No universo do varejo, o caminho entre um “curtir” no Instagram e a compra efetiva na prateleira ou no e-commerce está cada vez mais curto. Mas transformar influência em conversão exige estratégia, conhecimento das plataformas e, sobretudo, conexão genuína com o público. Esse foi o tom do painel “Do feed ao carrinho: como a influência move o varejo”, realizado em 14 de agosto, no Rio Innovation Week (RIW), no Rio de Janeiro.

A conversa reuniu três nomes que vivem o ecossistema de influência e consumo no dia a dia: Livian Aragão, CEO da LVA Produções; Vitor Gomes Maia, fundador da Halle; e Karina Fernandes Tronkos, criadora de conteúdo à frente do Nina Talks.
Plataformas, públicos e formatos
Logo no início, Livian Aragão chamou atenção para um ponto-chave: entender que cada rede social tem sua própria lógica e comunidade. “Existem públicos e formatos diferentes, então a entrega tem que ser diferente.
O público de TikTok e Instagram não é o mesmo. Você precisa entender a linha de raciocínio de cada plataforma”, destacou. Essa segmentação influencia não só o tipo de conteúdo, mas também a linguagem, a frequência e até a estética das postagens.
O movimento constante das redes
Para Vitor Maia, o maior desafio para quem atua no varejo e na influência digital hoje é acompanhar a velocidade com que as plataformas evoluem. “As redes têm gerado um movimento no conteúdo, na forma como você edita e na forma como consome”, explicou. Essa dinâmica exige atualização constante de formatos, tendências e recursos — como filtros, músicas e estilos de edição — algo que nem sempre é fácil para marcas que trabalham com campanhas mais planejadas e ciclos de produção longos.
Ele também destacou que a bagagem pessoal é um ativo poderoso para se diferenciar. “A gente carrega uma bagagem, e é essa bagagem individual que vai fazer você se destacar”, afirmou.
Humanização e conexão real
Se tecnologia e dados ajudam a otimizar resultados, a base da influência continua sendo humana. Karina Tronkos reforçou que “as pessoas seguem um influenciador pela conexão. Exige uma humanização”. Para ela, isso significa mostrar vulnerabilidade, bastidores e até erros, criando um vínculo autêntico com a audiência.
Karina também lembrou que trabalhar com criação de conteúdo é uma atividade de aprendizado contínuo. “Todo dia estou aprendendo e estudando alguma coisa”, disse, ressaltando que o processo de aprimoramento é permanente.
Tendências e varejo: quando entrar no jogo
Livian pontuou que o mercado de varejo tem ganhado força ao abraçar tendências das redes sociais. “O mercado muitas vezes entra na trend e isso é muito legal. É uma estratégia que você pode usar para alavancar”, afirmou. O termo “trend” se refere a conteúdos que estão em alta nas redes, como desafios, músicas ou formatos populares.
Entrar em uma trend de forma estratégica pode aproximar a marca de um público que, até então, não estava no radar, mas a ação precisa estar alinhada à identidade da empresa.
Do engajamento à conversão
Mais do que atrair curtidas, o grande desafio é transformar esse engajamento em vendas. O painel explorou estratégias práticas, como parcerias com microinfluenciadores para diferentes empresas do varejo, criação de conteúdo integrado às campanhas no ponto de venda e o uso de métricas para identificar em qual etapa da jornada de compra o consumidor está. A jornada de compra é o caminho que o cliente percorre desde o primeiro contato com a marca até a decisão final de compra.
Rio Innovation Week
O Rio Innovation Week (RIW) é um dos maiores eventos de inovação e tecnologia da América Latina. Realizado no Rio de Janeiro, o RIW reúne especialistas, empresas e empreendedores para debater tendências que estão moldando o futuro dos negócios e da sociedade.


