A 22ª edição da Bienal do Livro Rio, realizada entre os dias 13 e 22 de junho de 2025, alcançou números históricos e teve impacto direto e significativo na economia do estado do Rio de Janeiro. Segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), a feira literária movimentou cerca de R$ 1,18 bilhão, equivalente a 0,10% do Produto Interno Bruto (PIB) fluminense.
O levantamento aponta que o evento atraiu 740 mil visitantes, um recorde de público, com 23% a mais de pessoas em relação à edição anterior. Essa mobilização gerou uma receita alta para diversos setores da economia local, com destaque para comércio, hotelaria, alimentação, cultura e transporte.

Setores mais aquecidos com o evento
O setor mais beneficiado pela movimentação econômica foi o comércio, responsável por R$ 553 milhões em receitas. Em seguida vieram a hotelaria, com R$ 200 milhões, alimentação, com R$ 163 milhões, cultura, com R$ 137 milhões, e transporte, com R$ 126 milhões. O resultado mostra como a Bienal tem atuado como catalisadora de uma cadeia extensa de serviços.
Segundo o estudo do Ibmec, a movimentação turística também foi impulsionada pela Bienal. Cerca de 76% dos visitantes de fora da cidade afirmaram que vieram ao Rio especialmente para participar do evento, e 62% disseram que pretendem retornar ao estado nos próximos 12 meses, fortalecendo o turismo literário e cultural da capital fluminense.
A presença jovem no evento também se destacou. Dados da organização revelam que 81% do público tinha até 34 anos, o que reforça o engajamento das novas gerações com a leitura e com a cultura do livro.
Vendas de livros batem recorde
Com o tema de “Book Park”, a Bienal do Livro 2025 transformou o Riocentro em um verdadeiro parque literário, com experiências interativas, atrações lúdicas e espaços imersivos voltados para diferentes perfis de leitores. Essa abordagem inovadora contribuiu para um expressivo aumento nas vendas de livros durante os dez dias de evento.
Ao todo, foram 6,8 milhões de livros vendidos, um crescimento de 23% em relação à edição anterior, conforme dados da organização do evento. As vendas renderam uma estimativa de R$ 215,4 milhões, valor distribuído entre grandes editoras, selos independentes e autores iniciantes.
Esse resultado reforça o papel da Bienal como uma das principais vitrines do mercado editorial brasileiro, funcionando não apenas como espaço de vendas, mas também como local de lançamentos, debates, formação de leitores e networking entre profissionais do setor.
A presença de autores nacionais e internacionais, somada a uma programação cultural intensa e gratuita, também ajudou a ampliar o alcance do evento. Durante a feira, foram realizados mais de 300 encontros literários, palestras e sessões de autógrafos, consolidando a Bienal como o maior evento literário da América Latina.
Cultura e desenvolvimento social
A Bienal 2025 também se insere no contexto mais amplo de valorização da cultura na cidade, especialmente no ano em que o Rio de Janeiro foi declarado Capital Mundial do Livro pela Unesco. A feira foi uma das principais atrações desse calendário internacional e contribuiu para dar visibilidade ao cenário literário brasileiro.
Além do impacto econômico, a Bienal representa um avanço social ao estimular o hábito da leitura, democratizar o acesso ao livro e fortalecer a educação. A compra e circulação de livros durante o evento beneficiam diretamente o desenvolvimento intelectual de crianças, jovens e adultos, com efeitos positivos a longo prazo na formação de cidadãos críticos e informados.


