A educação pode ter um peso importante nas eleições de 2026. Para 71% dos brasileiros, a atuação dos governos nessa área influencia a decisão de voto, enquanto 83% defendem que ela esteja entre as três prioridades dos governadores nos próximos quatro anos.
Os dados são da pesquisa nacional “O que a população pensa sobre a educação | 2026”, realizada pelo Instituto IDEIA. O levantamento ouviu 20 mil pessoas com 16 anos ou mais, nas 27 unidades da Federação, entre maio e julho de 2026.

O que os brasileiros querem mudar na educação?
A segunda medida mais citada foi a ampliação dos cursos técnicos para jovens no Ensino Médio, com 48%. Em seguida aparece a alfabetização das crianças até os 8 anos, com 47%.
A melhoria da formação dos professores foi apontada por 37%, enquanto a ampliação de vagas em creches chegou a 23%.
Também foram citadas a ampliação do número de escolas militares, com 19%; o aumento das horas que os alunos passam na escola, com 15%; o fim da chamada doutrinação em sala de aula, com 14%; e a possibilidade de educar os filhos em casa, com 8%.
Quando convidados a descrever uma escola de qualidade, cerca de 31% mencionaram a qualidade do ensino ou a qualificação e o comprometimento dos professores.
Alfabetização está entre as principais cobranças
47% dos entrevistados apontam como prioridade garantir que as crianças estejam alfabetizadas até o final do 2º ano do Ensino Fundamental, etapa que corresponde, em geral, aos 8 anos.
Quando perguntados especificamente sobre o tema, 83% defendem que a alfabetização seja uma prioridade dos candidatos nas próximas eleições. Ao mesmo tempo, apenas 25% concordam que as crianças estejam aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado.
A ampliação dos cursos técnicos também recebeu forte apoio. 80% dos entrevistados são favoráveis ao ensino técnico como forma de criar mais oportunidades para os jovens.
A avaliação sobre a preparação atual, porém, é menos positiva: apenas 27% consideram que a escola pública prepara bem os jovens para o mercado de trabalho.
O que é educação em tempo integral?
A pesquisa mostra que 71% dos brasileiros já ouviram falar de escolas públicas em tempo integral, mas só 38% afirmam estar bem informados sobre o modelo.
Entre os entrevistados, 43% consideram que uma boa escola em tempo integral deve oferecer mais atividades, como projeto de vida e esporte. Outros benefícios também foram citados: 54% dizem que o modelo permite que os responsáveis trabalhem com mais tranquilidade, 40% apontam a redução do tempo de tela em casa e 39% associam o formato a uma maior aprendizagem.
A percepção de proteção também aparece nos resultados: 52% acreditam que o tempo integral ajuda a evitar a exposição de jovens ao recrutamento por facções e grupos criminosos.
Para o futuro dos estudantes, 57% consideram que esse modelo prepara melhor para o Ensino Superior e 55% para o mercado de trabalho.
A disposição de matricular os filhos também varia conforme a renda. Ela chega a 51% entre pessoas da classe C e 49% nas classes D/E, contra 31% nas classes A/B.
Como os brasileiros avaliam as escolas públicas?
45% consideram ótima ou boa a qualidade das escolas públicas de seus estados. Santa Catarina tem o maior percentual de avaliação positiva, com 60%, seguido pelo Ceará, com 59%. Os menores índices aparecem no Rio de Janeiro, com 31%, e no Rio Grande do Norte e em Roraima, ambos com 36%.
Sobre os últimos quatro anos, 49% dizem que a qualidade melhorou. A percepção de avanço chega a 56% no Nordeste e fica em 43% no Sudeste.
Entre os estados, Alagoas, Ceará e Sergipe têm os maiores percentuais de pessoas que perceberam melhora. São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal aparecem com os menores.
Professores estão no centro das prioridades
A valorização dos profissionais aparece com força em diferentes partes do levantamento. Além dos 53% que defendem melhores salários e condições de trabalho, 37% apontam a formação dos professores como uma prioridade.
A melhora dos salários e das condições de trabalho foi citada nas cinco regiões do país. A formação docente ficou entre as quatro respostas mais lembradas em todos os estados.
Para Pedro Rodrigues, coordenador de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, os resultados mostram que a população relaciona diretamente salários, condições de trabalho e formação dos professores à qualidade da educação.
Os resultados ajudam a mostrar quais problemas a população considera mais urgentes e quais mudanças espera ver na educação nos próximos anos.


