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Tradição que gera renda: São João 2025 movimenta turismo, comércio e empregos

Com bandeirinhas no alto, fogueiras acesas e forró animado, o mês de junho ganha um ritmo diferente em todo o Brasil. Mais que tradição, as festas juninas estão se tornando um verdadeiro motor da economia nacional. Em 2025, o Ministério do Turismo estima que o São João movimente R$ 7,4 bilhões na economia brasileira, um salto expressivo em relação aos R$ 2 bilhões de 2024.

A temporada de festejos juninos, que se estende até agosto em muitas cidades, não apenas aquece o comércio e o turismo, mas também gera empregos temporários e fortalece a economia de pequenas e médias cidades.

Segundo o ministro do Turismo, Celso Sabino, as milhares de festas espalhadas pelo país “mostram a força das tradições, agitam o turismo doméstico e impulsionam o setor como motor de geração de renda e emprego”.

Com raízes que remontam à colonização portuguesa e forte influência indígena e africana, a festa junina se consolidou como uma das principais manifestações culturais brasileiras | Foto: 

festas juninas
A festa junina se consolidou como uma das principais manifestações culturais brasileiras | Foto: Reprodução/Canva

Mais popular que o Carnaval

Embora o Carnaval ainda seja reconhecido internacionalmente como a maior festa brasileira, dentro do país, a preferência popular pende para o São João. De acordo com a pesquisa Cultura nas Capitais, da JLeiva Cultura & Esporte, as festas juninas superaram o Carnaval em todas as capitais brasileiras, exceto Recife, onde houve empate técnico.

E não é só na popularidade: a Globo Gente revelou que 85% dos consumidores brasileiros gastam mais nas festas juninas do que no Carnaval. A explicação? A duração maior das celebrações e os gastos com comidas típicas, roupas, decoração e ingressos para shows.

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Impacto local: de Campina Grande a São Paulo

No Nordeste, onde a tradição pulsa com mais força, os eventos movimentam milhões. Só em Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), são esperadas 3,5 milhões e 2,8 milhões de pessoas, respectivamente. A estimativa do Ministério do Turismo é que essas duas cidades, sozinhas, gerem mais de R$ 1,4 bilhão em impacto econômico.

Outro destaque é Mossoró (RN), com projeção de R$ 377,2 milhões em movimentação econômica, segundo estudo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

Na capital paulista, o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET) prevê R$ 389 milhões em movimentação econômica entre junho e agosto de 2025, com a chegada de 520 mil turistas, um crescimento de 11,5% em relação a 2024. No ano passado, os festejos geraram R$ 318,8 milhões para o estado de São Paulo.

Em Minas Gerais, o projeto Minas Junina 2025 deve reunir 3,3 milhões de pessoas, com festas espalhadas por todas as regiões, fortalecendo o turismo e o consumo local.

Setores mais beneficiados

A Festa Junina é sinônimo de oportunidade para diversos setores. Em entrevista a Forbes, Ray Souza, sócio-líder da KPMG, “há um incremento expressivo nas vendas sazonais e aquecimento no setor de infraestrutura, especialmente em regiões que organizam grandes festas”.

Um levantamento da Scanntech mostra que, em junho e julho, o faturamento dos itens da cesta junina cresceu 12,7%. Produtos como amendoim, canjica, milho-verde, bolo, coco ralado e doce de leite lideram as vendas. Bares e restaurantes também registram alta no consumo de alimentos e bebidas durante os festejos.

A Serasa aponta que 10% dos viajantes gastam R$ 1 mil ou mais com passagens, hospedagem e alimentação. A maioria, 34%, desembolsa cerca de R$ 300. Além disso, 62% dos entrevistados disseram esperar ganhar uma renda extra na época junina e 50% pretendem usar esse valor para quitar dívidas.

Os setores mais beneficiados são:

  • Alimentação: 64%
  • Comércio local: 51%
  • Entretenimento e cultura: 50%

Uma festa mais barata em 2025?

Mesmo com tanto consumo, a festa de 2025 pode pesar menos no bolso do consumidor. Segundo o FGV IBRE, o Índice de Preços ao Consumidor – Mercado (IPC-M) apontou uma variação de apenas 1,60% nos preços dos produtos juninos nos últimos 12 meses, contra 4,56% do IPC-M geral.

De acordo com o economista Matheus Dias, do FGV IBRE, a queda de preços em itens como milho, amendoim e coco ralado está relacionada ao desempenho positivo das safras recentes. “Com o aumento da oferta, há tendência de recuo nos preços, favorecendo o consumidor”, explica.

Tradição que gera renda

Com raízes que remontam à colonização portuguesa e forte influência indígena e africana, a festa junina se consolidou como uma das principais manifestações culturais brasileiras. Em 2025, o São João vai além do folclore: se confirma como uma potência econômica.

De pequenos produtores rurais a grandes artistas do forró, passando por artesãos, comerciantes e profissionais de turismo, os festejos beneficiam diversos elos da cadeia produtiva e ajudam a movimentar bilhões em um momento estratégico para a economia do país.

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