O Espírito Santo desponta como uma alternativa concreta para quem busca qualidade de vida, emprego formal e estabilidade econômica fora dos grandes centros urbanos. Entre 2017 e 2022, o estado foi o sétimo que mais recebeu migrantes de outras partes do país, com um saldo positivo de aproximadamente 27,9 mil pessoas, segundo dados do Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 27 de junho.
Ao todo, cerca de 102,4 mil pessoas migraram para o Espírito Santo nesse período, enquanto 74,5 mil deixaram o estado, resultando em uma taxa líquida de migração de 0,73%, a sexta maior entre todas as unidades federativas. A maior parte dos novos moradores veio de estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, de acordo com o IBGE.

Essa movimentação revela uma mudança importante no cenário migratório do Brasil. Grandes centros como São Paulo e, especialmente, Rio de Janeiro, começaram a perder mais moradores do que recebem. No caso fluminense, a evasão foi acentuada: 332,5 mil saídas contra 167,2 mil entradas, uma perda líquida de mais de 165 mil pessoas.
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O que explica esse movimento?
Especialistas ouvidos pelo g1 ES apontam três fatores principais para o crescimento populacional capixaba: investimentos em indústrias, ambiente de negócios mais estável e crescimento no número de empregos formais.
“O Espírito Santo tem um mercado de trabalho organizado em empregos formais que dão mais estabilidade às famílias”, afirma Wallace Milis, economista. Segundo ele, a formalização do trabalho e o crescimento de setores produtivos tornaram o estado um destino atrativo para quem busca segurança financeira.
No primeiro trimestre de 2025, foram registradas 151 mil admissões formais, com a criação de aproximadamente 9 mil novas vagas com carteira assinada, conforme dados do Novo CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego.
A renda média mensal no Espírito Santo também é destaque: enquanto a média nacional em 2023 foi de R$ 2.979, o rendimento domiciliar per capita capixaba ficou em R$ 3.217, segundo a PNAD Contínua (IBGE), cerca de 8% acima da média do país.
Cidades com maior geração de empregos
Regiões como Serra, Aracruz e Linhares se consolidaram como polos industriais importantes e concentram parte expressiva dos novos empregos criados. Em Serra, por exemplo, empresas de logística, petróleo e gás e produção de celulose têm atraído trabalhadores de todo o país.
Essas cidades não apenas oferecem vagas de trabalho, mas também impulsionam a economia local, estimulando pequenos negócios e ampliando o consumo. A combinação de infraestrutura urbana, mobilidade acessível e proximidade com a natureza também tem sido valorizada por quem decide mudar de vida.
Jovens e oportunidades
De acordo com o IBGE, 1 em cada 5 migrantes internos no país tinha entre 25 e 29 anos, faixa etária que marca o início da vida adulta e da busca por independência financeira. Essa mobilidade está diretamente associada à procura por emprego, estudo e moradia.
“O Espírito Santo consegue oferecer inserções produtivas, que são o que os migrantes estão buscando. São jovens que encontram trabalho e permanecem”, explica o professor Ednelson Dota, da Ufes e da Unicamp.
Caso real: uma nova vida em terras capixabas
O engenheiro de software Thiago Cass, de 39 anos, e sua esposa Denize Moraes trocaram São Paulo pelo Espírito Santo em 2022, após ele receber uma proposta de emprego. “Aprendi a amar o Espírito Santo. É um lugar bonito, tranquilo e cheio de oportunidades. Hoje, penso em construir minha família aqui. Já não me vejo morando em outro lugar”, contou Cass.
Ele também observou um movimento migratório semelhante entre colegas e acredita que o estado ainda possui espaço para o crescimento profissional. “Sinto que há oportunidades, mas em algumas áreas falta mão de obra qualificada. Isso abre portas para quem está disposto a se mudar.”
Qualidade de vida como diferencial
Além do crescimento econômico, o Espírito Santo vem sendo reconhecido pela qualidade de vida. Com praias, montanhas e clima ameno, o estado foi listado em 2024 pelo Ministério do Turismo como um dos cinco mais acolhedores do país. O turismo regional e o estilo de vida mais calmo têm atraído especialmente famílias jovens e trabalhadores em busca de equilíbrio entre carreira e bem-estar.
A combinação entre potencial econômico, estabilidade no emprego e ambiente urbano agradável cria um cenário ideal para quem quer recomeçar ou investir em uma nova fase da vida.
*Entrevistas concedidas ao G1