A manhã desta terça-feira, 24 de junho de 2025, começou sob tensão nos mercados financeiros globais, com os investidores reagindo à instabilidade do cessar-fogo anunciado entre Irã e Israel. A trégua, comunicada na noite da segunda-feira, 23 de junho, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda é vista com desconfiança por analistas e governos, após acusações mútuas de violação do acordo em menos de 24 horas.
A tentativa de suspensão das hostilidades havia trazido certo alívio aos mercados asiáticos e europeus na madrugada desta terça, mas os desdobramentos do conflito reverteram parte desse otimismo. No Brasil, o cenário internacional, somado à divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e aos novos dados da Fundação Getulio Vargas (FGV), deve guiar o comportamento dos ativos no pregão de hoje.

O impasse no Oriente Médio
Após o anúncio de Trump sobre um cessar-fogo entre Irã e Israel, os dois governos inicialmente manifestaram apoio à trégua. Porém, poucas horas depois, o governo israelense acusou o Irã de atacar a cidade de Bersabá, no sul do país, resultando na morte de quatro civis e na destruição parcial de prédios residenciais. Em resposta, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou uma retaliação imediata.
O Irã, por sua vez, negou ter rompido o cessar-fogo e acusou Israel de assassinar Mohammad Reza Seddighi Saber, um cientista nuclear iraniano que figurava na lista de sanções dos Estados Unidos. O suposto ataque teria ocorrido antes mesmo do anúncio oficial da trégua.
Diante das acusações de ambos os lados, Trump publicou uma mensagem na rede Truth Social responsabilizando os dois países pelas violações e pedindo moderação: “Não joguem bombas”, escreveu o presidente americano, que embarcou nesta manhã para a cúpula da Otan na Holanda, onde pretendia se apresentar como pacificador.
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Por que isso importa para os mercados?
Além das implicações geopolíticas, o principal temor dos investidores é a possibilidade de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% a 30% das exportações globais de petróleo, segundo dados da U.S. Energy Information Administration (EIA). Qualquer instabilidade na região pode resultar em um choque de oferta no mercado da commodity, pressionando os preços e aumentando a inflação global.
Na segunda-feira, o preço do barril do petróleo Brent chegou a subir 2,1%, encerrando o dia cotado a US$ 88,45, o equivalente à cerca de R$ 483,39, considerando o câmbio de R$ 5,47 registrado ontem. A tendência, segundo analistas, é de alta contínua enquanto persistirem os riscos de escalada no conflito.
A inflação global já é um tema sensível para os bancos centrais, que enfrentam dificuldades em reduzir os preços sem comprometer a retomada econômica. Um aumento repentino no preço do petróleo pode tornar ainda mais difícil o controle inflacionário, sobretudo em economias dependentes da importação de energia, como o Brasil.
Indicadores do dia e cenário nacional
No cenário doméstico, os olhos se voltam para a ata da última reunião do Copom, divulgada nesta manhã, que trouxe um tom mais cauteloso sobre os próximos passos da política monetária. A expectativa de que o Banco Central interrompa o ciclo de cortes na taxa Selic ganhou força após a divulgação do documento.
Outro dado relevante é o Índice de Confiança do Consumidor, medido pela FGV. Em junho, o índice ficou em 85,9 pontos, levemente abaixo dos 86,7 registrados em maio. O número reforça a percepção de que o consumidor brasileiro segue receoso diante do alto endividamento das famílias e da incerteza econômica.
Nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, deve prestar depoimento ao Congresso ainda hoje. O mercado acompanha de perto suas declarações em busca de sinais sobre a condução dos juros norte-americanos. A expectativa para o índice de confiança do consumidor, medido pelo Conference Board, está em 99,4, acima dos 98 pontos do mês anterior.
Expectativas para o pregão
Com esse cenário instável no exterior e indicadores domésticos mistos, o Ibovespa deve iniciar o dia lentamente. O mercado de câmbio também pode apresentar volatilidade, especialmente diante da valorização do petróleo, que tende a pressionar a moeda brasileira. Na segunda-feira, o dólar fechou cotado a R$ 5,47, com alta de 0,6% no dia.
O investidor deve manter atenção redobrada aos desdobramentos no Oriente Médio, uma vez que qualquer movimento fora do esperado pode desencadear fortes reações nos ativos. A dúvida sobre a efetividade do cessar-fogo mantém o risco geopolítico elevado e reforça a busca por ativos mais seguros, como o ouro e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
A instabilidade no cessar-fogo entre Irã e Israel adiciona um novo componente de risco ao cenário econômico global. Em tempos de inflação resistente e política monetária restritiva, o mercado segue sensível a qualquer fator que possa agravar ainda mais o ambiente de incerteza. A próxima semana será decisiva para saber se a trégua vai se sustentar — e, com ela, o fôlego das bolsas internacionais.


