Um levantamento da TransUnion, empresa global de informações e percepções, revelou que 40% dos brasileiros já foram alvo de tentativas de golpe por e-mail, internet, telefone ou mensagens de texto. Entre os entrevistados, 10% afirmaram ter caído nos golpes, com prejuízo médio de R$ 6.311. No cenário global, 53% dos participantes disseram ter sido visados por esse tipo de golpe entre agosto e dezembro de 2024. Ainda assim, 47% não perceberam que estavam sendo enganados.
O tipo de fraude mais comum, segundo o relatório, é o vishing — quando criminosos fazem ligações telefônicas se passando por empresas conhecidas, como operadoras de celular ou bancos, para tentar obter informações pessoais como senhas e dados bancários. A pesquisa foi feita com mais de 13 mil pessoas em 18 países e indicou que 29% tiveram perdas financeiras, com uma média de prejuízo de cerca de R$ 10.683.

Com o avanço dos golpes, tem crescido também o número de vítimas que tentam reagir por conta própria. Recentemente, o caso de um programador que conseguiu rastrear um golpista por meio de um site que ele mesmo criou viralizou nas redes sociais e reacendeu o debate sobre segurança digital e os limites da autodefesa na internet.
Quando a vítima tenta agir sozinha
O episódio envolveu um programador ameaçado por mensagens no WhatsApp. O golpista se identificava como membro de uma facção criminosa e exigia dinheiro. Para se defender, o programador criou uma página na internet que pedia permissão para acessar a localização do visitante. Ele então enviou o link ao criminoso, alegando se tratar de um comprovante de pagamento. Ao clicar, o golpista teve sua localização revelada: ele estava em um presídio no Rio Grande do Sul.
Apesar da criatividade, especialistas alertam para os riscos desse tipo de ação. Gelson Curtinaz, CEO da Infra Tecnologia e especialista em segurança da informação, explica que, mesmo com intenção de se proteger, a vítima pode acabar ultrapassando limites legais. “É natural querer reagir, mas é importante entender que ações desse tipo podem esbarrar em questões como uso indevido de dados pessoais ou invasão de privacidade”, afirma.
Ferramentas digitais permitem acesso a diversas informações, como IP, localização, e até microfone e câmera do aparelho. Mas, segundo Curtinaz, esses recursos precisam respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Se a pessoa clica em um link sem saber exatamente o que está autorizando, existe uma zona legal cinzenta. Ainda que o objetivo seja legítimo, o método pode ser questionado”, diz.
Buscar ajuda legal é o caminho mais seguro
O especialista recomenda que, em vez de agir sozinho, o ideal é sempre registrar boletim de ocorrência e procurar a polícia. “A frustração é compreensível, mas a forma mais segura de lidar com crimes digitais ainda é buscar as autoridades. É um processo que, apesar de mais lento, evita novos problemas”, diz Curtinaz.
Outro ponto de atenção é o fato de muitos golpes partirem de dentro de presídios. O caso do programador mostra uma falha na fiscalização do uso de celulares por detentos. Esse problema, segundo Curtinaz, é estrutural e exige reforço nos sistemas de controle dentro das penitenciárias.
Enquanto isso, o número de fraudes segue crescendo e exige maior conscientização. Para se proteger, o especialista sugere medidas simples, mas eficazes, como o uso de senhas fortes, autenticação em dois fatores e atualização regular de aplicativos e sistemas.
Dicas para se proteger de golpes virtuais
A Infra Tecnologia, empresa que atua no setor de tecnologia da informação, reuniu orientações básicas para quem quer reduzir os riscos de ser vítima de golpes digitais:
- Não clique em links enviados por desconhecidos, seja por WhatsApp, SMS ou e-mail;
- Ative a verificação em duas etapas em redes sociais e aplicativos de mensagem;
- Desconfie de ofertas muito vantajosas ou cobranças com urgência para pagamento imediato;
- Mantenha seu celular, computador e aplicativos sempre atualizados;
- Em caso de ameaças ou fraudes, registre boletim de ocorrência e denuncie às autoridades.
Além das medidas de proteção, é muito importante que todos acompanhem notícias em veículos confiáveis sobre o surgimento de golpes, para se manterem atentos e informados sobre os métodos utilizados pelos criminosos, diminuindo o risco de cair em golpes.


