Ao vivo

Brás e Bom Retiro enfrentam escassez de funcionários no comércio

Por

·

O comércio popular de São Paulo enfrenta uma crise estrutural: faltam trabalhadores para ocupar milhares de vagas nas lojas do Brás e do Bom Retiro. Em meio a vitrines repletas de anúncios de emprego, lojistas relatam dificuldades para contratar e manter equipes, mesmo oferecendo salários competitivos e jornadas flexíveis.

Cartazes de emprego tomam vitrines no Brás e mostram crise de mão de obra no comércio.
A situação afeta diretamente o funcionamento das lojas e ameaça o ritmo de vendas em dois dos maiores polos comerciais da capital | Foto: Reprodução / Canva

Segundo estimativas da Associação de Lojistas do Brás (Alobrás), há cerca de 10 mil vagas abertas na região. Já no Bom Retiro, a Câmara de Dirigentes Lojistas local calcula mais de mil oportunidades disponíveis. As funções vão desde vendedor, caixa e repositor até cargos administrativos e gerenciais. Em muitos casos, os comerciantes precisam de mais de dez funcionários para manter o atendimento, mas não conseguem preencher nem metade das vagas.

Lojistas enfrentam rotatividade e falta de candidatos

A dificuldade não está apenas em encontrar mão de obra qualificada. Muitos lojistas afirmam que há escassez até mesmo de candidatos dispostos a aprender. A alta rotatividade também preocupa: há relatos de funcionários que permanecem apenas alguns dias no cargo e pedem demissão sem aviso. Outros chegam atrasados, faltam com frequência ou não se adaptam à rotina do comércio.

Na Rua José Paulino, no Bom Retiro, a situação é semelhante. Mais de 40 lojas exibem cartazes com ofertas de emprego. Uma vendedora relatou que sua loja levou sete meses para contratar novos funcionários. A sobrecarga recai sobre os poucos que permanecem, que precisam atender clientes de todo o país com equipes reduzidas.

A escassez de trabalhadores tem várias causas. Especialistas apontam que, com a taxa de desemprego em queda, os candidatos passam a escolher melhor onde querem trabalhar. Segundo dados do IBGE, o índice de desemprego no Brasil foi de 5,8% no segundo trimestre de 2025, o menor da série histórica. Isso significa que há menos pessoas disponíveis para ocupar vagas que oferecem salários mais baixos ou exigem jornadas intensas.

Além disso, muitos trabalhadores preferem atuar como autônomos, o que oferece mais flexibilidade e, em alguns casos, maior remuneração. A escala de trabalho 6×1, comum no comércio, também afasta candidatos mais jovens, que buscam horários menos rígidos e maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Ações da prefeitura são paliativas diante da crise

Diante desse cenário, a Prefeitura de São Paulo anunciou uma ação emergencial para tentar reduzir o déficit. Equipes do Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo (Cate) percorrem as ruas do Brás nesta sexta-feira, 15 de agosto, para cadastrar vagas e apresentar os serviços de intermediação de mão de obra aos lojistas. A iniciativa é feita em parceria com a Alobrás e pretende facilitar o contato entre empresas e candidatos.

Além disso, está previsto para setembro o mutirão Contrata SP – Brás, que deve reunir oportunidades de trabalho e promover entrevistas presenciais. A expectativa é que essas ações ajudem a preencher parte das vagas e aliviem a pressão sobre os comerciantes.

A ausência de equipes completas também compromete a dinâmica econômica dos bairros. Com menos funcionários, muitas lojas reduzem o horário de funcionamento, deixam de atender clientes em horários de pico ou limitam o número de peças disponíveis para venda. Isso afeta não apenas os lojistas, mas também fornecedores, transportadoras, restaurantes e outros serviços que dependem do fluxo intenso gerado pelo comércio. A falta de mão de obra, portanto, reverbera em toda a cadeia produtiva local.

Mesmo com o apoio da prefeitura, os lojistas sabem que o problema é mais profundo. A falta de mão de obra no comércio popular é reflexo de mudanças no mercado de trabalho, nas expectativas dos profissionais e nas condições oferecidas pelas empresas. Para muitos, será preciso repensar modelos de contratação, investir em capacitação e oferecer benefícios que atraiam e retenham talentos.

Sobre o autor Saara Paiva

Jornalista, exploradora de eventos culturais e entusiasta da prática de esportes. Escreve sobre finanças sem palavras difíceis e com temas relevantes para quem vive a realidade brasileira.

Newsletter

As principais notícias de finanças no seu e-mail

Análises de mercado, economia e negócios. Sem spam, cancele quando quiser.

Publicidade