O número de brasileiros com mais de 60 anos em atividade, a chamada “geração prateada”, aumentou quase 70% em pouco mais de uma década. Em 2012, havia 5,1 milhões de idosos ocupados. Já em 2024, o número alcançou 8,6 milhões, o que significa 3,5 milhões a mais, segundo levantamento feito a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD).

O termo se refere aos trabalhadores mais velhos que, após a aposentadoria ou já próximos dela, seguem ativos no mercado. O avanço tem relação direta com duas transformações sociais. A primeira é o aumento da expectativa de vida, que leva as pessoas a permanecerem produtivas por mais tempo. A segunda está ligada ao custo de vida, que pressiona famílias e obriga muitos a buscar renda extra.
Expectativa de vida cresce, mas viver custa caro
Nas últimas décadas, os brasileiros ganharam mais anos de vida. Em 1980, a expectativa média era de 62,6 anos. Hoje, alcança 76,4 anos. Esse aumento veio acompanhado de melhor qualidade de saúde e disposição física, o que possibilita aos mais velhos continuar trabalhando.
No entanto, longe de ser apenas uma escolha, essa permanência é, em muitos casos, uma necessidade. Os gastos com medicamentos, planos de saúde e alimentação pesam mais sobre o bolso da população idosa do que sobre a média geral. Um índice específico de inflação, calculado para pessoas acima de 60 anos, registrou alta de 4,40% em 12 meses até junho de 2025, enquanto o índice geral foi de 4,23%. A diferença, aparentemente pequena, significa mais dificuldade no dia a dia, já que os produtos e serviços consumidos por essa faixa etária costumam ser indispensáveis.
Mais trabalho, mas em condições precárias
Embora o número de idosos no mercado de trabalho tenha aumentado, a maior parte deles está em ocupações informais. Em 2024, 53,8% dos trabalhadores com mais de 60 anos não tinham carteira assinada, contra 38,6% da média nacional. Isso significa que mais da metade continua exercendo funções sem contribuição regular para a Previdência, sem direito a férias, 13º salário ou aposentadoria futura.
Essa realidade é explicada pelo perfil das atividades que mais empregam pessoas dessa faixa etária. Os serviços e o comércio concentram 26,7% dos idosos ocupados, em funções como vendedores ambulantes, atendentes e pequenos prestadores de serviço. Em seguida, vêm os operários qualificados, artesãos e mecânicos, que somam 21,2%. Nessas áreas, o vínculo formal é mais raro, e a renda obtida costuma ser instável.
Nas ruas das grandes cidades, não é difícil encontrar exemplos dessa realidade: trabalhadores acima de 60 anos em feiras, pequenas lojas, obras da construção civil ou realizando reparos domésticos. Essas funções, em geral, não oferecem segurança financeira nem garantias trabalhistas, deixando os mais velhos expostos à precarização.
Complemento de renda e sobrevivência da geração prateada
Para muitos idosos, continuar no mercado de trabalho é a única maneira de manter o padrão de vida. As aposentadorias, na maioria, são baixas e não acompanham a alta de preços. Além disso, algumas famílias dependem do rendimento dos mais velhos para complementar o orçamento.
Ao mesmo tempo, existe também o fator da atividade social. Trabalhar pode significar para esse público manter-se ativo, convivendo com outras pessoas, o que ajuda a preservar a saúde mental e a autoestima. Contudo, quando essa escolha é forçada pela falta de recursos, o benefício perde força e se transforma em sobrecarga.
Envelhecimento da população
O Brasil vive um processo acelerado de envelhecimento. A proporção de idosos cresce a cada ano, e a tendência é que a participação da geração prateada no mercado de trabalho continue aumentando. Esse movimento já impacta a economia e reforça a presença de milhões de trabalhadores mais velhos em diferentes setores.