A inteligência artificial ganhou um novo rosto na publicidade brasileira. Desta vez, é o do Burger King. A rede de fast food acaba de lançar a IAra, personagem criada totalmente com inteligência artificial para protagonizar a campanha da promoção King em Dobro, que oferece dois sanduíches por R$ 25,90. A ação, idealizada pela agência AlmapBBDO, brinca com o universo das influenciadoras virtuais, misturando tecnologia e humor para atrair a atenção do público jovem e digitalmente engajado.
A estratégia da marca é clara: usar a IA como ferramenta de entretenimento, e não apenas de automação. IAra surge como uma senhora irreverente, que vive situações inusitadas dentro de um restaurante do Burger King. No primeiro filme da campanha, ela aparece tentando conter um incêndio em uma cozinha da rede, em uma cena caótica e absurda que une estética hiper-realista com toques de surrealismo.

IA com sotaque brasileiro
A IAra representa uma nova fase da comunicação publicitária no Brasil. Diferente de outras personagens digitais mais “genéricas”, ela carrega um visual, vocabulário e comportamentos que fazem referência ao cotidiano brasileiro. Isso inclui desde as expressões usadas nos vídeos até o tipo de humor adotado nas cenas.
A ideia, segundo os criadores, é se conectar com o público de maneira leve, moderna e divertida, explorando os limites entre realidade e ficção. Em outras peças da campanha, o sanduíche Whopper interage diretamente com os personagens, como se fizesse parte da história. É uma narrativa propositalmente exagerada, que aposta no absurdo para gerar identificação e compartilhamento nas redes sociais.
Leia também: Conheça 5 direitos do consumidor que você talvez não saiba que tem
Um mercado em transformação
A criação de personagens gerados por IA já vinha ganhando espaço na publicidade internacional. No Brasil, o movimento ganhou força com ações recentes de empresas como a Marisa, que apresentou a personagem Maiô para falar de moda praia, e a Casas Bahia, com o influenciador digital Bahianinho em versão atualizada.
No caso do Burger King, o diferencial está na integração da IAra com uma campanha promocional real, que une entretenimento e conversão. Ao mesmo tempo em que o público se diverte com os vídeos, é convidado a aproveitar a oferta de dois lanches por R$ 25,90. Considerando o valor médio de um combo individual na rede, que gira em torno de R$ 22 a R$ 28 (valores de julho de 2025), o desconto efetivo pode ultrapassar 20% em comparação a compras separadas.
Produção e veiculação
A campanha tem veiculação nacional, tanto em canais tradicionais quanto digitais. Os vídeos com a IAra estão sendo exibidos na televisão aberta e por assinatura, nas redes sociais da marca (Instagram, TikTok, YouTube), além de telas em pontos de ônibus e painéis digitais nas principais cidades do país.
A produção dos filmes ficou a cargo da Paranoid, com trilha e efeitos sonoros da Jamute, ambas referências no mercado audiovisual brasileiro. Já as peças para mídia externa foram desenvolvidas pela Streetwise, com foco em out-of-home (OOH) em regiões de alto tráfego.
Esse modelo de campanha integrada reflete uma tendência crescente no mercado publicitário, que busca unir tecnologia e criatividade para gerar impacto e engajamento. De acordo com dados do Interactive Advertising Bureau (IAB Brasil), os investimentos em publicidade digital no país cresceram 16% em 2024, ultrapassando R$ 40 bilhões. O uso de inteligência artificial para criação de conteúdo já representa uma fatia relevante desse crescimento.
Humor, absurdo e viralização
A construção da IAra se apoia em uma linguagem visual hiper-realista, mas com situações completamente absurdas. Segundo os criativos da AlmapBBDO, a proposta é provocar o público e estimular o compartilhamento dos vídeos como memes. A campanha também aposta na estética “cringe proposital”, com cortes estranhos, exageros narrativos e efeitos digitais que lembram produções amadoras, mas que são planejadas para parecer espontâneas.
É um estilo que conversa diretamente com a lógica das redes sociais atuais, onde conteúdos não-polidos e espontâneos costumam ter mais alcance orgânico do que campanhas extremamente produzidas.
IAra é o futuro?
Apesar de cômica, a campanha do Burger King levanta uma discussão relevante: as marcas estão, cada vez mais, criando personagens que não existem fisicamente para se comunicar com o público. Isso pode significar economia de produção, escalabilidade de conteúdo e, principalmente, controle total sobre imagem e narrativa.
Ao criar uma personagem como IAra, a marca não depende de celebridades, influenciadores ou contratos de imagem. Pode ajustar voz, aparência, comportamento e até valores associados conforme o momento da campanha e o feedback do público.
Ainda que esse modelo de comunicação não substitua por completo as figuras humanas, ele abre novas possibilidades para o marketing e o branding. Como aponta a eMarketer, cerca de 32% das marcas globais já testaram personagens gerados por IA em ações publicitárias até o primeiro semestre de 2025.
A IAra chegou para brincar com o absurdo e mostrar que a inteligência artificial também pode ser divertida e acessível. Para o Burger King, é uma aposta criativa que alia inovação tecnológica com engajamento de marca. E para o mercado, é mais um sinal de que o futuro da publicidade pode ser digital, mas não precisa ser impessoal.