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Países pedem mudança da COP30 por preços altos em Belém

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A realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP30), prevista para novembro de 2025 em Belém (PA), tem sido alvo de críticas de delegações internacionais devido aos elevados preços de hospedagem na capital paraense.

Representantes internacionais discutem a COP30 em Belém
O governo brasileiro insiste que garantirá a inclusão dos países mais vulneráveis nas negociações climáticas, mas enfrenta crescente pressão internacional para resolver a situação com urgência | Foto: Reprodução / Canva

Nesta quinta-feira, 31 de julho, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, afirmou publicamente que países solicitaram oficialmente a mudança de local da conferência. Segundo ele, o alto custo das diárias hoteleiras levou representantes de diversas regiões a pedirem que o evento fosse retirado de Belém.

“Países manifestaram de fato e saíram a público para dizer que a questão do preço dos hotéis é uma preocupação. Representantes de regiões pediram para tirar a COP de Belém”, disse Corrêa do Lago durante evento promovido pela UNFCCC (Organização das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas).

A COP é o principal fórum internacional para negociações climáticas e reúne anualmente representantes de quase 200 países para discutir medidas para conter o aquecimento global. Em 2025, o evento está programado para ocorrer na região amazônica, como símbolo do protagonismo ambiental do Brasil e da importância da floresta no enfrentamento da crise climática.

Logística e acessibilidade preocupam delegações

As críticas sobre a organização do evento se intensificaram após uma reunião emergencial do bureau da COP, realizada na última terça-feira, 29 de julho, convocada pelo Grupo Africano de Negociadores. O encontro ocorreu diante do temor de que os preços praticados em Belém inviabilizem a presença de países em desenvolvimento nas negociações.

Diplomatas relataram que a preocupação não se limita às nações de menor renda. Segundo informações obtidas pela agência Reuters, inclusive países europeus mais ricos enfrentam dificuldades para garantir acomodações. Alguns afirmam estar considerando reduzir o número de representantes enviados à COP30.

Entre os exemplos citados, o governo holandês afirmou que poderá enviar apenas metade dos cerca de 90 delegados que costumam participar do evento. Já o vice-ministro do clima da Polônia, Chris Bolesta, declarou que “provavelmente teremos que reduzir a delegação até o osso”.

Documentos da ONU apontam que o encontro foi convocado justamente para tratar dos “preparativos operacionais e logísticos para a Conferência sobre Mudanças Climáticas em Belém” e para abordar as preocupações de acessibilidade levantadas pelo grupo africano.

Segundo Richard Muyungi, presidente do grupo, o Brasil se comprometeu a apresentar um relatório com medidas corretivas em nova reunião marcada para 11 de agosto. Muyungi disse ainda que os países africanos não pretendem reduzir sua participação: “Estamos pressionando para que o Brasil forneça melhores respostas, em vez de nos dizer para limitar nossa delegação”.

Medidas do governo brasileiro ainda não convencem

Em resposta às críticas, o governo brasileiro vem anunciando ações para ampliar a oferta de acomodações em Belém, cidade que conta com cerca de 18 mil leitos hoteleiros disponíveis regularmente. A estimativa oficial é de que 45 mil pessoas devam participar da conferência.

Como alternativa, autoridades brasileiras confirmaram a contratação de dois navios de cruzeiro para oferecer cerca de 6 mil leitos adicionais. Também foram abertas reservas destinadas a países em desenvolvimento, com diárias de até US$ 220. Contudo, esse valor continua acima da ajuda de custo de US$ 149 por dia fornecida pela ONU para cobrir despesas de delegações em cúpulas internacionais.

Segundo diplomatas da ONU, algumas cotações recebidas por hotéis em Belém chegam a US$ 700 por noite por pessoa, valor considerado inviável por diversas delegações. A escassez de quartos e a especulação de preços têm sido apontadas como os principais entraves.

Caso as medidas prometidas até 11 de agosto não sejam suficientes, o futuro da realização da COP30 em Belém poderá voltar à mesa de negociações, em meio a crescentes questionamentos sobre a viabilidade logística da cidade como sede do principal evento climático do planeta.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

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