A Agência Internacional de Energia Atômica, conhecida como AIEA, é uma organização criada em 1957 para garantir que a energia nuclear seja usada apenas para fins pacíficos. Isso quer dizer que ela ajuda os países a usarem essa tecnologia para coisas como gerar eletricidade, tratar doenças, melhorar a agricultura e realizar pesquisas científicas — mas sempre com o cuidado de evitar que essa energia seja usada para fabricar armas nucleares.
A AIEA faz parte do sistema da Organização das Nações Unidas (ONU), com sede em Viena, na Áustria. Mais de 175 países participam da agência. Ela é comandada por um diretor-geral (hoje, o argentino Rafael Mariano Grossi), tem um conselho com 35 países que tomam decisões técnicas e políticas, e uma conferência geral com todos os membros.
O trabalho principal da AIEA é fiscalizar instalações nucleares pelo mundo. Para isso, ela envia especialistas aos locais, instala câmeras, faz testes no ambiente e exige relatórios. O objetivo é garantir que o material nuclear, como o urânio, esteja sendo usado somente para fins civis — nunca para a criação de bombas atômicas.

Além disso, a agência oferece ajuda técnica a países em desenvolvimento. Ela apoia projetos em áreas como tratamento contra o câncer, produção de alimentos, uso da energia nuclear para gerar eletricidade e purificação de água. Também cria regras de segurança para evitar acidentes com radiação.
A relação da AIEA com o Irã
O Irã é um dos países que fazem parte da AIEA e também assinou o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que é um acordo mundial para impedir a criação de novas armas nucleares. Por causa disso, o país é obrigado a permitir que a agência inspecione suas instalações nucleares com frequência.
Entre os locais que a AIEA inspeciona no Irã estão as usinas de Natanz, Fordow e Isfahan. Nessas visitas, os técnicos verificam se o urânio está sendo usado apenas para produzir energia ou fins científicos — e não para fabricar armas. Esse trabalho é feito com equipamentos modernos, como sensores, câmeras de vigilância e coleta de amostras.
Mas a relação entre o Irã e a AIEA nem sempre é tranquila. Em junho de 2024, pouco antes do início de um novo conflito entre Irã e Israel, o diretor da AIEA revelou que partículas de urânio artificial — que não aparecem naturalmente — haviam sido encontradas em três locais secretos, que o Irã não havia declarado à agência. Esses locais são Varamin, Marivan e Turquzabad.
Segundo Grossi, o Irã não deu “explicações tecnicamente confiáveis” para o aparecimento dessas partículas, mesmo após anos de conversas com os inspetores da AIEA. Esse tipo de urânio é um forte indício de que o país pode ter feito atividades nucleares não autorizadas ou escondidas no passado.
Além disso, o Irã está enriquecendo urânio a quase 60%, um nível muito acima do que é necessário para uso civil. A AIEA alerta que esse grau de pureza está perto do necessário para fabricar armas nucleares, o que preocupa a comunidade internacional.
Como resposta à pressão da AIEA, o parlamento iraniano aprovou medidas para reduzir a cooperação com a agência. Isso inclui desligar câmeras de segurança, impedir algumas inspeções e parar de enviar relatórios regulares.
Por que esse assunto é importante?
A AIEA é vista como a principal organização do mundo para garantir que a energia nuclear seja usada com responsabilidade para garantir que tudo está sendo feito de forma segura e transparente. Mas, quando há obstáculos ou omissões, surgem dúvidas e desconfianças, tanto entre os técnicos quanto entre os governos.
Além do aspecto de segurança, a AIEA também ajuda muitos países a usarem a energia nuclear de forma positiva — para tratar câncer, conservar alimentos, controlar pragas agrícolas e até combater as mudanças climáticas, já que esse tipo de energia não emite gases poluentes.


