Uma nova pesquisa do Banco Mundial traz informações sobre como será o futuro das empresas e do emprego, especialmente em países em desenvolvimento como o Brasil. O estudo mostra que empresas pequenas e jovens têm grande potencial de gerar novos postos de trabalho e podem transformar oportunidades para a população.

Segundo os pesquisadores, apenas uma pequena parte das empresas é responsável por uma grande parte dos novos empregos. Essas são chamadas de empresas de alto crescimento e, embora representem menos de uma em cada cinco empresas formais, geram entre 60% e 65% de todos os novos postos de trabalho em economias emergentes. No Brasil, 64% dessas empresas têm menos de cinco anos de existência, indicando que a juventude empresarial é um fator essencial para o crescimento.
O estudo mostra também que o trabalhador médio dessas empresas possui um ano a mais de escolaridade do que os trabalhadores de outros setores, o que sugere que esses empregos oferecem maiores oportunidades de qualificação e desenvolvimento profissional. Muitas dessas empresas jovens adotam novas tecnologias, modernizam equipamentos e contratam funcionários familiarizados com ferramentas digitais, acelerando ainda mais sua expansão.
Localização e conexões internacionais
A pesquisa destaca que a localização das empresas influencia diretamente seu crescimento. Mesmo com a conectividade digital, empresas situadas em agrupamentos regionais ou industriais se beneficiam de logística mais barata, acesso a mão de obra qualificada e rápida troca de conhecimentos.
Além disso, empresas que entram em mercados exportadores ou se conectam a cadeias de fornecimento internacionais tendem a crescer mais rápido e a criar mais empregos do que aquelas que permanecem apenas no mercado local. Essas conexões externas permitem acesso a componentes de maior qualidade, tecnologias avançadas e novas oportunidades de negócio, refletindo diretamente na expansão da folha de pagamento e aumento da produtividade.
Lições de experiências internacionais
O estudo do Banco Mundial também traz exemplos de outros países. Em Moçambique, o multiplicador de empregos de investimento estrangeiro direto foi estimado em 5,4, ou seja, cada investimento gerou mais de cinco novos empregos diretos. Na Costa Rica, fornecedores locais que conquistaram seu primeiro contrato com uma multinacional aumentaram suas equipes em 27% em quatro anos, adaptando-se a normas de qualidade mais rigorosas e melhorando sua reputação no mercado. Na África do Sul, quase toda a contratação adicional ocorre em empresas novas, que escalam rapidamente assim que a demanda internacional se concretiza.
O papel das pequenas empresas
No Brasil, mais de 60% dos empregos formais estão concentrados em empresas pequenas, ou seja, aquelas com menos de 10 funcionários, número superior a muitos outros países em desenvolvimento. Isso mostra que empresas pequenas e jovens são estratégicas para a criação de empregos, principalmente em setores como indústria têxtil, tecnologia, agronegócio e fabricação de alimentos processados.
O estudo ressalta que empresas jovens tendem a crescer e se adaptar mais rapidamente, adotando equipamentos mais novos, tecnologias modernas e recrutando trabalhadores familiarizados com ferramentas digitais. Por outro lado, startups e empresas novas também enfrentam maior risco de fechamento, o que reforça a importância de políticas de apoio para reduzir obstáculos e garantir sustentabilidade do crescimento.
O Banco Mundial alerta que é necessário canalizar investimentos de forma estratégica, aproveitando o potencial das empresas com maior capacidade de crescimento.
Além disso, o estudo destaca que uma pequena parte das empresas cria até dois terços de todos os novos empregos em diferentes setores, o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas a apoiar empreendedores jovens e inovadores, fortalecendo sua integração a cadeias de valor locais e internacionais.
Adoção de tecnologias e qualificação
Outro ponto importante é a adoção de novas tecnologias, que permite às empresas modernas aumentar produtividade, melhorar processos e oferecer empregos mais qualificados. No Brasil, empresas de setores como tecnologia, agronegócio e indústria têm mostrado que a modernização e a inovação podem gerar empregos de qualidade, aumentando a renda e a capacitação profissional dos trabalhadores.
Segundo o estudo, localização estratégica, vínculos com mercados externos, adoção de tecnologia e gestão eficiente são fatores que determinam quais empresas terão maior sucesso e capacidade de gerar empregos no futuro, reforçando a necessidade de políticas e investimentos que apoiem essas empresas no país.