o orçamento das famílias, especialmente das classes D e E. Pesquisas de comportamento apontam que parte dos apostadores tem deixado de consumir produtos básicos para manter o hábito de jogar.

Um estudo da SBVC indica que 19% dos entrevistados reduziram o consumo de alimentos para continuar apostando, enquanto 14% diminuíram a compra de produtos de higiene e 10% deixaram de pagar contas de água, luz ou internet. Entre 2018 e 2023, o orçamento das famílias para roupas e calçados caiu de 3,5% para 3,1%, ao mesmo tempo em que os gastos com apostas subiram de 0,8% para 1,9%.

Embora o setor prometa arrecadação e formalização, os impactos econômicos e sociais levantam preocupações sobre o futuro das apostas online no país. Especialistas e entidades do setor varejista têm defendido a necessidade de uma regulação mais firme, que limite excessos e estabeleça regras claras para a publicidade, o controle de acesso e o uso de dados dos usuários.

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