IBOV 138.420 +0,82% USD/BRL 5,18 -0,34% EUR/BRL 5,62 +0,11% Bitcoin US$ 61.450 -0,38% Ethereum US$ 1.627 -0,67% Selic 9,75% estável IPCA 12m 3,84% -0,12pp Petróleo Brent US$ 82,40 +1,21%
Ao vivo

Dia das Crianças tem presentes mais baratos, mas comércio enfrenta desafios

Por

·

Brinquedos, roupas e calçados infantis ficaram mais baratos no último ano, mas a queda dos preços não deve ser suficiente para impulsionar as vendas no Dia das Crianças, celebrado nesta segunda-feira, 12 de outubro. Apesar de alguns presentes tradicionais custarem menos, o comércio enfrenta dificuldades para atrair consumidores, em meio ao endividamento das famílias, à concorrência das lojas virtuais e à disputa com outras opções de lazer.

Nos 12 meses encerrados em setembro, os preços de brinquedos e artigos esportivos recuaram 0,89%, enquanto a inflação geral medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), foi de 3,94% no mesmo período. Esses produtos tiveram uma variação mais favorável ao consumidor do que a média dos preços acompanhados pelo indicador.

As roupas infantis ficaram 0,40% mais baratas, e os calçados para crianças tiveram redução de 3,21%. Entre os brinquedos, as bicicletas registraram queda de 1,98%, enquanto as bonecas custaram 0,51% menos.

Dia das Crianças tem presentes mais baratos, mas comércio enfrenta desafios
Os preços dos presentes tradicionalmente procurados para o Dia das Crianças tiveram um comportamento mais favorável neste ano | Foto: Reprodução / Canva

Mesmo com os valores menores, o consumidor não necessariamente vai gastar mais. O orçamento apertado e as mudanças na forma de comemorar a data ajudam a explicar por que a redução dos preços não garante um aumento das vendas.

Endividamento limita o valor dos presentes

Quando as famílias estão endividadas, a compra de presentes precisa caber em um orçamento já comprometido com outras despesas. Nesse cenário, o consumidor pode continuar presenteando as crianças, mas escolher produtos mais baratos para evitar aumentar os gastos.

O resultado aparece no valor médio gasto em cada compra. O consumidor que antes pretendia comprar um brinquedo de R$ 100 pode optar por outro de R$ 60. Assim, mesmo que a loja consiga realizar a venda, o valor recebido por compra diminui.

Esse comportamento ajuda a entender por que preços menores não significam, necessariamente, mais dinheiro circulando no comércio. Para que as vendas cresçam, não basta que os produtos estejam mais baratos: também é preciso que as famílias tenham condições de comprar e mantenham o interesse pela data.

Passeios e restaurantes disputam o dinheiro das famílias

Outro desafio é a perda de espaço do Dia das Crianças entre as prioridades de consumo. A comemoração já teve mais força comercial, impulsionada por propagandas na televisão e nos jornais, mas hoje disputa a atenção das famílias com outras atividades.

Passeios, parques instalados em shoppings e restaurantes com áreas de brinquedos são algumas das alternativas que concorrem pelo dinheiro destinado à comemoração. Em vez de gastar com um presente, algumas famílias podem preferir pagar por uma experiência para fazer com as crianças.

A mudança amplia a concorrência enfrentada pelas lojas de brinquedos, roupas e calçados. Mesmo quando os preços estão mais baixos, esses estabelecimentos precisam disputar com opções que oferecem lazer e momentos em conjunto.

Lojas físicas enfrentam concorrência da internet

As compras pela internet também pressionam o comércio tradicional. Nas plataformas digitais, os preços costumam ser menores, o que atrai consumidores que pesquisam um produto específico e comparam ofertas antes de decidir onde comprar.

Quando encontra o mesmo item por um valor mais baixo na internet, o consumidor pode deixar de visitar uma loja física. Isso reduz as oportunidades de venda dos estabelecimentos presenciais, especialmente entre clientes que já sabem qual brinquedo ou presente desejam adquirir.

As lojas físicas, por outro lado, ainda têm vantagens, já que a variedade de produtos permite que o consumidor conheça diferentes opções e escolha um presente mesmo quando não sabe exatamente o que comprar. Poder observar os itens pessoalmente também faz parte da experiência de compra.

A disputa não envolve apenas o preço anunciado, mas também a facilidade para encontrar um presente e a possibilidade de escolher entre diferentes produtos.

Diferença de impostos gera debate no varejo

Outro ponto seria a competição desigual entre o comércio brasileiro e vendedores estrangeiros, especialmente diante das regras de tributação das compras internacionais. Produtos importados diretamente por consumidores, quando beneficiados por regras tributárias mais favoráveis, podem custar menos.

Essa diferença de preço pode influenciar a escolha de quem procura economizar, principalmente em datas que concentram compras de presentes. Para os lojistas brasileiros, a concorrência com produtos estrangeiros representa mais um obstáculo para atrair clientes.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade