O sonho da casa própria está ficando mais caro para os brasileiros em 2025. Dados do Índice FipeZap, que acompanha o comportamento dos preços de imóveis residenciais em 56 das principais cidades do país, mostram que o valor médio do metro quadrado subiu 3,33% no primeiro semestre. A variação supera a inflação acumulada no período, de 3,06%, medida pelo IPCA-15. Na prática, isso significa que comprar um imóvel ficou mais difícil do que manter o poder de compra em outras áreas do consumo.
A alta, apesar de menor que a registrada no mesmo período de 2024 (3,56%), indica um cenário persistente de valorização imobiliária, mesmo diante de fatores que, teoricamente, deveriam conter esse avanço — como os juros altos e o crédito habitacional mais caro. Em junho, o valor médio do metro quadrado chegou a R$ 9.319, após sucessivas altas mensais que, embora em desaceleração, mantêm o mercado em trajetória de elevação.

Entre janeiro e junho, o índice mensal registrou variações de 0,59% (janeiro), 0,68% (fevereiro), 0,6% (março), 0,51% (abril), 0,46% (maio) e 0,45% (junho). A queda no ritmo de crescimento aponta para um movimento de ajuste, como explica Paula Reis, economista do Grupo OLX: “A alta da Selic, hoje no maior nível desde 2006, e o esgotamento dos recursos da poupança habitacional encareceram o crédito, o que vem limitando a capacidade de compra e, consequentemente, esfriando os preços.”
Imóveis menores lideram valorização
Os imóveis com apenas um dormitório foram os que apresentaram maior valorização no último ano. O preço médio do metro quadrado dessas unidades é o mais alto entre todas as tipologias, atingindo R$ 11.246. A alta acumulada nesses imóveis foi de 8,8% nos últimos 12 meses, bem acima da média geral de 7,49%. Em contraste, imóveis com quatro ou mais dormitórios tiveram uma valorização bem mais modesta, de 5,8% no mesmo período.
As unidades de dois dormitórios seguem sendo as mais acessíveis, com valor médio de R$ 8.392 por metro quadrado. Ainda assim, o impacto do aumento generalizado dos preços afeta tanto compradores que buscam seu primeiro imóvel quanto investidores que procuram rentabilidade com aluguel.
Apesar da desaceleração nas altas mensais — em fevereiro, por exemplo, o índice avançou 0,68%, enquanto em junho cresceu apenas 0,45% —, os valores continuam subindo em ritmo que pressiona o poder de compra. “A expectativa para o segundo semestre é de valorização mais contida, refletindo o novo cenário de crédito mais caro e seletivo”, diz Paula Reis. Isso, no entanto, não representa uma queda nos preços, mas sim um crescimento mais moderado.
Balneário Camboriú lidera ranking das cidades mais caras
As cidades litorâneas do Sul do Brasil seguem liderando o ranking das mais caras para comprar imóvel. Balneário Camboriú (SC) tem o metro quadrado mais caro do país, avaliado em R$ 14.828, seguida por Itapema (SC), com R$ 14.547. Ambas acumulam altas que superam o dobro da média nacional, refletindo a forte demanda por imóveis de alto padrão na região.
Vitória (ES) aparece logo depois, com R$ 13.711 por metro quadrado, seguida por Florianópolis (R$ 12.355), São Paulo (R$ 11.613), Curitiba (R$ 11.228) e Rio de Janeiro (R$ 10.584). Outras capitais como Belo Horizonte (R$ 10.188), Brasília (R$ 9.474) e Maceió (R$ 9.402) também têm preços acima da média nacional.
Já os municípios com menor valor por metro quadrado estão localizados no interior e em regiões metropolitanas mais afastadas. Pelotas (RS), Betim (MG) e São Vicente (SP) são as cidades com os valores mais baixos, com o m² custando R$ 4.415, R$ 4.478 e R$ 4.478, respectivamente. A diferença entre as cidades mais caras e as mais baratas chega a ultrapassar os R$ 10 mil por metro quadrado.
A casa própria segue sendo um sonho com obstáculos
Essa disparidade regional mostra a dificuldade de acesso à casa própria nas grandes cidades, onde a demanda segue alta mesmo com o crédito mais restrito. Especialistas indicam que, mesmo com um mercado menos aquecido, os preços tendem a se manter elevados nas regiões com maior adensamento urbano e infraestrutura consolidada.
Para quem deseja comprar um imóvel em 2025, o cenário continua desafiador. Com a Selic alta, crédito restrito e preços ainda acima da inflação, a recomendação é cautela. O planejamento financeiro é essencial, assim como a comparação de oportunidades entre cidades e tipos de imóvel.


