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Trump fala em mudança de regime no Irã e reacende tensão internacional

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A tensão no Oriente Médio atingiu um novo patamar após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugerir neste domingo, 22 de junho, a possibilidade de uma “mudança de regime” no Irã. A declaração veio logo após os bombardeios realizados por forças americanas contra instalações nucleares iranianas, sob o argumento inicial de eliminar ameaças nucleares iminentes.

O ataque, que destruiu centros estratégicos como Fordow, Natanz e Isfahan, conhecidos por abrigar o programa de enriquecimento de urânio iraniano, reacende uma crise geopolítica que pode trazer impactos profundos na economia global, incluindo pressões sobre os preços do petróleo, câmbio e mercados financeiros.

As declarações de Donald Trump sobre uma possível mudança de regime no Irã somadas à ação militar americana aumentam o nível de incerteza global | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
As declarações de Donald Trump sobre uma possível mudança de regime no Irã somadas à ação militar americana aumentam o nível de incerteza global | Foto: Reprodução / Wikimedia

A declaração de Trump e o impacto político

Em uma postagem na rede Truth Social, Trump ironizou a ideia de “mudança de regime” com o slogan “MIGA”, uma adaptação de seu conhecido “Make America Great Again” (MAGA) para “Make Iran Great Again”. A mensagem indicou que o atual governo iraniano, liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, seria incapaz de restaurar a grandeza do país.

Embora assessores do governo americano tenham reforçado que o objetivo da ofensiva não era derrubar o governo iraniano, Trump elevou o tom, contrariando essa linha diplomática. A possibilidade de envolvimento prolongado dos EUA em mais um conflito no Oriente Médio desperta preocupações entre aliados e investidores.

Quem é o líder iraniano?

Ali Khamenei é o atual líder supremo do Irã desde 1989. Segundo mais poderoso da Revolução Islâmica de 1979, Khamenei exerce influência total sobre as Forças Armadas, a Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC), o Judiciário e os principais órgãos políticos do país. Sua autoridade é superior à do presidente iraniano e representa o núcleo rígido do regime teocrático.

Preso seis vezes durante a ditadura do xá Mohammad Reza Pahlavi, Khamenei teve trajetória destacada na revolução de 1979, que culminou na criação da República Islâmica. Em 1981, foi eleito presidente e, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, foi indicado como seu sucessor em 1989.

O histórico do conflito nuclear

A origem da tensão atual remonta a 2018, quando Trump retirou os EUA do acordo nuclear firmado em 2015 (Plano de Ação Conjunto Global), que condicionava o fim de sanções econômicas ao compromisso do Irã de limitar seu programa nuclear. Desde então, Teerã aumentou o ritmo do enriquecimento de urânio, levantando suspeitas internacionais.

Segundo estimativas divulgadas por autoridades israelenses, o Irã teria capacidade para fabricar entre 6 e 15 ogivas nucleares a curto prazo, caso deseje. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU, também alertou para violações nos compromissos de transparência assumidos pelo país persa.

A ofensiva militar

A ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos foi desencadeada após semanas de intensificação do conflito. Israel, aliado estratégico dos EUA na região, já havia realizado mais de 200 bombardeios em Teerã desde 13 de junho, segundo o governador da capital iraniana. A participação americana marca uma escalada significativa.

A ação teve como alvo instalações nucleares de alto valor estratégico, com o objetivo de forçar o Irã a retornar à mesa de negociações em posição de desvantagem. Trump teria cogitado até mesmo a eliminação de Khamenei, proposta barrada internamente por receio de gerar instabilidade regional catastrófica.

Leia também: Entrada dos EUA em conflito pode elevar preços no mundo todo; entenda

Reações e riscos para a economia global

A resposta internacional à ofensiva foi imediata. O preço do barril de petróleo tipo Brent subiu 5,2% no mercado internacional, alcançando US$ 96,80 na manhã desta segunda-feira, 23 de junho, o que equivale à cerca de R$ 519,70, considerando a cotação do dólar a R$ 5,37. Isso tende a pressionar os combustíveis no Brasil e em outros países importadores.

Além disso, bolsas de valores globais operaram em queda diante da incerteza geopolítica. O índice Dow Jones recuou 1,8% no pregão de sexta-feira, 21 de junho, enquanto o Ibovespa iniciou a segunda-feira em queda de 0,65%, refletindo o risco de escalada do conflito e seus impactos sobre commodities, câmbio e investimentos externos.

A possível instabilidade no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, também gera apreensão. Qualquer bloqueio ou retaliação militar por parte do Irã pode desorganizar as cadeias de suprimento globais de energia, impactando diretamente países dependentes de importações, como o Brasil.

Efeitos para o Brasil

O Brasil pode sentir os reflexos do conflito em diversas frentes. A alta no preço do petróleo deve pressionar a Petrobras a ajustar os preços dos combustíveis. Um aumento de R$ 0,30 a R$ 0,50 por litro de gasolina não está descartado, conforme projeções de analistas da consultoria Ativa Investimentos.

Além disso, a valorização do dólar como ativo de proteção (hedge) em momentos de crise pode elevar a cotação da moeda americana no Brasil, prejudicando importadores e elevando custos de produtos industrializados. Uma eventual desvalorização do real pode, inclusive, impactar a inflação doméstica.

As declarações de Donald Trump sobre uma possível mudança de regime no Irã somadas à ação militar americana aumentam o nível de incerteza global. O risco de uma escalada prolongada preocupa investidores e governos, que temem consequências diretas na economia e na segurança energética internacional.

No Brasil, os efeitos já começam a ser sentidos na volatilidade cambial e na expectativa de reajustes nos combustíveis. O cenário exige cautela tanto do ponto de vista diplomático quanto econômico, com atenção redobrada às próximas movimentações em Teerã e Washington.

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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