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Como as bets têm afetado a vida de quem mora nas periferias?

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A possibilidade de conquistar quantias significativas em dinheiro, de forma rápida e com pouco esforço, tem se tornado cada vez mais sedutora e acessível. Embora as apostas façam parte do cotidiano de muitos brasileiros há décadas, como no caso das tradicionais loterias, o avanço das bets, ou apostas esportivas online, trouxe uma nova dinâmica a esse cenário, reforçando o crescimento do número de pessoas que “fazem uma fezinha” por meio da internet.

As bets são plataformas de apostas para prever resultados de eventos esportivos, principalmente partidas de futebol, por meio de sites e aplicativos especializados. Essa modalidade se popularizou rapidamente, impulsionada por influenciadores digitais e pela ampla divulgação nas redes sociais. A flexibilização das regras sobre apostas no país também contribuiu para a expansão desse mercado.

Impacto das bets nas periferias brasileiras
20% dos apostadores de bets citam ter sofrido apenas perdas | Foto: Reprodução/Canva

Apesar da promessa de ganhos rápidos, a prática apresenta riscos consideráveis. Especialistas em finanças e saúde mental alertam para o potencial de vício e endividamento. Segundo pesquisa da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), 38% da população já utiliza plataformas de apostas e 63% admitem gastar mais do que o planejado, comprometendo a renda mensal.

O cenário é ainda mais alarmante nas periferias. Dados do Instituto de Pesquisas Favela Diz mostram que 70% dos moradores de comunidades entrevistados participam de apostas esportivas pela internet. Desses, 45% apostam todos os dias e 63% afirmam que foram influenciados por propagandas para começarem a jogar.

O estudo também aponta que 39% dos apostadores gastam, em média, R$ 150 por mês, enquanto 30% chegam a aplicar até R$ 300. Esse setor movimentou mais de R$ 37 bilhões em um ano, o que representa cerca de R$ 3,1 bilhões por mês. A maioria dos usuários (86,5%) está na faixa etária de 18 a 34 anos, grupo geralmente mais conectado às tecnologias e suscetível às tendências digitais.

Esse envolvimento intenso pode levar a consequências sérias. Muitas pessoas acabam endividadas, o que afeta não apenas sua estabilidade financeira, mas também seu bem-estar emocional. Uma pesquisa realizada pela Serasa, em parceria com a Opinion Box, revela que mais de 40% dos inadimplentes já recorreram às plataformas na tentativa de quitar dívidas. Além disso, 57% daqueles que se endividaram após apostarem online só enfrentaram dificuldades financeiras depois de entrarem nesse universo.

Outros dados da mesma pesquisa mostram que 29% dos inadimplentes viam as apostas como uma solução para pagar contas ou adquirir bens, enquanto 32% enxergavam nelas uma forma de complementar a renda. Contudo, 52% dos entrevistados relataram prejuízos, e um em cada dez negativados chegou a fazer empréstimo para continuar apostando, reforçando o quanto essas plataformas podem se tornar armadilhas financeiras.

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Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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