IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

1 em cada 3 CLTs e aposentados têm empréstimo consignado

Por

·

Uma pesquisa do Instituto Datafolha feita em junho revelou que quase um terço (32%) dos brasileiros que trabalham com carteira assinada ou são aposentados têm empréstimo consignado. Esse tipo de crédito tem parcelas descontadas direto do salário ou do benefício do INSS, o que facilita o pagamento, mas também pode comprometer a renda por muito tempo.

O levantamento mostra como esse tipo de empréstimo já faz parte da vida financeira de milhões de brasileiros e levanta um alerta sobre o risco de endividamento prolongado.

Estatísticas sobre uso do empréstimo consignado
Crédito com juros mais baixos é atrativo, mas pode comprometer boa parte da renda dos trabalhadores | Foto: reprodução/ Canva

O que é o empréstimo consignado e por que é tão comum?

O crédito consignado é um tipo de empréstimo onde as parcelas são descontadas automaticamente do salário ou da aposentadoria da pessoa. Isso dá mais segurança para os bancos, que costumam cobrar juros menores. Por isso, ele costuma ser mais vantajoso do que outros tipos de crédito, como cheque especial ou cartão de crédito.

Apesar disso, o consignado pode se tornar um problema se a pessoa não tiver planejamento, pois a dívida costuma durar dois anos ou mais. Isso significa ter menos dinheiro livre no bolso todos os meses.

A popularidade desse tipo de crédito é explicada pela facilidade de acesso e pela renda garantida. Quem é aposentado, servidor público ou tem carteira assinada pode conseguir o consignado diretamente por aplicativos, ou até mesmo por telefone.

Quem mais usa o consignado no Brasil?

Segundo a pesquisa, os idosos são os que mais usam: entre pessoas com 60 anos ou mais, 43% têm empréstimo consignado. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, esse número cai para 15%. Isso acontece porque aposentados têm renda estável e viram alvo fácil de bancos e financeiras.

Também foi observado que pessoas com menor escolaridade usam mais o consignado: 41% dos que têm até o ensino fundamental já usaram esse tipo de crédito. Entre os que têm ensino superior, o índice é de 31%.

Outro dado importante: quem ganha entre 5 e 10 salários mínimos é o grupo que mais usa o consignado, com 37% de adesão. Já entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, apenas 22% têm esse tipo de dívida.

Além disso, o uso varia por tipo de trabalhador:

  • Aposentados: 45% têm consignado
  • Servidores públicos: 48%
  • Trabalhadores CLT: 22%

Quais os riscos do consignado?

Embora pareça uma solução simples, o consignado pode trazer problemas sérios se usado sem cuidado, já que é uma dívida que compromete a renda por meses ou anos, limitando a capacidade utilizar a renda com outros itens. Muita gente se vê obrigada a pegar um segundo empréstimo para pagar o primeiro, entrando em um ciclo perigoso de dívidas. O problema é maior para aposentados, que recebem pouco e são frequentemente alvo de ofertas insistentes por telefone.

Também há relatos de fraudes, principalmente com idosos, que descobriram descontos no benefício do INSS sem nunca terem autorizado empréstimos. Em 2025, o governo detectou mais de R$ 600 milhões em fraudes desse tipo nos primeiros três meses do ano.

Como se proteger e usar o consignado com segurança

O primeiro passo para se proteger é entender exatamente quanto será descontado por mês e por quanto tempo. Veja outras dicas simples:

  • Nunca aceite ofertas por telefone sem verificar a empresa.
  • Use o aplicativo Meu INSS ou da carteira de trabalho digital para consultar propostas.
  • Compare taxas de juros entre diferentes bancos.
  • Leia todo o contrato com atenção antes de assinar.
  • Evite comprometer mais de 30% da sua renda com dívidas.

Se usado com planejamento, o consignado pode ajudar a resolver dívidas mais caras ou emergências. Mas, se usado sem cuidado, pode virar uma armadilha e comprometer o orçamento por muitos anos.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade