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CNH: governo estuda fim da obrigatoriedade de autoescola

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O Ministério dos Transportes está finalizando uma proposta para eliminar a obrigatoriedade de frequentar autoescolas (CFCs) na emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B. A iniciativa já está pronta e aguarda autorização do Palácio do Planalto para ser publicada.

Segundo o secretário-executivo George Santoro, em entrevista a CNN, a medida visa reduzir os custos e a burocracia sem comprometer a qualidade do processo. As provas teórica e prática continuariam vigentes, porém os candidatos poderiam estudar por conta própria ou contratar instrutores credenciados de forma independente.

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Hoje, o custo médio para tirar a CNH gira em torno de R$ 3.215,64. Desse total, aproximadamente R$ 2.469,35 são pagos à autoescola, e R$ 746,29 correspondem a taxas estaduais e federais. A proposta atual poderia reduzir até 80% desse valor, limitando gastos ao pagamento apenas de exames, inscrições e eventual contratação de instrutor individual.

Atualmente, as obrigatoriedades para tirar a CNH restringe grande parte da população, com a nova proposta, muitas mudanças podem acontecer | Foto: Reprodução/Canva
A ideia principal da proposta é tornar a habilitação mais flexível e menos onerosa, mantendo os requisitos de formação e avaliação vigentes | Foto: Reprodução/Canva

Base legal e antecedentes legislativos

Um projeto de lei de 2019 (PL 6.485/2019), apresentado pela senadora Kátia Abreu (PDT‑TO), já propunha desobrigar aulas em autoescolas para CNH nas categorias A e B. A proposta incluía a possibilidade de uso de instrutores independentes credenciados pelo Detran para ministrar aulas práticas e teóricas de forma autônoma.

O projeto também sugeria que parte dos recursos arrecadados com multas fosse destinada a financiar habilitação de pessoas de baixa renda. Estimava-se que cerca de 80% do custo atual da CNH refere-se precisamente às aulas obrigatórias em CFCs, o que justifica a economia prevista.

Entretanto, o PL 6.485/2019 foi arquivado ao final da legislatura em 2022 e ainda não entrou em vigor. Outras propostas, como o PL 4474/2020, de autoria do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), também tramitam na Câmara e preveem flexibilização similar nos moldes do sistema estadunidense, permitindo a autoinstrução e contratação de instrutor particular credenciado.

Como funcionaria o novo processo para tirar a CNH

Com a mudança, o candidato à CNH enfrentaria os mesmos exames teórico e prático exigidos atualmente pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), sem a obrigatoriedade de pagar pelas horas de instrução em autoescolas. O sistema permitiria:

  • Estudo autônomo por meio de materiais oferecidos gratuitamente pelo Detran;
  • Contratação de instrutor particular credenciado, que deve atender a critérios como possuir habilitação na categoria há pelo menos três anos, sem penalidades recentes e estar vinculado ao órgão de trânsito; e
  • Cadastro do veículo utilizado na instrução como veículo de aprendizagem, com identificação apropriada.

Impactos esperados no acesso e mobilidade social

Segundo o ministro Renan Filho, cerca de 60 milhões de pessoas no Brasil possuem idade para tirar CNH e muitas não o fazem por imposições financeiras. Ele também relata que em algumas regiões até 40% dos motociclistas circulam sem habilitação formal, o que evidencia a exclusão causada pelo modelo atual. Além disso, observa-se uma disparidade de gênero: aproximadamente 60% das mulheres em idade de tirar CNH não possuem o documento, muitas vezes por priorizar a habilitação de outros familiares.

A ampliação do acesso pode facilitar a entrada de novos condutores no mercado formal de trabalho, especialmente como motoristas de aplicativos ou entregadores autônomos.

Críticas e pontos de atenção

Críticos da proposta alertam para eventuais prejuízos na qualidade da formação de novos condutores. A obrigatoriedade das aulas em autoescolas serve, segundo defensores do sistema atual, para proporcionar educação sobre direção defensiva, respeito às normas de trânsito e comportamento seguro no tráfego, especialmente em ambientes urbanos complexos.

Além disso, a proposta ainda depende da aprovação presidencial para ser implementada. Não há necessidade de tramitação no Congresso, segundo o governo, por se tratar de medida que pode ser regulamentada via resolução do Contran com base em competências do executivo federal.

Comparativo de cenários

Situação atualCenário com proposta
Custo CNH: média R$ 3.215,64Redução de até 80% nos custos totais
Obrigatoriedade de autoescolaAula opcional; autoinstrução permitida
Aulas apenas em CFCs autorizadosInstrutores particulares credenciados
Menor participação feminina na CNHRedução de barreiras econômicas

Agenda política e próximos passos

A proposta está pronta e aguarda aval executivo para liberar sua publicação, o que daria início ao processo de regulamentação junto ao Contran. Caso implantada, representaria uma mudança significativa no modelo de emissão da CNH, transformando-se em formato mais acessível e menos burocrático.

O modelo segue em estágio de definição interna, sem data definida para vir à tona, e seu impacto será acompanhado de perto por órgãos de trânsito estaduais, entidades de defesa do consumidor, instrutores independentes e autoescolas, que poderão ajustar práticas e serviços conforme a regulamentação evoluir.

*Entrevistas concedidas a CNN

Sobre o autor Rafaella Ranulfo

Jornalista especializada em assessoria e gestão da comunicação. Pós-graduanda em psicologia positiva, felicidade e bem-estar. Além de suas contribuções online, é autora de dois livros e criadora de conteúdo

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