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Consórcio é preferência da Geração Z em meio a altos juros de financiamento

A busca de jovens da Geração Z por formas de conquistar patrimônio sem se endividar com juros elevados tem ampliado o interesse pelo consórcio. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), a participação de pessoas entre 18 e 29 anos nessa modalidade cresceu 8,9% de 2023 para 2024.

A preferência reflete um cenário de crédito restrito e taxas elevadas. Em agosto de 2025, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, segundo o Banco Central do Brasil. Esse patamar impacta diretamente o custo de financiamentos, especialmente para compra de veículos e imóveis, e torna o consórcio uma opção mais acessível para quem não pode pagar à vista.

Jovens da Geração Z ampliam participação em consórcios como alternativa ao financiamento em meio a juros elevados  | Foto: Reprodução/Canva
Jovens da Geração Z ampliam participação em consórcios como alternativa ao financiamento em meio a juros elevados | Foto: Reprodução/Canva

O que é o consórcio e como ele funciona?

O consórcio é uma modalidade de compra planejada em grupo, sem cobrança de juros, mas com taxa de administração que costuma variar entre 10% e 20% do valor da carta de crédito, diluída ao longo do contrato.

Nele, os participantes pagam mensalmente parcelas que formam um fundo comum, utilizado para contemplar os integrantes por sorteios ou lances. O valor contratado, chamado de carta de crédito, pode ser usado para adquirir imóveis, veículos, motos ou até serviços.

Diferentemente do financiamento, no qual o bem é liberado imediatamente, no consórcio a contemplação pode ocorrer em meses ou até anos. O tempo de espera depende do sorteio, do lance oferecido ou do prazo final do grupo.

Casos reais entre os jovens

O interesse da Geração Z pelo consórcio aparece em histórias como a de José Borba. Aos 21 anos, ele precisou de um carro para assumir um cargo de gerência. Sem condições de financiar ou comprar à vista, aderiu a um consórcio. Foi contemplado no terceiro mês após oferecer um lance e conseguiu adquirir o veículo.

Já a analista Gabriela Rodrigues, de 28 anos, aderiu a um consórcio imobiliário em 2024. Após um ano de pagamentos, ainda não foi contemplada. Para lidar com a espera, criou estratégias de planejamento financeiro, mantendo uma reserva de emergência para não comprometer seu orçamento até ser sorteada.

O publicitário André Amaral, de 29 anos, decidiu aderir ao consórcio após organizar suas finanças. Destinou parte do orçamento mensal à modalidade e considera o compromisso como uma forma de disciplina, funcionando como uma poupança forçada.

Consórcio x financiamento

O financiamento continua sendo a escolha de quem precisa do bem de forma imediata, mas implica custos elevados com juros. De acordo com dados do Banco Central, em julho de 2025, a taxa média de juros de financiamentos de veículos chegou a 27,6% ao ano, enquanto no crédito imobiliário a média foi de 11,3% ao ano.

No consórcio, apesar da ausência de juros, existem custos com taxa de administração e fundo de reserva. Além disso, não há como prever exatamente quando o participante será contemplado, o que exige paciência e planejamento.

Leia também: Consórcio de imóveis cresce e atrai mais brasileiros

Para especialistas, esse aspecto torna o consórcio mais atrativo para jovens que não têm urgência em adquirir o bem. “Hoje, com a renda mais comprimida e os bens proporcionalmente mais caros, o consórcio aparece como alternativa realista para que os jovens da Geração Z consigam se planejar”, avalia Andressa Bergamo, sócia-fundadora da AVG Capital.

Disciplina e segurança financeira

Outro fator que contribui para a adesão de jovens é a disciplina financeira que o consórcio impõe. O compromisso mensal ajuda a criar hábitos de poupança e planejamento de longo prazo.

Segundo levantamento da ABAC, em junho de 2024 o setor de consórcios registrou 9,8 milhões de participantes ativos, número 14,7% maior do que no mesmo período de 2023. Esse crescimento é atribuído, em parte, à entrada de jovens que buscam construir patrimônio de forma gradual.

Para o planejador financeiro Jeff Patzlaff, CFP, o consórcio não deve ser encarado como investimento no sentido tradicional, já que não gera rentabilidade, mas pode funcionar como uma ferramenta de educação financeira. “Ele exige pagamentos regulares e cria um compromisso de longo prazo com um objetivo definido, o que atrai muitos jovens”, explica.

O que acontece em caso de cancelamento?

A legislação brasileira garante que o consorciado que desiste da cota pode reaver os valores pagos, descontadas taxas de administração e multas de cancelamento, que variam conforme a administradora. O reembolso pode ocorrer ao fim do grupo ou em condições previstas em contrato. Outra alternativa é vender a cota a terceiros, seja contemplada ou não.

Essas regras oferecem segurança adicional ao consumidor, mas reforçam a necessidade de ler atentamente os termos antes da adesão.

Perspectivas do mercado

Com a alta dos juros e as dificuldades de acesso ao crédito, a expectativa do setor é de que a adesão de jovens ao consórcio continue crescendo nos próximos anos. Relatório da ABAC de 2024 já indicava expansão significativa no segmento de imóveis e veículos, justamente os mais buscados por essa faixa etária.

*Entrevistas concedidas ao E-Investidor.

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