Os primeiros seis meses de 2025 marcaram um recorde histórico negativo para o setor global de seguros. Segundo relatório da corretora de resseguros Gallagher Re, as perdas seguradas por eventos climáticos e desastres naturais totalizaram US$ 84 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 457 bilhões considerando a cotação do dólar a R$ 5,44 em julho de 2025.
Esse é o maior prejuízo registrado para o período desde 2011, quando o setor enfrentou perdas de US$ 136 bilhões impulsionadas, à época, por desastres como o terremoto e tsunami no Japão. Em 2025, no entanto, o principal fator foram os eventos climáticos extremos: incêndios florestais e tempestades severas, sobretudo nos Estados Unidos.
De acordo com o levantamento, US$ 81 bilhões (R$ 441 bilhões) do total têm origem direta em eventos relacionados ao clima e condições meteorológicas. É o maior valor já registrado para o primeiro semestre de qualquer ano desde o início da série histórica.
Leia também: Gastos com remédios disparam e afetam planos de saúde

Estados Unidos lideram os prejuízos
Os desastres naturais ocorridos nos EUA respondem pela maior parte das perdas. Os incêndios florestais no sul da Califórnia, em janeiro, estão entre os mais destrutivos da história do condado de Los Angeles. Dezenas de milhares de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas ou reconstruir em áreas de risco crescente.
A seguradora State Farm General, maior do estado, afirmou que recebeu mais de 8.700 reclamações apenas após os incêndios e já desembolsou mais de US$ 1 bilhão em indenizações, cerca de R$ 5,44 bilhões. Com isso, a empresa pediu às autoridades um aumento emergencial de 22% nas tarifas cobradas dos proprietários de imóveis, alegando uma situação financeira crítica.
Em seguida, vieram as tempestades severas de março, que afetaram regiões do Meio-Oeste e Sul dos EUA. Com tornados, ventos fortes e granizo, essas tempestades foram responsáveis por pelo menos US$ 33 bilhões (R$ 179 bilhões) em perdas seguradas.
A série mais devastadora ocorreu entre os dias 13 e 16 de março, quando tornados atingiram diversas cidades, destruindo infraestruturas inteiras e lançando detritos a quilômetros de distância. O episódio foi considerado o quarto mais caro da história do setor de seguros nos EUA, de acordo com a Gallagher Re.
Perdas fora dos EUA permanecem baixas
Apesar da escalada nos custos dentro dos Estados Unidos, o restante do mundo registrou perdas seguradas menores. Fora do território americano, os prejuízos somaram menos de US$ 10 bilhões (R$ 54 bilhões) no primeiro semestre, a segunda vez desde 2006 que os danos globais ficam abaixo desse patamar no mesmo período.
O evento mais custoso fora dos EUA foi o terremoto de abril em Myanmar e Tailândia, que pode ultrapassar US$ 1 bilhão em indenizações quando todos os pedidos forem processados, segundo a corretora.
Novo padrão para o setor
A Gallagher Re alerta que as perdas seguradas podem ultrapassar US$ 100 bilhões (R$ 544 bilhões) até o fim de 2025. O relatório define esse cenário como “uma nova realidade do mercado”, destacando que os eventos climáticos extremos se tornaram mais frequentes, intensos e custosos.
Com o agravamento da crise climática global, o setor de seguros começa a rever premissas de risco e a reformular modelos de precificação. Para especialistas do mercado, o custo das apólices tende a subir, e algumas regiões poderão inclusive se tornar “não seguráveis” nos próximos anos.
As seguradoras enfrentam o desafio de equilibrar a sustentabilidade financeira com a oferta de cobertura em um ambiente cada vez mais volátil. A situação na Califórnia serve de exemplo: após anos de prejuízo com incêndios, várias seguradoras já abandonaram o mercado residencial no estado ou restringiram severamente novas apólices.
Impacto dos desastres climáticos para os consumidores
Os impactos das mudanças climáticas não afetam apenas as seguradoras. Proprietários de imóveis e empresas nas áreas de risco estão pagando mais por proteção e, em muitos casos, ficando sem opções acessíveis.
Com as tempestades e incêndios se tornando mais frequentes, cresce a pressão por políticas públicas que mitiguem os efeitos das mudanças climáticas e incentivem a adaptação da infraestrutura urbana.
Enquanto isso, consumidores devem ficar atentos ao que está coberto em suas apólices, buscar alternativas mais seguras de habitação e considerar o aumento nos custos como parte do planejamento financeiro a médio e longo prazo.
A tendência é clara: a conta dos desastres climáticos já chegou e ela não para de crescer.


