A recente declaração da influenciadora Viih Tube de que sua filha, Lua, de apenas 2 anos, já possui um valor guardado que equivale a um patrimônio maior que o dos pais movimentou a internet. A menina, fruto do relacionamento com o também ex-BBB Eliezer, participa de campanhas publicitárias com valores expressivos.
Segundo Viih, todo trabalho da filha é remunerado justamente e o dinheiro é direcionado para uma reserva exclusiva em nome da pequena. “Depois que comprei minha casa, ela me passou”, brincou a influenciadora em entrevista.
O caso pode parecer fora da curva, mas traz à tona uma discussão relevante: qual a importância de reservar dinheiro para os filhos? E, mais ainda, como fazer isso de forma realista no Brasil, um país em que metade da população vive com menos de R$ 1.600 mensais, segundo dados do IBGE?
Guardar dinheiro para construir patrimônio desde cedo faz diferença
No caso de Lua, o patrimônio foi conquistado graças à visibilidade dos pais e ao mercado publicitário. Mas mesmo longe dos holofotes, criar uma reserva financeira para os filhos pode ter impacto decisivo no futuro deles. Essa reserva pode ser usada para custear estudos, intercâmbio, entrada em um imóvel ou até mesmo para garantir uma base sólida de segurança financeira na vida adulta.
A lógica é simples: quanto antes se começa, maior o tempo para que o dinheiro se valorize por meio dos juros compostos. Um exemplo: se uma família consegue investir R$ 200 por mês em nome de uma criança desde o nascimento, em um investimento com rendimento médio de 0,7% ao mês (equivalente a cerca de 8,7% ao ano), ao final de 18 anos o montante acumulado será de aproximadamente R$ 91 mil.
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Não é preciso acumular milhões para garantir estabilidade. Segundo um levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), apenas 12% dos brasileiros investem para os filhos de forma recorrente. A maioria ainda mantém o dinheiro parado na poupança ou sequer consegue destinar algum valor.

Qual o melhor tipo de reserva?
As opções são diversas, e o ideal é sempre buscar orientação financeira. Algumas alternativas bastante usadas por famílias incluem:
- Tesouro Direto (Tesouro IPCA+): ideal para longo prazo, com rentabilidade atrelada à inflação.
- Fundos de investimento voltados para menores: existem produtos no mercado voltados especificamente para o público infantil, com estratégias conservadoras.
- Previdência privada do tipo VGBL: muito usada por famílias com planejamento de longo prazo, que desejam acumular capital para educação ou aposentadoria dos filhos.
- Conta digital com investimentos em renda fixa e variável: diversas fintechs já permitem que pais ou responsáveis abram contas para filhos e façam aportes mensais em produtos financeiros diversos.
Independentemente da opção escolhida, o mais importante é que a reserva esteja no nome da criança e seja separada do orçamento familiar para evitar o uso indevido.
Educação financeira começa no exemplo
Para além do valor reservado, a maior herança que um responsável pode deixar é a educação financeira. A forma como os pais lidam com dinheiro influencia diretamente na formação das crianças. Explicar desde cedo sobre planejamento, consumo consciente, investimento e até sobre o tempo necessário para conquistar certos bens é um passo importante para formar adultos mais preparados.
Muitas famílias acreditam que falar de dinheiro com crianças é tabu, mas isso vem mudando. Iniciativas como a inclusão de educação financeira na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada em 2017, estimulam esse tipo de conversa em sala de aula, mas o lar ainda é o primeiro espaço para formar esse tipo de consciência.
E para quem não tem como guardar?
A realidade da maior parte dos brasileiros não permite guardar grandes quantias. Mas isso não deve ser motivo para desistir. Guardar R$ 20, R$ 50 por mês, sempre que possível, já faz diferença ao longo dos anos. O mais importante é a consistência, e não o valor inicial.
Para famílias com renda informal, uma dica é usar contas digitais com função “cofrinho” ou “reserva”, onde é possível separar valores automaticamente sempre que entra algum dinheiro. Também existem programas de incentivo à educação financeira com microinvestimentos voltados ao público de baixa renda, como o Poupa Brasil, o Investplay e iniciativas de bancos como Nubank e Inter.
Guardar para filhos é investir no futuro deles
O caso de Lua, filha de Viih Tube, é um exemplo midiático, mas ilustra bem a lógica de que patrimônio também pode ser construído na infância. A diferença é que ela partiu com uma grande vantagem, comum em famílias com alta visibilidade e acesso a oportunidades de monetização logo nos primeiros anos de vida.
Mas o ponto central permanece: toda criança deveria ter direito a um ponto de partida mais seguro. Guardar dinheiro para os filhos é, no fundo, uma forma de garantir autonomia e dignidade no futuro. Mesmo com pouco, começar é sempre melhor do que não fazer nada. E se essa prática se popularizar, a próxima geração talvez enfrente menos desigualdade do que a atual.